InícioComércioJuan José Alberto Sortheix – O arquiteto do Sistema Harmonizado

Juan José Alberto Sortheix – O arquiteto do Sistema Harmonizado

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Seu legado e carreira no Conselho de Cooperação Aduaneira

Sumário:

introdução
II. Os Primeiros Passos no Cenário Internacional (1960-1968)
III. Adesão da Argentina à CCA (1968)
IV. Vice-Presidente do Conselho (1971-1973)
V. A Presidência Honorária em Buenos Aires (1975)
VI. Secretário-Geral Adjunto: Uma nomeação histórica
VII. Sortheix e o desenvolvimento do Sistema Harmonizado (1977-1986)
VIII. O Legado: Reconhecimento do Sistema Harmonizado
IX. Atividades pós-CCA e influência contínua (1987-2009)
X. Conclusões


🟦 I. Introdução

Juan José Alberto Sortheix, nascido em San Miguel de Tucumán em 9 de março de 1930, foi um brilhante advogado especializado em direito aduaneiro, cuja extraordinária contribuição para o desenvolvimento e a fluidez do comércio internacional de mercadorias foi notável. A ele se atribui, entre outras contribuições, o Sistema Harmonizado de Descrição e Codificação de Mercadorias, utilizado hoje por quase todos os países do mundo. 

Graduado em direito pela Universidade de Buenos Aires, Sortheix rapidamente estabeleceu sua reputação profissional na Argentina e no exterior.

Sua carreira pública começou na Direção Geral de Impostos em 1960, chegando a ocupar cargos importantes na administração tributária e alfandegária argentina, chegando a Diretor Nacional de Impostos de 1973 a 1977.

🟦II. Os primeiros passos no cenário internacional

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No final da década de 1960, Sortheix iniciou sua ativa atuação internacional, representando a Argentina perante o Conselho de Cooperação Aduaneira (a organização internacional conhecida como Organização Mundial das Alfândegas). Sua fluência em inglês e francês o tornou uma figura notável entre as autoridades latino-americanas, permitindo-lhe assumir um papel de liderança em debates técnicos e jurídicos.

Essa habilidade linguística foi uma ferramenta estratégica em seu desenvolvimento profissional. Em organizações internacionais, a capacidade de se comunicar eficazmente através de barreiras linguísticas é essencial para construir consensos e influenciar políticas, e ainda mais neste caso, em que Sortheix era fluente nos dois idiomas oficiais da organização.

Durante esse período inicial, ele participou inicialmente como observador, já que a Argentina não era membro do Conselho. Esse status especial permite que representantes de países não membros participem de debates e discussões técnicas sem direito a voto. Esse papel inicial foi fundamental para lançar as bases para sua futura liderança, permitindo-lhe familiarizar-se com os mecanismos de cooperação internacional em questões aduaneiras.

Durante essa primeira fase, Sortheix atuou no Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da CCA de 1968 a 1972, participando ativamente de questões críticas relacionadas a esse assunto.

Na Argentina, foi responsável por redigir – de próprio punho – os textos originais dos projetos do Poder Executivo que o Honorável Congresso da Nação aprovou e transformou no leis 16.686 (adoção da Nomenclatura Tarifária de Bruxelas -BNA-, com as suas notas legais, regras interpretativas e notas explicativas elaboradas pelo Conselho de Cooperação Aduaneira), lei 16.690 (unificação dos impostos de importação) e a lei 19.640 (regulamentação de áreas aduaneiras especiais e zonas de livre comércio), na qual investiu toda a sua experiência internacional. Também redigiu os textos originais da legislação sobre valoração aduaneira, com base na Definição de Valor de Bruxelas, que posteriormente foi incorporada – praticamente inalterada – à versão original do atual Código Aduaneiro Argentino (1). Foi também Coordenador do "Anteprojeto da Lei Geral Aduaneira» elaborado em 1969, destacando suas contribuições quanto ao aspecto estrutural e metodológico de abordagem do tema.

