I. Porto, memória viva do comércio e cenário estratégico
O Porto não é apenas um porto. É uma história viva onde pedra, água e história se entrelaçam com a arquitetura do comércio global. De suas docas partiram navios que moldaram novas geografias e trouxeram de volta não apenas mercadorias, mas também sistemas regulatórios que moldaram a governança aduaneira.
Neste espaço cheio de história —a antiga alfândega do rio, hoje Centro de Congressos da Alfândega do Porto— será realizada, 3 al 5 de septiembre de 2025, a XVII Encontro Mundial sobre Direito AduaneiroNão será apenas mais um encontro cerimonial: num momento marcado pela Fragmentação geopolítica, avanço de medidas unilaterais e erosão do multilateralismo, este fórum regressa a solo português, depois de Lisboa 2009, com uma missão explícita:
“Controle Aduaneiro na Era da Sustentabilidade, Digitalização e Segurança em um Cenário de Guerra Comercial”.
Portugal, pioneiro na abertura de rotas marítimas e na consolidação de costumes lusófonos, volta a servir de ponto de encontro para uma comunidade que precisa repensar seus fundamentos em tempos de incerteza.
II. Eixos temáticos: um mapa para os costumes do século XXI
O programa do evento não é um itinerário formal: é uma avaliação coletiva dos desafios e oportunidades que as alfândegas enfrentam no cenário global.
1. Sustentabilidade e comércio verde
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- Novos requisitos ambientais na fronteira (como o Mecanismo Europeu de Ajustamento de Carbono nas Fronteiras – CBAM).
- Implementação de Acordos Ambientais Multilaterais (AAMs).
- Rastreabilidade ecológica como requisito para acesso a mercados estratégicos
2.Transformação digital e tecnologias emergentes
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- Uso de inteligência artificial para classificação tarifária, verificação de origem e valoração aduaneira.
- Blockchain e sistemas interoperáveis para rastreabilidade e controle.
- Digitalização integral do escritório como vetor de eficiência e transparência.
3.Segurança da cadeia logística
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- Redefinição do Operador Económico Autorizado (OEA) em direção ao modelo “Trust and Check Traders”.
- Fortalecimento dos sistemas de gestão de riscos e prevenção de crimes.
- Integração da biossegurança e da proteção da saúde pública na agenda aduaneira.
4.Geopolítica e guerras comerciais
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- Aumento de tarifas, medidas antidumping e sanções econômicas como instrumentos de pressão.
- Reconfiguração de cadeias de suprimentos e realocação industrial.
- Tensões regulatórias entre blocos econômicos.
5.Formação profissional e cooperação técnica
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- Padrões internacionais de treinamento aduaneiro.
- Diplomas e programas de treinamento com alcance regional e global.
- Adaptação de recursos humanos a um ambiente regulatório e tecnológico em constante mudança.
III. Um elenco diversificado e de alto nível
Entre as vozes que marcarão o ritmo desta reunião estão:
- Autoridades aduaneiras: Helena Borges (Portugal), Fabiano Coelho (Brasil), María Ángeles Marín Ramírez (Espanha), Soraya Valdivieso (Panamá).
- Organizações multilaterais e o setor privado: Aik Hoe Lim (OMC), Valérie Picard (ICC), Lars Karlsson (Maersk), Florencia Sarmiento (IISD), Axel Marx (Universidade de Leuven), Anna Jerzewska (Comércio e Fronteiras).
- Liderança acadêmica e profissional: Hans-Michael Wolffgang (Universidade de Münster), Manuel Fontaine (Universidade Católica Portuguesa), Fernando Pieri Leonardo (ABEAD), Karolyn Salcedo (OMA), Alejandro Arola (Fundação Aduaneira).
- Ligação intercontinentalAlejandro Ramos Gil, ex-presidente da ASAPRA, CAAAREM e IIFA, articulando perspectivas das Américas e da Europa.
IV. Presença estratégica de organizações nacionais e internacionais
La ASAPRA —que reúne mais de 60.000 mil despachantes aduaneiros em três continentes— será representada institucionalmente por seu presidente Nelson Brens e pelo Dr. Henry Thompson Arguello, cofundador do ICLA.
Ao lado dela, o Confédération Internationale des Agents en Douane (CONFIAD) Contribuirá com sua rede intercontinental, fortalecendo a articulação de interesses comuns e a cooperação técnica entre regiões.
Do Brasil, a delegação será chefiada por SINDASP, presidido por Elson Isayama, também diretor do Feaduaneiros do Brasil. A Feaduaneiros contará também com a presença do seu presidente, José Carlos Raposo Barbosa, que fornecerá uma visão estratégica sobre a integração regional e a defesa dos interesses profissionais em um contexto de crescente complexidade regulatória. Esta conjunção de lideranças —ASAPRA, Confédération Internationale des Agents en Douane (CONFIAD), SINDASP, Feaduaneiros e representantes da classe jurídica aduaneira — garante que a voz da comunidade lusófona não esteja apenas presente, mas ativamente envolvida em decisões e debates de alcance global.
V. Além do evento: a fronteira como espaço de inovação
Na lógica tradicional, a fronteira era o limite. Na visão projetada do Porto, a fronteira torna-se um espaço para inovação, cooperação e legalidade, onde tecnologia, sustentabilidade e segurança convergem.
Portugal, que em outros séculos abriu rotas para o desconhecido, é novamente o ponto de partida. Desta vez, não para conquistar mercados à vela e ao astrolábio, mas para construir uma Comércio internacional com regras legítimas, atores preparados e sistemas inclusivos, capaz de enfrentar a turbulência de um mundo em mudança.
Despachante Aduaneiro, Graduado em Economia e Mestre em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Cofundador da EBIMEX Comércio Exterior e Diretor do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo (SINDASP), Brasil. Atua como Assessor de Marketing e Comunicação Institucional na Associação Internacional de Despachantes Aduaneiros Profissionais (ASAPRA) e é membro da Câmara Brasileira de Produtos Farmacêuticos (CBFARMA) da CNC. Possui certificações em Inteligência Artificial pela OEA (Organização dos Estados Americanos) e em Marketing e Comunicação pelo International Business Management Institute (IBMI), Alemanha.









