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A Conferência Comex teve início com anúncios da Alfândega relativos ao declarante e ao regime de correio expresso.

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A Conferência Comex, organizada pelo Centro de Despachantes Aduaneiros (CDA), foi oficialmente inaugurada nesta terça-feira (23 de junho de 2026) com uma série de anúncios da Direção-Geral das Alfândegas relacionados à redefinição do papel do declarante e ao regime de correio expresso. O evento contou com a presença de representantes de câmaras de comércio e órgãos públicos, reunindo aproximadamente 70 participantes presenciais e 100 virtuais.

No primeiro dia do evento de três dias, o Presidente da CDA, Rubén PérezEle destacou a importância do comércio exterior como componente histórico da receita estatal. Enfatizou a relevância das trocas internacionais e citou Juan Bautista Alberdi para ressaltar que a riqueza pública deve ser baseada no comércio. Nesse sentido, afirmou que a Conferência de Comércio Exterior visa "conectar análise, troca de ideias e capacitação" em um contexto de profunda transformação no setor.

DGA: Redefinição do declarante e alterações no serviço de entrega.

Foi quando o Diretor Geral da Direção Geral de Alfândegas, José Andrés Veliz, Ele iniciou sua apresentação com anúncios que teriam impacto nas operações alfandegárias, incluindo a distinção entre despachantes aduaneiros e declarantes.

Nesse sentido, ele salientou que as normas atuais “relativizou o papel do despachante aduaneiro.Isso gera confusão no processo. Ele indicou que tomará medidas junto ao Ministério competente para definir com mais precisão os papéis do declarante e do despachante aduaneiro, com o objetivo de identificar inequivocamente quem faz cada declaração em um procedimento aduaneiro.

Alterações no regime de correio e no controle de dados

Veliz previu modificações no sistema de correio com o objetivo de simplificá-lo e reorganizá-lo, corrigindo distorções e fortalecendo os mecanismos de controle.

Nesse contexto, ele explicou que o objetivo é encontrar fortalecer o compartilhamento de informações Para evitar o uso indevido de números de identificação fiscal, como o CUIT (número de identificação fiscal britânico), e para prevenir fraudes ou inconsistências nos bancos de dados, ele também observou que estão em andamento trabalhos para atualizar as informações que vinculam os CUITs aos endereços fiscais, a fim de melhorar a rastreabilidade das transações.

Um dos anúncios mais importantes foi o O lançamento de um teste piloto com a Amazon está agendado para esta semana de junho. O objetivo é avançar rumo a um esquema em que as plataformas de Empresas de comércio eletrônico podem cobrar impostos antecipadamente. Incorporar informações prévias sobre as operações para melhorar a previsibilidade e a matriz de risco aduaneiro.

Veliz argumentou que a falta de informações prévias limita a capacidade de controle em tempo real e destacou que melhorias nos sistemas de dados permitirão uma redução nos tempos operacionais em processos ligados ao serviço de entrega, dentro de um esquema de modernização digital.

Integração regional e fortalecimento da OEA

A nível regional, o chefe da DGA indicou que Trabalha em conjunto com as autoridades alfandegárias do Uruguai e do Paraguai. em mecanismos de cooperação para realizar controles coordenados e compartilhar tecnologias de inspeção não intrusivas, como o uso de scanners, com o objetivo de evitar a duplicação de verificações em operações de comércio exterior.

Nesse contexto, ele destacou o fortalecimento do programa de Operador Econômico Autorizado (OEA).OEAe argumentou que o sistema atual impõe altos padrões às empresas certificadas sem compensação equivalente. Nesse sentido, ele levantou a necessidade de conceder benefícios concretos, especialmente através de maior facilidade de acesso e da redução de controles redundantes.

Observações sobre operações logísticas

Por fim, Veliz alertou para problemas operacionais relacionados ao agendamento nos terminais e a custos logísticos considerados excessivos ou inconsistentes. Ele observou que existe uma iniciativa para tornar o agendamento mais transparente, com o objetivo de avançar para um sistema de agendamentos diretos, e alertou que essas práticas criam distorções na cadeia logística, sendo, portanto, revistas para evitar que as operadoras se tornem “reféns dos terminais”.

A imagem mostra as autoridades da CDA ao lado do chefe da Alfândega no final da cerimônia de abertura.

VUCEA: rumo à verdadeira interoperabilidade do comércio exterior

Nesse contexto, o evento teve como objetivo apresentar ferramentas para melhorar o comércio por meio da facilitação, uma abordagem que contribui para a competitividade das economias e das empresas, ao mesmo tempo que reduz os custos comerciais, conforme estabelecido no Acordo de Facilitação do Comércio da Organização Mundial do Comércio.