O depoimento prestado por seu amigo e então colega no Ministério da Economia, Sr. Dr. Horacio Vicente, que, no âmbito da Homenagem a JA Sortheix, realizada pela Universidade Nacional de Buenos Aires (UBA) em março de 2025, nos contou que o homenageado redigiu os projetos pessoalmente, com caneta-tinteiro e papel, com alta qualidade linguística, pois dominava muito bem a língua espanhola e a levava à sua máxima expressão. Ele também comentou – entre muitas outras coisas – que Sortheix possuía profundo conhecimento em Classificação Tarifária, Valoração e Técnica Aduaneira (2).   

Homenagem a Juan José Alberto Sortheix na Universidade de Buenos Aires | Foto: Héctor Juárez

Destaca-se também neste evento o depoimento do especialista em Direito Aduaneiro, Dr. Ricardo Xavier Basaldúa, de alto prestígio e reconhecimento internacional, também amigo e colega do Dr. Sortheix no Ministério da Economia, que comentou que teve a sorte de fazer parte do grupo de redação do Anteprojeto da Lei Geral Aduaneira que Sortheix criou e dirigiu, que trabalhou lado a lado com ele todas as tardes, aprendendo e tendo a oportunidade de levantar as mais diversas questões envolvidas na preparação de um anteprojeto que abordava todas as questões aduaneiras e que, infelizmente, não pôde ser aprovado porque houve uma mudança de governo e acabou "arquivado", mas deixou plantada aquela semente que com o tempo se tornaria o Código Aduaneiro Argentino. Ele lembrou que quando Sortheix estava criando o grupo, o comitê de redação do Código Aduaneiro Argentino, surgiu a convocação, um convite da CCA (OMA) para ir trabalhar em Bruxelas para a criação da nova nomenclatura tarifária. (3)

🟦 III. Adesão da Argentina ao CCA

Em 1967, por meio da Lei 17.587, a República Argentina decidiu tornar-se membro oficial do Conselho (4). Em 1º de julho de 1968, o Embaixador da Argentina no Reino da Bélgica depositou o instrumento de ratificação junto ao Ministério das Relações Exteriores do Governo Belga, que notificou o depósito a todos os governos aderentes e ao Secretário-Geral da CCA, cumprindo assim as formalidades estabelecidas na Convenção que constitui a Organização.

Essa adesão elevou a participação do representante argentino, Dr. Sortheix, ao status de "delegado oficial", o que significava que ele poderia representar oficialmente o país e votar nas decisões da organização internacional. 

De fato, Sortheix fez parte da PRIMEIRA DELEGAÇÃO OFICIAL da República Argentina junto ao Conselho de Cooperação Aduaneira instituído pelo Decreto nº 1849 de 5 de abril de 1968.

É necessário deter-se na fundamentação desta norma, pois nela se expõem as razões que justificaram a sua designação e representação, nomeadamente: “Que, dada a importância das questões técnicas a serem abordadas, o fato de nosso país estar simultaneamente aderindo aos trabalhos da entidade e que outros países-membros, pela natureza da matéria, costumam designar funcionários especializados... avaliem a conveniência de aderir a outras duas convenções técnicas, como as de Nomenclatura e Valor... bem como reúnam informações básicas para sua correta aplicação e atualização... "

Como delegado oficial de 1969 a 1976, Sortheix participou de importantes processos e decisões da CCA, contribuindo com sua visão técnica e jurídica para resolver desafios complexos. 

