InícioComércioAcordo MERCOSUL-UNIÃO EUROPEIA: bilateralismo como caminho a seguir?

Acordo MERCOSUL-UNIÃO EUROPEIA: bilateralismo como caminho a seguir?

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O ponto de partida foi definido em 1995, com alguns anos de interrupção, mas com data certa (junho de 2019) quando foi concluída a etapa de negociação do Acordo Estratégico envolvendo o MERCOSUL e a União Europeia (UE). Os árduos anos de trabalho são fruto das assimetrias do desenvolvimento econômico e dos interesses comerciais conflitantes, que selaram a possibilidade de implementação bilateral do Acordo para cada parceiro do MERCOSUL que o ratificar, após sua aprovação pela UE.

Menos de um ano se passou enquanto os textos negociados estavam sendo revisados ​​quando uma das maiores crises econômicas globais foi desencadeada pela pandemia da COVID-19. A essa situação complexa e delicada se somou a guerra entre Rússia e Ucrânia, deixando o mundo em estado de choque e com uma tradução clara sem fronteiras linguísticas: fraqueza no comércio mundial e na atividade econômica global.

Nesta conjuntura adversa, que desafia o mundo inteiro, é imperativo repensar aquele acordo negociado há muito tempo - há menos de 3 anos - à luz da realidade que hoje se impõe. Ou seja, embora essa disposição para negociar deva apoiar certas diretrizes que, se ausentes, distorceriam o propósito original do Acordo, novos estudos de impacto são necessários — regionais e nacionais — com foco nos setores-chave que devem ser promovidos.

Se o contexto geral for acrescentado à Decisão particular da União Europeia-Bruxelas —conhecido como “Acordo Verde Europeu”—, que visa transformar a UE numa economia moderna –eficiente no uso de recursos e competitivo para responder aos desafios climáticos e ambientais; É evidente que este Acordo necessita de uma Reconfiguraçao, que por sinal não será visível no curto prazo. Portanto, é essencial explorar caminhos alternativos.

Um primeiro passo é observar o roteiro traçado na Terceira Reunião de Chanceleres da CELAC e da UE, entre o Chanceler argentino, Santiago Cafiero, e o Alto Representante para Relações Exteriores e Política de Segurança da União Europeia, Josep Borrell Fontelles, em outubro passado, onde, ao se referirem à agenda de cooperação bilateral entre Argentina e UE, expressaram seu desejo de aprofundar os laços, enfatizando o papel estratégico que a produção energética e de alimentos desempenha nessa relação reconfigurada de acordo com as necessidades atuais e futuras no curto e médio prazo.

Sem dúvida, a primeira conclusão é que as demandas da UE poderiam — e deveriam — ser atendidas pela Argentina, se certos fatores fossem atendidos. Assim vem se desenvolvendo e foi anunciado pelos representantes acima citados, ao traçarem os eixos que culminariam com a iminente assinatura de um "Memorando de entendimento"O objetivo desta iniciativa seria facilitar a chegada de investimentos à Argentina com vistas a fortalecer a infraestrutura necessária para melhorar e industrializar as cadeias de valor dos produtos que nosso país poderia exportar e que eles necessitam - alimentos e energia, principalmente." Para isso, e não menos necessário, é fundamental estabelecer regras claras para a entrada e saída de capitais relacionados a esses investimentos concretos e reais, que garantam emprego, avanços científicos e tecnológicos; e moedas. Mas todo esse aparato de políticas públicas não pode carecer do equilíbrio necessário para implementar um plano dessa magnitude, como evitar desabastecimento interno ou escalada de preços relacionada à demanda global.

Com base na análise de políticas ambientais específicas, a UE – e todos os seus Estados-Membros – e a Argentina assinaram e ratificaram devidamente o Acordo de Paris, demonstrando assim seu comprometimento com a implementação e execução dos compromissos assumidos. Da parte da UE, seus países-membros concordaram em se tornar a primeira economia e sociedade neutra em termos de clima até 2050, estabelecendo sua estratégia de redução das emissões de gases de efeito estufa em 55% até 2030, em comparação aos níveis de 1990. Em relação à luta global contra as mudanças climáticas, a Argentina em sua Contribuição Nacionalmente Determinada compromissos e eixos de trabalho estabelecidos, coincidentes com os princípios da UE, relativos à redução das emissões de gases com efeito de estufa até 2030, transição de energia que promova a eficiência e a migração para uma matriz energética limpa, transição produtiva relativas à promoção de cadeias de valor nacionais ligadas ao planeamento produtivo e à inovação com enfoque na gestão dos riscos climáticos e fundamentalmente na mobilidade sustentável que tende a adaptar a infraestrutura e o transporte ao uso eficiente da energia elétrica e substituir progressivamente os combustíveis fósseis.

Nesse contexto, a Argentina tem um papel de liderança e seu compromisso com as questões ambientais demonstra concretamente a intenção do país de ocupar novos espaços de discussão com ações claras e compromisso com a integração. A situação econômica do país, diante de um panorama de novos investimentos e abertura de mercados, pode trazer alívio no que se refere ao objetivo de superávit comercial, com os benefícios que isso acarreta para todo o comércio e indústria nacional.

A agenda está aberta, a Argentina exercerá a Presidência Pro Tempore do MERCOSUL no primeiro semestre de 2023, a situação individual dos países membros merece ser buscada. As bases lançadas estão operacionais para retomar as negociações e estabelecer novos objetivos condizentes com as demandas atuais que permitam aos membros do MERCOSUL se colocarem em posição ofensiva, buscando transformar barreiras em pontes.


11.12.2019 COM (2019) 640.

https://www.argentina.gob.ar/ambiente/cambio-climatico/contribucion-nacional#:~:text=Las%20Contribuciones%20Determinadas%20a%20Nivel,cambio%20clim%C3%A1tico%2C%20ya%20sea%20para

Advogado pela Universidade de Buenos Aires (UBA). Especialização em Advocacia de Estado - Procurador-Geral da República. Gerente de Normas e Instruções Comerciais da Comissão Nacional de Comércio Exterior (CNCE), órgão descentralizado do Ministério da Economia. Professor do Bacharelado em Comércio Internacional, do Diploma em Direito Aduaneiro e da Pós-Graduação em Especialização em Negócios Globais na Universidade CAECE.

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