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Entrevista com o Juiz Dr. Julio Cruciani: A cadeira da Alfândega é uma cadeira elétrica

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Aduana News: Qual é a sua opinião sobre o estado atual do comércio exterior e as ações da Alfândega?

Resposta: As alfândegas não podem ser exceção a esta situação de desierarquização das instituições da República. Se os poderes Judiciário e Legislativo não são hierárquicos, por que um órgão do Poder Executivo como a Alfândega não o seria?

Estamos em um estado de declínio em todos os sentidos, tanto humano quanto institucional. Chegamos a uma situação inexplicável, porque temos um território que é uma exceção e uma bênção de Deus, povoado por uma gente de primeira qualidade, descendentes de italianos, franceses, ingleses, judeus e galegos que fizeram um grande país. Não há explicação para que, depois dos sucessos do início do século, com o Teatro Colón, água encanada para tudo, estacionamento subterrâneo e prêmios Nobel, tenhamos chegado a esta situação. Os costumes não podem ser exceção, mesmo que sua tradição tenha sido altamente questionada desde o início. Tenho um artigo publicado há alguns anos intitulado "Contrabando: um crime patriótico", porque o contrabando foi a origem da Revolução de Maio e da Revolução Americana. Fui questionado, mas é verdade. A questão dos costumes sempre será difícil, porque os crimes são modernos, artificiais. Quem estabeleceu os limites? Eles são uma invenção do homem. E o crime de contrabando é uma invenção do homem. Com essa famosa globalização, a tendência é o desaparecimento das fronteiras.

Aduana News: Ou seja, o crime de contrabando desapareceria…

Resposta: Claro, veja bem, o mesmo que a penalidade fiscal. Por outro lado, há crimes que são tradicionais, bíblicos, como matar ou roubar. Eles são fáceis de entender. Os problemas vêm do que é inventado pelo homem.

Notícias Aduaneiras: A atual situação econômica favorece o contrabando?

Quero te dizer uma coisa: o contrabando quase desapareceu porque nem os contrabandistas conseguem vender. Essa é a situação do país. Não há negócios. Mesmo que tragam do exterior a preço de custo, quem comprará se as pessoas não tiverem dinheiro? É incrível, mas é assim mesmo.

Você acha que a fusão da DGI e da DGA na AFIP é positiva?

Nem positivo nem negativo, pois tem uma falha na fonte. Repito que está dentro das disposições gerais da lei. A burocracia, a improvisação e a sobreposição de leis e regulamentos continuam. O que também acontece é que os próprios consumidores e os funcionários da DGI e da Alfândega são vítimas disso. Sempre se diz que a Alfândega é o berço do crime, mas há inúmeros agentes aduaneiros que estão muito corretos, a maioria diria, assim como os funcionários da DGI. Obviamente, o fio é cortado no seu ponto mais fino e, geralmente, quando há alguma irregularidade, o que ocorre, quem sofre as consequências são os funcionários de escalão inferior. A raiz do problema está há muito tempo no emaranhado legislativo deste país, o que significa que não temos uma ordem jurídica, mas sim o oposto. Há uma desordem jurídica total.

O problema está no sistema…

Sim, sim, o problema é o sistema, porque ele desmoraliza as pessoas certas, acaba derrotando-as e dá oportunidade aos injustos e aos sem-vergonha. Proteja o canalha. O método de recompensa e punição não funciona. Pelo contrário, funciona ao contrário: o canalha é recompensado e o normal é punido.

O ressurgimento da Polícia Aduaneira representa uma melhoria no sistema de controlo?

É positivo porque é específico. Ele aborda tópicos muito específicos e altamente técnicos. Qualquer pessoa que entenda alguma coisa sobre direito tributário não tem noção do sistema aduaneiro. São coisas diferentes, embora pareçam a mesma coisa. É como supor que os médicos são todos iguais. Embora todos sejam médicos, um é alergista e o outro cardiologista. O alergista não sabe nada sobre o coração e, mesmo assim, é médico.

Seguindo as últimas medidas do Ministro Cavallo, Albrisi disse que levar mais dinheiro do que o permitido (US$ 1000) para fora do país pode ser considerado contrabando.

Não, não é contrabando. Não tenho nenhuma notificação. Deve haver uma lei que defina o crime, o que obviamente não existe. Entendo que no decreto isso seria incluído como infração.

Você ainda afirma que a cadeira da Alfândega é uma cadeira elétrica?

Claro. Quase todos os administradores aduaneiros acabaram processados ​​e presos. Tive vários na minha corte. Eu tinha Brown, Parino, Delconte e outros. Todos eles são frequentadores regulares dos Tribunais. Sim, a cadeira da Alfândega é uma cadeira elétrica. E dos juízes também.

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