🟦 IV. Vice-Presidente do Conselho (1971-1973)

Em reconhecimento ao seu desempenho, Sortheix foi eleito Vice-Presidente do Conselho (órgão colegiado composto por representantes de todos os Estados-Membros e a mais alta autoridade da Organização) em junho de 1971, durante as sessões realizadas em Viena. Esse cargo lhe confere responsabilidades importantes, como auxiliar o Presidente na condução de reuniões, auxiliar na obtenção de consenso entre as delegações e manter uma dinâmica de trabalho fluida. Suas habilidades de negociação e diplomacia foram reconhecidas e valorizadas por seus colegas internacionais, que o viam como um líder nato, capaz de resolver tensões técnicas e políticas.

A importância de seu papel foi ainda mais confirmada quando ele foi reeleito vice-presidente durante as sessões realizadas em Bruxelas em junho de 1972. Esse reconhecimento consecutivo foi incomum e demonstrou a alta consideração que a comunidade internacional tinha por suas habilidades e liderança.

Neste período participou de importantes decisões, talvez a mais importante delas tenha sido por ocasião da 41ª/42ª Sessão do Conselho de Cooperação Aduaneira, realizada em Kyoto, Japão, entre 15 e 24 de maio de 1973, quando foi aprovado um dos melhores instrumentos desenvolvidos no âmbito da CCA (OMA), o Convenção Internacional para a Simplificação e Harmonização dos Regimes Aduaneiros, um pilar fundamental da modernização e harmonização dos procedimentos aduaneiros em todo o mundo. Representa o padrão ouro na facilitação do comércio, promovendo práticas aduaneiras eficientes, transparentes e previsíveis que impulsionam o desenvolvimento econômico e fortalecem a segurança nas fronteiras. Ele participou dessas sessões em dupla função: como Delegado da República Argentina e como Vice-Presidente da CCA.

🟦 V. A Presidência Honorária em Buenos Aires (1975)

Em maio de 1975, durante a 45ª/46ª Sessão do Conselho realizada em Buenos Aires, o Sr. JASJIT SINGH (Índia), Presidente do Conselho naquela época, deu as boas-vindas a todos os delegados (o ACC tinha então 76 Estados-Membros) e observadores (representantes da FAO, IATA, INTERPOL, GATT, ICC e outros) presentes, em particular aqueles que participavam dos trabalhos do Conselho pela primeira vez, e então, por sua proposta e com o voto de todos os presentes, elegeu Juan José Sortheix.Presidente Honorário"do Conselho, por aclamação geral.

Este cargo honorário foi uma distinção em reconhecimento às suas contribuições excepcionais à organização. A presidência honorária implicava presidir simbolicamente as sessões do Conselho, representar a organização perante as autoridades nacionais e facilitar as relações diplomáticas durante o evento. Era um reconhecimento explícito do seu prestígio internacional e do respeito que havia conquistado ao longo de anos de trabalho.

O Sr. Ricardo Lumi, Secretário da Fazenda da República Argentina, esteve presente na ocasião. Ele observou que esta foi a primeira vez que o Conselho se reuniu em um país que ainda não havia atingido seu pleno desenvolvimento e que também foi a primeira vez que as sessões do Conselho foram realizadas no continente americano, enfatizando sua importância e significado. 

Sediar as sessões de uma organização internacional é um empreendimento significativo, e conceder a Presidência Honorária a uma figura nacional proeminente como Sortheix ressalta sua importância tanto para a Organização quanto para a Argentina. Este evento provavelmente fortaleceu o relacionamento entre a Argentina e a CEC, consolidando ainda mais a posição de Sortheix como um elo fundamental. Ao homenagear Sortheix dessa forma, a CEC reconheceu o compromisso da Argentina com a cooperação aduaneira e provavelmente estreitou os laços entre a organização e o país anfitrião.

Vale ressaltar que, ao final do bem-sucedido encontro oficial, todos os visitantes foram convidados a explorar as belezas naturais de Bariloche e se hospedar no requintado Hotel Llao Llao, próximo ao Lago Nahuel Huapi, onde compartilharam experiências inesquecíveis, que certamente fortaleceram os laços de amizade e camaradagem entre os membros.

