Os chanceleres do Mercosul e da União Europeia (UE) voltarão a discutir um possível acordo comercial entre os blocos em Buenos Aires, no âmbito da reunião ministerial que a Organização Mundial do Comércio realizará naquela cidade.
O chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, destacou a reunião para aproximar as posições do Mercosul e da UE que acontecerá no próximo domingo, mas indicou que se a oferta europeia para a entrada de carne não estiver bem representada nas negociações "será difícil fecharmos [o acordo] o mais rápido possível", publicou a Presidência em nota divulgada em 5 de dezembro.
El Acordo seria adiado até que houvesse uma melhoria no fornecimento europeu de carne e etanol, que "foi muito ruim", disse o ministro.
Vários países, tanto do bloco sul-americano quanto da UE, discutiram publicamente neste ano a possibilidade de assinar o acordo antes do final de 2017.
A última reunião das equipes de negociação foi em outubro, em Brasília, onde a UE propôs uma cota máxima de importação de 70.000 toneladas de carne por ano, sem tarifas.
Os países do Mercosul que negociam o acordo são Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, enquanto a Venezuela, que está suspensa do bloco, não havia aderido anteriormente a essas negociações com a UE.
Os quatro países sul-americanos, que haviam solicitado uma cota de 350.000 toneladas de carne por ano, esperavam que os negociadores europeus oferecessem pelo menos 78.000 toneladas, mas isso não aconteceu.
Se ao Canadá (aos europeus) fosse oferecida uma cota livre de tarifas de 50.000 toneladas de carne e ao Mercosul, que é um dos maiores mercados de carne do mundo, fosse oferecida 70.000 toneladas, "o desequilíbrio é óbvio e insatisfatório para nós", disse Nin Novoa.
Quanto ao etanol, a UE ofereceu ao Mercosul a entrada de 600.000 mil toneladas por ano.
Equipes técnicas de ambos os blocos estão reunidas em Bruxelas desde segunda-feira para avançar nas discussões.
Esta instância visa “aproximar posições nesta fase final do acordo”"disse o Secretário de Relações Econômicas Internacionais da Chancelaria Argentina, Horácio Reyser, em sua conta no Twitter.
As negociações entre os dois blocos já duram 20 anos e foram marcadas pela relutância de alguns países europeus em permitir a entrada de produtos latino-americanos.
As negociações foram interrompidas em 2004 e só retomadas seis anos depois.
Dez rodadas de negociações foram realizadas desde então, até que as negociações foram congeladas novamente em 10.
Em 11 de maio de 2016, os dois blocos trocaram ofertas pela primeira vez desde 2010 e realizaram uma rodada de negociações em outubro do ano passado.
Uma rodada foi realizada em Bruxelas entre 3 e 7 de julho deste ano, e a última foi realizada em Brasília, no início de outubro.
Os 28 países que compõem a UE têm uma população de mais de 500 milhões de pessoas, enquanto o Brasil é o país mais populoso do Mercosul, com mais de 200 milhões de habitantes, seguido pela Argentina, com 44 milhões, Paraguai, com sete milhões, e Uruguai, com 3,3 milhões.
Estamos no XXXI Comité de Negociações Bilaterais com a União Europeia em#Bruxelas. Buscamos aproximar posições nesta etapa final do acordo. #Mercosul_UE foto.twitter.com/YGsVVKx4vi
— Horacio Reyser (@HoracioReyser) Dezembro 4 2017
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