O Brasil, com mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, é conhecido como o “país continente” devido à grande extensão de seu território e à magnitude de suas distâncias internas, tanto no sentido norte-sul quanto leste-oeste.
A isso se soma um extenso litoral no Oceano Atlântico e uma ampla rede de fronteiras terrestres que a ligam a praticamente todos os países da América do Sul, com exceção do Chile e do Equador, o que a posiciona como um ator central na dinâmica da integração regional.
Neste contexto, estes dados não são meramente geográficos: refletem a escala e a complexidade dos fluxos de comércio externo na região, onde a conectividade logística e a coordenação regional adquirem relevância estratégica para a competitividade e a facilitação do comércio.
Esta declaração foi feita pelo Coordenador Executivo da PROCOMEX, John Edwin Mein, durante a abertura de um evento virtual, no qual foi destacado que a iniciativa surgiu como uma aliança impulsionada por associações empresariais, com a visão de que "os países podem ser mais competitivos se tiverem processos aduaneiros e logísticos mais ágeis, homogêneos e confiáveis".
Nesse contexto, o Instituto PROCOMEX — criado em 2005 — foi apresentado como o braço operacional dessa aliança, com a missão de promover a construção de capital social e a articulação entre os setores público e privado para fortalecer a facilitação do comércio.
Por sua vez, os representantes do Banco Mundial destacaram o papel estratégico da gestão coordenada das fronteiras como um dos pilares fundamentais para melhorar a competitividade, reduzir os custos logísticos e acelerar o fluxo do comércio internacional.
Ernani Checcucci, Especialista Sênior em Facilitação do Comércio do Grupo Banco Mundial, observou que as fronteiras devem ser entendidas como “infraestruturas sociotécnicas complexas, onde convergem os serviços de logística e os controles soberanos do Estado”.
No caso das fronteiras terrestres, ele enfatizou que o desempenho delas depende de ambos os lados da travessia, tornando a coordenação binacional crucial, e alertou que "o desempenho de uma fronteira está diretamente ligado ao elo mais lento do sistema", com impacto direto no comércio, na logística e nos fluxos de pessoas.
Checcucci também enfatizou que a coordenação eficiente dos controles de mercadorias e passageiros é amparada pelo Artigo 8º do Acordo de Facilitação do Comércio da OMC, que se refere à cooperação entre as agências que operam nas fronteiras. Isso é ainda reforçado por instrumentos promovidos pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA) e por estudos internacionais que visam fortalecer a interoperabilidade e a coordenação operacional entre as agências.
A este respeito, salientou que a gestão coordenada das fronteiras é uma das principais ferramentas para enfrentar um dos maiores obstáculos à competitividade: a ineficiência nas passagens fronteiriças. Explicou que esses atrasos geram milhões em custos logísticos adicionais, além de afetarem a segurança e o bem-estar das pessoas.
Modelos de gestão de fronteiras
Durante a exposição, dois importantes modelos internacionais se destacaram.
Por um lado, o gestão coordenada Sem fronteiras, predominante em nível global, baseada na cooperação entre agências, troca de informações e interoperabilidade de processos.
Por outro lado, o modelo de gestão Integrada, aplicado em um pequeno número de países com forte foco em segurança, onde uma única agência concentra todos os controles de fronteira.
Em nível internacional, também foi destacada a crescente tendência em direção a esquemas de coordenação interinstitucional, acordos operacionais e integração de sistemas.
Casos de implementação internacional
A apresentação incluiu exemplos concretos de diferentes níveis de maturidade na gestão coordenada de fronteiras.
En Guatemala-Honduras Destacou-se a implementação de uma declaração única de comércio exterior (FYDUCA), em que o operador realiza um único registo que funciona simultaneamente como exportação e importação, reduzindo significativamente os tempos de trânsito.
No países nórdicosParticularmente entre a Noruega e a Suécia, foi mencionado um alto grau de integração institucional, com cooperação interinstitucional avançada e até mesmo esquemas em que as autoridades de um país operam dentro dos sistemas do país vizinho.
O caso de Estados Unidos, Canadá e Méxicoonde foram desenvolvidos programas de comércio seguro e operadores confiáveis, com faixas diferenciadas e mecanismos de reconhecimento mútuo para operadores de baixo risco.
En África AustralO modelo de coordenação binacional aplicado entre o Lesoto e a África do Sul possibilitou reduzir o tempo de travessia de aproximadamente seis horas para menos de vinte minutos.
Esses casos refletem diferentes níveis de evolução, desde esquemas iniciais de interoperabilidade até modelos altamente integrados de operação de fronteiras.
Digitalização, dados e gestão de riscos
Outro foco central foi o uso de ferramentas digitais como facilitadoras do comércio.
Foi destacada a necessidade de avançar em direção a modelos de dados comuns entre as agências, à antecipação de informações e à análise coordenada de riscos.
Nesse esquema, o controle de fronteiras é redefinido: a avaliação de risco é realizada antes da chegada das mercadorias ou do veículo, permitindo que apenas decisões específicas de verificação ou liberação sejam tomadas na fronteira.
Em alguns países, observou-se que “mais de 90% da carga pode ser liberada sem inspeção física”, o que transforma estruturalmente o funcionamento operacional das fronteiras.
Rumo ao XII Seminário Internacional da OEA
Este debate ocorre na preparação para o XII Seminário Internacional da OEA, que será realizada nos dias 27 e 28 de maio no BrasilOrganizado pela Instituto PROCOMEX e o Serviço Federal de Receita.
A edição de 2026, sob o lema “Conexões para logística internacional segura, eficiente e em conformidade com as normas.O projeto terá como foco a interoperabilidade, a digitalização, a gestão de riscos e a competitividade logística regional.
Para tanto, o encontro reunirá representantes do setor privado e das principais instituições responsáveis pela logística e governança aduaneira no Brasil e na região, incluindo a Receita Federal (RFB), a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), além do Banco Mundial, do BID e da Organização dos Estados Americanos (OEA), juntamente com outros órgãos reguladores e entidades ligadas à infraestrutura de comércio exterior e logística.
Os principais temas incluem a integração público-privada, a modernização de processos, o fortalecimento dos programas OEA (Operador Econômico Autorizado) e a cooperação interinstitucional, no âmbito de um seminário que, desde 2014, se tornou um fórum de referência para discutir e promover a evolução do comércio exterior e da eficiência logística regional, em um contexto em que a gestão coordenada de fronteiras se tornou um componente central para o Brasil e seus parceiros comerciais, incluindo a Argentina.
Evento da OEA 2026https://eventiza.com.br/evento/evento-oea-2026
O Aduana News é o primeiro jornal aduaneiro argentino a lançar sua versão digital. Com 20 anos de experiência, suas publicações e iniciativas visam facilitar o conhecimento mais relevante sobre questões aduaneiras, a fim de contribuir para o comércio seguro na região.