🟦 VI. Secretário-Geral Adjunto: Uma nomeação histórica

Em junho de 1976, o Conselho de Cooperação Aduaneira (CCC) tomou uma decisão extraordinária em sua estrutura organizacional, criando, pela primeira vez em sua história, dois cargos específicos de Secretário-Geral Adjunto. Essa decisão foi tomada em resposta direta às crescentes demandas técnicas e operacionais enfrentadas pela instituição, em especial devido ao complexo projeto de criação e implementação do Sistema Harmonizado, que exigia liderança especializada.

A criação deste cargo foi verdadeiramente excepcional na história do Conselho, visto que, antes desta resolução, a estrutura da Secretaria-Geral do ACC era composta exclusivamente pelo Secretário-Geral e pelos diretores técnicos. O Conselho entendeu que a magnitude e a complexidade técnica do Sistema Harmonizado exigiam uma liderança especializada para facilitar a gestão, a coordenação e a comunicação internacional do projeto. 

A nomeação específica de Sortheix como um dos dois primeiros Secretários-Gerais Adjuntos, com efeito a partir de 1º de janeiro de 1977, foi um claro reconhecimento de sua vasta experiência técnica, sólidas habilidades diplomáticas e liderança excepcional demonstrada em sessões anteriores do Conselho. Sortheix já havia demonstrado capacidade excepcional para alcançar consensos sobre questões técnicas complexas, cruciais para o sucesso da implementação do projeto do Sistema Harmonizado, considerado uma tarefa prioritária para o comércio mundial.

O Conselho decidiu também criar uma pequena Comissão ad hoc examinar os poderes e responsabilidades desses dois cargos em relação aos do Secretário-Geral e dos Diretores, estabelecendo o seguinte para Sortheix: “Assumirá a liderança dos trabalhos relacionados ao Sistema Harmonizado, levando em consideração o desejo do Conselho de concluí-los o mais breve possível. Para tanto, presidirá as discussões do Comitê responsável por esses trabalhos e estabelecerá os contatos necessários com as autoridades e organizações envolvidas.”(6)

Esta posição, criada exclusivamente para Sortheix, permitiu que ele desempenhasse um papel fundamental na direção técnica e estratégica do Sistema Harmonizado, garantindo seu desenvolvimento bem-sucedido e coordenando as complexas negociações internacionais necessárias para sua aprovação final em 1983. A natureza excepcional da posição é ainda mais evidenciada pelo fato de que, uma vez concluído o mandato de Sortheix em 1986, o cargo de Secretário-Geral Adjunto deixou de existir, e a estrutura do Secretariado retornou à sua composição tradicional.

Em suma, a posição de Sortheix como Secretário-Geral Adjunto foi única e irrepetível em toda a história do Conselho de Cooperação Aduaneira (lembre-se de que o nome oficial da Organização Mundial das Alfândegas continua sendo Conselho de Cooperação Aduaneira). Essa posição excepcional reconheceu não apenas o excepcional talento técnico e diplomático de Sortheix, mas também a importância crucial do projeto do Sistema Harmonizado para o comércio internacional, consolidando-o como um dos principais legados institucionais do Conselho em seus mais de 70 anos de história.

🟦 VII. Sortheix e o desenvolvimento do Sistema Harmonizado (1977-1986)

Artigo publicado em 1986 na revista da OMA "CCC NEWS"

Por mais de seis anos, entre 1977 e 1983 (7), Juan José Alberto Sortheix presidiu o Comitê do Sistema Harmonizado do Conselho de Cooperação Aduaneira. Sua liderança foi fundamental para o estabelecimento de um sistema de classificação tarifária internacional coerente e uniforme que continua a facilitar o comércio internacional até hoje.

Os desafios iniciais foram enormes. A principal tarefa era harmonizar uma infinidade de nomenclaturas existentes, como a então vigente Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira (CCCN) e a Classificação Padrão do Comércio Internacional (SITC), que até então apresentavam diferenças significativas e frequentemente geravam divergências e disputas comerciais. Esse contexto exigia forte liderança, habilidades técnicas avançadas e excepcional capacidade de negociação.