Nesse contexto, a Unidade Executiva Temporária Especial para o Regime de Comércio Exterior (VUCEA) se manifestou por meio de Belén Pessagno e Emanuel Venice, que explicaram a ferramenta como um sistema de atualizações permanentes destinado a simplificar os procedimentos de fronteira e concentrar a interação dos operadores com as diferentes agências em um único portal.

O foco foi a transição da digitalização de documentos para a interoperabilidade entre agências, de forma que os mesmos dados possam ser utilizados sem a necessidade de múltiplos uploads ou envios.

Após a apresentação da ferramenta e o apelo para que os participantes a utilizassem ativamente, os seguintes tópicos foram abordados: principais desenvolvimentos futuros à sua implementação.:

  • VUMA (marítimo): Digitalização abrangente das operações portuárias e coordenação entre a alfândega, os portos e os órgãos de controle.
  • VUA (ar): Extensão do modelo de balcão único ao transporte aéreo.
  • Declaração Aduaneira Digital: progresso rumo a um sistema totalmente eletrônico.
  • Pasta digital: Centralização da documentação do operador.
  • PIM: Um novo sistema para regimes especiais, como importação temporária, drawback e zonas francas.
Representantes da VUCE.

Centro de Navegação: impulsionando a digitalização eBL e portuária

O Centro Argentino de Navegação, fundado em 1900 por Alfonso Jozami, destacou o progresso rumo à digitalização do sistema portuário, com foco na adoção do conhecimento de embarque eletrônico (eBL) e na interoperabilidade entre os diferentes atores da cadeia logística.

Nesse sentido, o gerente indicou que Ela trabalha em conjunto com a Agência de Cobrança e Controle Aduaneiro (ARCA), a Direção Geral das Alfândegas (DGA) e a VUCE. na implementação do eBL, argumentou-se que o atual quadro regulamentar já permite a sua utilização através de assinatura digital, sem necessidade de reformas legais.

Ele também mencionou o desenvolvimento da plataforma "Mercuria", voltada para a gestão de procedimentos alfandegários, envio de manifestos e coordenação com as autoridades de imigração.

Jozami alertou que a indústria naval global está caminhando para a digitalização total, com o objetivo de atingir 100% de conhecimentos de embarque eletrônicos até 2030, e enfatizou que a Argentina deve acompanhar esse processo para não perder competitividade.


AIEA e ICC Argentina: decisões antecipadas e Incoterms

A intervenção de Rufino V. Beccar Varela, representando o Instituto Argentino de Estudos Aduaneiros (IAEA), fundado em 1970, focou-se nas decisões antecipadas como instrumento fundamental para facilitar o comércio exterior, em consonância com as disposições do Acordo de Facilitação do Comércio da Organização Mundial do Comércio e sua incorporação ao ordenamento jurídico nacional.

Ele argumentou que a facilitação não implica perda do controle aduaneiro, mas sim o contrário, já que "não só não causa perda de controle, como o torna mais inteligente e previsível". Nesse sentido, ele destacou que a supervisão é mais eficiente quando o tratamento de uma operação é definido previamente, permitindo uma abordagem baseada em riscos que aproveita o conhecimento do operador.

Ele enquadrou essa abordagem dentro das tendências promovidas pela Organização Mundial do Comércio, onde previsibilidade, redução de custos e simplificação de processos são pilares centrais. Ele também destacou que sistemas mais avançados, como os dos Estados Unidos, México e União Europeia, operam com controles mais sofisticados, apoiados pelo compartilhamento de informações.

Em relação às decisões antecipadas, ele observou que sua principal contribuição é proporcionar “segurança pública” e “segurança comercial”, reduzindo a incerteza e permitindo decisões mais bem fundamentadas por parte das operadoras. Ele explicou que se tratam de pronunciamentos oficiais e vinculativos feitos antes da transação.

No entanto, ele alertou que o sistema ainda enfrenta atrasos, burocracia e uso limitado. Nesse sentido, propôs a simplificação dos procedimentos e a ampliação dos canais de consulta, especialmente em casos complexos de valoração aduaneira.

Para concluir, ele enfatizou que o principal desafio é cultural, tanto no setor público quanto no privado, onde a resistência à sua implementação persiste. Mesmo assim, afirmou que a tendência é clara: caminhar rumo a um sistema de comércio exterior mais previsível, ágil e menos conflituoso.

A intervenção da AIEA foi complementada pela contribuição da Câmara de Comércio Internacional da Argentina (ICC Argentina), que abordou aspectos relacionados aos Incoterms e ao funcionamento do comércio internacional.

Assim, o primeiro dia da Conferência Comex terminou com um grande número de participantes e anúncios da Alfândega, com uma agenda focada na modernização do comércio exterior e na facilitação das trocas comerciais, deixando em aberto os debates e novas definições para os dias seguintes, que ocorrerão na quarta e quinta-feira.

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