O ambiente: uma dimensão essencial para a vida, o bem-estar e o desenvolvimento
La A Terra nos fornece recursos naturais básicos para viver (ar, água, alimentos, etc.) e para prosperar (energia, minerais, medicamentos, etc.). Nosso bem-estar depende dos ecossistemas e dos serviços que eles fornecem, bem como de seu uso sustentável.
Sustentabilidade: um objetivo irreversível
Em 1987, a expressão “Desenvolvimento sustentável” foi utilizada pela primeira vez no relatório “Nosso Futuro Comum”, elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU), para expressar a ideia de “satisfazer as necessidades atuais sem comprometer as necessidades futuras”. .
Para atingir isso, três componentes principais do nosso bem-estar devem ser levados em consideração: meio ambiente, economia e sociedade. Em 1992, a ideia foi incorporada à Declaração sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da Cúpula do Rio de Janeiro. A partir daí, a sociedade, em nível global, estabeleceu os conceitos de “desenvolvimento sustentável” e “sustentabilidade”.
Governos nacionais e locais, em conjunto com associações ambientais, desenvolvem campanhas de conscientização para sua concretização. Hoje, continuamos avançando com um horizonte ambiental sustentável.
Um ambiente saudável, seja em ambiente natural ou artificial, é essencial para a vida e o desenvolvimento das comunidades; Portanto, todas as condições do ambiente imediato que nos cerca - ambientais, sociais e econômicas - são fundamentais em nossas vidas, pois delas dependem nosso bem-estar e prosperidade comum. Por sua vez, as condições ambientais do nosso entorno imediato influenciam outras partes do mundo e vice-versa.
No preâmbulo da Agenda 2030, os líderes das nações decidem proteger o planeta da degradação, inclusive por meio do consumo e da produção sustentáveis, da gestão equilibrada dos seus recursos naturais e da tomada de medidas urgentes sobre as alterações climáticas, para que este possa responder às necessidades do mundo. necessidades das gerações presentes e futuras.
Após a adoção, em setembro de 2015, da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), as administrações aduaneiras responderam comprometendo-se a trabalhar para tornar o Desenvolvimento Sustentável uma força eficaz para todos os cidadãos do mundo.
Em 2020, o Secretariado da OMA escolheu a sustentabilidade como tema, com o lema “Costumes para a sustentabilidade das pessoas, da prosperidade e do planeta”. O Sr. Mikuriya anunciou a decisão enfatizando que “esta questão é mais atual do que nunca” e que 2019 foi “o ano em que as questões de sustentabilidade e mudanças climáticas dominaram o debate público”. Declarações que ainda são relevantes hoje.
O surgimento do termo “Costumes Verdes”
Nos últimos anos, o termo “Costumes Verdes” tornou-se uma espécie de palavra da moda nos discursos de líderes de organizações e governos. No entanto, com o aumento dessa popularidade, também vem a disseminação de ideias superficiais e mal compreendidas sobre o que realmente significa implementar Alfândegas Verdes no contexto do comércio internacional. Como alguém que já abordou essa questão antes, sinto que é hora de adotar o “Smooth Path Primer” – um guia prático e direto – para esclarecer o que realmente está em jogo.
O objetivo deste artigo
Este artigo visa não apenas desmistificar o conceito de Alfândega Verde, mas também abordar em profundidade o papel essencial das alfândegas, do setor privado e das organizações internacionais envolvidas. Além disso, criticarei a tendência crescente de tratar o termo como uma moda passageira, sem um compromisso real com a sustentabilidade e as ações necessárias para transformar a teoria em prática.
O que são Alfândegas Verdes?
Alfândega Verde representa um conjunto de práticas e políticas alfandegárias projetadas para promover a sustentabilidade no comércio internacional. Na prática, isso significa que as alfândegas, tradicionalmente focadas em funções como cobrança e execução de impostos, estão começando a incorporar considerações ambientais em suas operações diárias.
As organizações envolvidas
A implementação da Alfândega Verde não é algo que pode ser feito de forma isolada. Requer a coordenação e o comprometimento de diversas organizações internacionais, governos nacionais e, fundamentalmente, do setor privado. Abaixo estão algumas das principais entidades envolvidas:
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- Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA): O PNUMA é um dos principais defensores da integração de práticas sustentáveis nas operações alfandegárias. Em 2021, lançou o “Green Customs Guidance for Multilateral Environmental Agreements”, um documento que fornece diretrizes práticas para que as alfândegas se adaptem aos desafios ambientais contemporâneos. Além disso, o PNUMA coordena esforços globais para proteger o meio ambiente por meio de acordos multilaterais.
- Organização Mundial das Alfândegas (OMA): A OMA desempenha um papel fundamental na padronização de práticas alfandegárias em todo o mundo. Fornece orientação sobre como a Alfândega pode implementar AMEs de forma eficaz, garantindo que as regulamentações ambientais sejam respeitadas no comércio internacional. A OMA também trabalha em estreita colaboração com governos para promover o treinamento de profissionais alfandegários em questões relacionadas à sustentabilidade.
- INTERPOL: A INTERPOL, conhecida por suas operações contra o crime organizado, também desempenha um papel importante na Alfândega Verde. A organização trabalha para prevenir e combater o comércio ilegal de produtos que ameaçam o meio ambiente, como resíduos perigosos, substâncias que afetam a camada de ozônio e espécies ameaçadas de extinção.
- Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC): O UNODC apoia as alfândegas no combate ao tráfico de substâncias e produtos que causam danos ambientais. A organização promove a cooperação internacional e fornece assistência técnica para fortalecer a aplicação das leis ambientais.