Sortheix liderou uma equipe internacional composta por especialistas aduaneiros, técnicos e juristas de mais de 60 países e de diversas organizações internacionais, como a ONU, a OMC e a Câmara de Comércio Internacional. A dinâmica de trabalho incluiu reuniões plenárias contínuas e subcomitês técnicos encarregados de analisar detalhadamente cada grupo de mercadorias, desde produtos agrícolas até tecnologia industrial. O Comitê também se beneficiou da colaboração contínua de agências especializadas, garantindo uma análise completa e rigorosa.

Um dos principais pontos fortes da liderança de Sortheix foi sua capacidade diplomática de resolver divergências técnicas e políticas entre países com interesses econômicos divergentes. Ela estabeleceu uma metodologia de trabalho centrada no diálogo contínuo, na precisão técnica e na busca constante por consenso, evitando confrontos que poderiam comprometer o projeto. A dedicação e a paciência de Sortheix foram cruciais para manter a coesão e a motivação do Comitê durante anos de trabalho árduo.

Finalmente, sob sua liderança, o Comitê concluiu com sucesso a Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Normas em junho de 1983. Este tratado foi considerado uma conquista histórica, pois forneceu uma estrutura jurídica e técnica uniforme que foi rapidamente adotada por quase todos os países do mundo, facilitando a simplificação do comércio internacional, reduzindo significativamente custos e conflitos comerciais e permitindo maior precisão na coleta e análise de estatísticas comerciais em todo o mundo.

Cópia original da primeira edição do Sistema Harmonizado. | Foto: Héctor Juárez | Intervenção: Aduana News

Em maio de 1984, durante suas 63ª e 64ª sessões, o Conselho decidiu conceder ao Dr. Sortheix a última extensão legalmente possível de dois anos ao seu mandato como Secretário-Geral Adjunto, até 31 de dezembro de 1986, a fim de disseminar o trabalho que ele havia realizado pelo mundo e incentivar sua adesão.

Como alto funcionário internacional, Sortheix serviu frequentemente em missões oficiais representando o Conselho de Cooperação Aduaneira em conferências internacionais e reuniões técnicas em todo o mundo. Seu papel foi fundamental para garantir a implementação efetiva do Sistema Harmonizado em diversas regiões, particularmente na América Latina, Ásia e África.

Ele organizou e liderou seminários em locais tão diversos como Canadá, Índia, Tailândia, Burkina Faso, Zâmbia, Brasil e Uruguai, promovendo ativamente a cooperação técnica e facilitando a adoção internacional do novo sistema.

🟦 VIII. O Legado: Reconhecimento do Sistema Harmonizado

O resultado foi um avanço revolucionário para o comércio mundial, contribuindo significativamente para a redução das barreiras comerciais não tarifárias e gerando um impacto positivo na economia global. O legado do Dr. Sortheix, reconhecido internacionalmente – mas não o suficiente, na opinião do signatário – deixou uma marca indelével na história da cooperação aduaneira internacional e estabeleceu o Sistema Harmonizado como um dos instrumentos fundamentais para o comércio internacional moderno.

Mais de três décadas após sua implementação, o Sistema Harmonizado permanece em vigor, confirmando a visão estratégica e técnica que Sortheix trouxe para este projeto internacional. Sua contribuição continua sendo um exemplo de liderança eficaz, compromisso com a cooperação global e excelência técnica.

Em reconhecimento ao seu trabalho extraordinário, quando o Sistema Harmonizado entrou oficialmente em vigor em 1988, o Conselho o convidou especialmente para proferir o discurso inaugural, reconhecendo assim sua contribuição decisiva para o comércio global.

O argentino Juan José Sortheix durante a apresentação do Sistema Harmonizado. | Foto: Héctor Juárez

🟦 IX. Atividades pós-CCA e influência contínua (1987-2009)

Após concluir sua missão internacional em 1986, Sortheix retornou à Argentina, onde continuou seu trabalho como consultor internacional de prestígio. Em particular, colaborou estreitamente com a ALADI (Associação Latino-Americana de Associações) na adaptação do Sistema Harmonizado na América Latina.

Juan José Sortheix no Fórum de Direito Comunitário do MERCOSUL | Foto: Héctor Juárez

Seu trabalho de ensino e consultoria continuou a se destacar, ministrando cursos e palestras em diversas instituições acadêmicas e profissionais argentinas, como o Instituto para o Desenvolvimento de Empresários da Argentina (IDEA) e a Escola Argentina de Exportação da Fundação Banco de Boston.

Juan José Alberto Sortheix faleceu em junho de 2009. Sua morte representou uma grande perda para o mundo aduaneiro internacional. A solidez técnica e jurídica de suas contribuições, particularmente na criação do Sistema Harmonizado, consolidou sua posição como um dos juristas mais influentes em matéria aduaneira.

🟦 X. Conclusões

Juan José Alberto Sortheix se destaca como um modelo de autoridade técnica, especializado em direito aduaneiro e comprometido com o desenvolvimento do comércio internacional. 

No campo acadêmico, seus artigos sobre Origem da Mercadoria (Estudo extenso cuja leitura é sugerida por sua relevância e impacto na legislação argentina; disponível em: https://aduananews.com/wp-content/uploads/2025/06/Sortheix-El-Problema-del-Origen-de-las-Mercadrias-y-Nuestra-Legislacion-Aduanera.pdfE o natureza do fato gerador na importação (leitura obrigatória para entusiastas do direito aduaneiro; disponível em: https://aduananews.com/wp-content/uploads/2025/06/Sortheix-La-Estructura-del-Hecho-Gravado-por-los-Derechos-de-Importacion.pdfdespejo e muitas outras questões aduaneiras nas quais se destacou. Sua visão sistêmica e global deixou sua marca.

Sua carreira no Conselho de Cooperação Aduaneira, desde seu papel inicial como observador até sua nomeação excepcional como Secretário-Geral Adjunto, demonstra uma dedicação inabalável e uma visão estratégica para facilitar o comércio global. Sua capacidade de conduzir negociações técnicas e políticas complexas, sua fluência em idiomas e sua capacidade de construir consensos foram cruciais para o sucesso do Sistema Harmonizado, uma conquista que continua a impactar positivamente o comércio global mais de três décadas após sua implementação. 

O legado de Sortheix vai além da criação de um sistema de classificação; representa um compromisso com a cooperação aduaneira global e a excelência técnica que serviu de exemplo para as futuras gerações de especialistas em comércio exterior que tiveram a honra de conhecê-lo. Sua influência perdurou mesmo após sua aposentadoria do CCC, por meio de seu trabalho como consultor, educador e promotor do Sistema Harmonizado em diversas regiões do mundo.

Em março de 2025, a Universidade de Buenos Aires homenageou sua memória e legado, reconhecendo a dimensão histórica de sua contribuição ao comércio internacional e destacando-o como um exemplo a ser seguido pelas futuras gerações de especialistas em comércio exterior. O reconhecimento póstumo por seu “alma Máter", a UBA (Universidade de Buenos Aires) destaca a importância histórica de suas contribuições e seu impacto duradouro no campo do comércio internacional.


1. Em 1969, Sortheix integrou e coordenou um grupo de trabalho –junto com especialistas de renome como Ricardo Xavier Basaldúa, Juan P. Cotter Moine e Julio T. Rubens y Rojo– para elaborar um Anteprojeto da Lei Geral Aduaneira. Embora esse projeto não tenha sido aprovado devido a mudanças de governo, sua estrutura, metodologia e 602 artigos serviram de base para a elaboração do Código Aduaneiro aprovado em 1981.