O papel das alfândegas no contexto das Alfândegas Verdes
As alfândegas têm um papel central na implementação das Alfândegas Verdes. Tradicionalmente, as alfândegas se concentram em aspectos fiscais e de segurança, como arrecadação de impostos, proteção contra o contrabando e facilitação do comércio legítimo. No entanto, à medida que a conscientização ambiental aumenta, as alfândegas estão expandindo seu controle para incluir responsabilidades ambientais.
Valoração aduaneira: um novo paradigma
Um dos principais desafios na implementação da Alfândega Verde é a valoração aduaneira com foco na sustentabilidade. Tradicionalmente, a avaliação aduaneira se concentra na determinação do valor econômico de um bem para fins fiscais. Entretanto, no paradigma das Alfândegas Verdes, essa prática precisa ser expandida para incluir a avaliação do impacto ambiental dos produtos.
Regras cumulativas de origem: sustentabilidade e transparência
Outro aspecto crucial da Alfândega Verde é a regulamentação de regras cumulativas de origem. Essas regras determinam a origem dos produtos para fins de tratamento tarifário preferencial, considerando insumos de diferentes países. Da perspectiva da Alfândega Verde, a transparência e a sustentabilidade em toda a cadeia produtiva tornam-se essenciais.
O papel do setor privado
O setor privado também tem um papel fundamental na implementação da Alfândega Verde. Empresas de todos os tamanhos são incentivadas – e em alguns casos obrigadas – a adotar práticas sustentáveis em suas operações e garantir que seus produtos estejam em conformidade com as regulamentações ambientais internacionais.
Crítica à moda da Alfândega Verde
Este não é o primeiro artigo que escrevo sobre este tópico, mas com tantas opiniões desinformadas circulando, sinto que é necessário voltar ao básico, ao “Smooth Road Primer”. Embora o conceito de Alfândega Verde seja essencial e necessário, há críticas crescentes de que o termo está se tornando uma moda passageira na boca de líderes de organizações e empresas, mais interessados em exibir uma virtude do que em implementar mudanças reais.
O perigo do greenwashing na Alfândega Verde
Um dos maiores perigos que surgem quando o termo “Costumes Verdes” se torna uma moda passageira é o greenwashing: a prática de empresas ou organizações adotarem um discurso verde para parecerem mais sustentáveis do que realmente são. Esse fenômeno não só prejudica a credibilidade das empresas envolvidas, mas também enfraquece todo o movimento em direção a um comércio internacional mais sustentável.
A necessidade de ações concretas
Para que os Costumes Verdes sejam mais do que uma moda passageira ou um termo vazio, é essencial que sejam acompanhados de ações concretas. Isso significa que as alfândegas devem estar verdadeiramente equipadas para implementar práticas sustentáveis, apoiadas por infraestrutura adequada, treinamento contínuo e adoção de tecnologias que permitam uma fiscalização ambiental eficaz.

O papel da educação e da formação
Um dos principais pilares para o sucesso da Green Customs é a educação e a formação dos profissionais envolvidos. Sem uma compreensão clara e completa do que significa operar de acordo com os padrões da Alfândega Verde, será difícil para as alfândegas e empresas implementarem essas práticas de forma eficaz.
Colaboração internacional: um esforço coletivo
A Alfândega Verde não pode ser implementada isoladamente. Elas exigem colaboração internacional e um esforço coletivo de todos os atores envolvidos no comércio global. As fronteiras nacionais não impedem os problemas ambientais e, portanto, as soluções também devem ser transnacionais.
O caminho a seguir: transformar a moda em revolução
Não basta falar de Alfândegas Verdes; é necessária uma ação. E essa ação deve ser orientada por uma compreensão clara dos desafios e oportunidades envolvidos. Isso exige comprometimento contínuo e disposição para enfrentar as difíceis realidades que surgem na intersecção do comércio internacional e da sustentabilidade.
Em conclusão: verdadeiro compromisso com a sustentabilidade
A Alfândega Verde tem o potencial de transformar o comércio internacional, promovendo práticas mais sustentáveis e protegendo o meio ambiente. Mas, para que isso aconteça, é preciso um comprometimento real, muito além de modismos e discursos vazios. É essencial que os líderes das organizações, tanto do setor público quanto do privado, entendam a complexidade e a seriedade do conceito de Alfândega Verde e estejam dispostos a implementar as mudanças necessárias para transformar essa visão em realidade.
Despachante Aduaneiro, Graduado em Economia e Mestre em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Cofundador da EBIMEX Comércio Exterior e Diretor do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo (SINDASP), Brasil. Atua como Assessor de Marketing e Comunicação Institucional na Associação Internacional de Despachantes Aduaneiros Profissionais (ASAPRA) e é membro da Câmara Brasileira de Produtos Farmacêuticos (CBFARMA) da CNC. Possui certificações em Inteligência Artificial pela OEA (Organização dos Estados Americanos) e em Marketing e Comunicação pelo International Business Management Institute (IBMI), Alemanha.
Doutor em Direito pela Universidade Centro-Americana (UCA), Nicarágua. Membro fundador da Academia Internacional de Direito Aduaneiro de Barcelona (ICLA), Espanha, e da Associação Centro-Americana de Juristas de Integração. Atualmente, ele atua como consultor jurídico da Associação Internacional de Agentes Aduaneiros Profissionais (ASAPRA). Possui certificações em Incoterms 2020 pela ICC e nas 40 Recomendações do GAFI pelo GAFILAT, com especialização em Direito Aduaneiro e Tributário.