2. Sugerimos assistir e ouvir a apresentação completa do Dr. Horacio Vicente, na qual ele destaca as qualidades pessoais e profissionais do Dr. Sortheix. O vídeo está disponível em: https://youtu.be/LoiODUbfbuE?si=ioFCAHUKBsFuXc4v

3. Sugerimos assistir e ouvir a apresentação completa do Dr. Ricardo Xavier Basaldúa, na qual ele traça um perfil pessoal, profissional e acadêmico do Dr. Sortheix. O vídeo está disponível em: https://youtu.be/LoiODUbfbuE?si=ioFCAHUKBsFuXc4v

4. Dr. Ricardo Xavier Basaldúa, em sua apresentação na Homenagem na UBA (disponível em: https://youtu.be/LoiODUbfbuE?si=ioFCAHUKBsFuXc4v) nos conta que Sortheix foi uma das forças motrizes por trás da adesão da Argentina ao CCA.

5. Em junho de 1976, durante suas 47ª e 48ª sessões, o Conselho decidiu que dois cargos de Secretário-Geral Adjunto deveriam ser criados, com vigência a partir de 1º de janeiro de 1977. Para esse propósito, nomeou o Sr. James B. Clawson e o Sr. Juan José Alberto Sortheix para um mandato de cinco anos.

6. Documento OMA nº 22.686 f, datado de 20 de setembro de 1976, "Poderes e status dos secretários-gerais assistentes".


Fontes: 

Notícias da Alfândega. «UBA: Homenagem a «Pai do Sistema Harmonizado, Dr. Juan José Alberto Sortheix, e sua contribuição ao Direito Aduaneiro Nacional e Internacional« https://aduananews.com/con-un-acto-en-la-uba-recuerdan-el-legado-aduanero-del-dr-juan-alberto-sortheix-y-su-contribucion-a-la-cooperacion-internacional/ 

Artigo publicado em CCC News, N.º 8, Inverno de 1986, 3ª página.

Basaldúa, Ricardo Xavier (2009). Perfil de Juan José Sortheix. Guia Prático de Comércio Exterior, n.º 150, 30 de setembro de 2009.

Currículo de Juan José Alberto Sortheix.

Documentos históricos do Conselho de Cooperação Aduaneira: https://wcoomd.org

Juárez Allende, Héctor Hugo. (2021). A Organização Mundial das Alfândegas. Passado, presente e futuro. Valência: Editorial Tirant Lo Blanch.

macieira,Felipe J. Artigo intitulado: “41ª/42ª Sessões do Conselho de Cooperação Aduaneira”, Direito Aduaneiro, Volume V, pp. 769/786. 

OMA (Organização Mundial das Alfândegas). (2018). Compêndio do Sistema Harmonizado. Recuperado de: https://www.wcoomd.org/-/media/wco/public/global/pdf/topics/nomenclature/activities-and-programmes/30-years-hs/hs-compendium.pdf

Notícias da OMA, n.º 86. Atualização do Sistema Harmonizado. Disponível em: https://mag.wcoomd.org 

O autor é Membro (Juiz) do Tribunal Tributário Nacional. Professor Universitário. Especializada em Docência no Ensino Superior (UCC). Professor na Universidade Nacional de Córdoba (UNC), na Universidade Blas Pascal (UBP), na Universidade Austral e na Universidade de Rosário (Colômbia). Professor e membro do Comitê Acadêmico da Especialização em Direito Aduaneiro da Universidade Nacional de La Plata (UNLP). Membro do Grupo de Redação do Código Aduaneiro do MERCOSUL. Autor do livro: "A Organização Mundial das Alfândegas. Passado, presente e futuro." Editora Tirant Lo Blanch, Valência, Espanha. Ano 2021 - E-mail: [email protected]

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