Luz Santos Bollea é uma empreendedora e PME cítrica em constante evolução que, aos 28 anos, assumiu o desafio de promover o limão no exterior após a doença de sua mãe, fundadora da Terri Citrus. Sua personalidade e atitude empreendedora fazem dela referência para o novo paradigma da mulher exportadora. Atualmente, vende seus produtos para mais de 15 países. Entrevistado por Notícias Aduaneiras, No II Encontro de Mulheres Exportadoras construindo Redes com o MERCOSUL, ela dirá em determinado momento da palestra que “uma exportação não se sustenta sem ter valores”.
Pergunta: Quando vocês começaram a exportar?
Resposta :Comecei a exportar em abril de 2017 com 25 contêineres. Era uma remessa pequena para ser feita passo a passo. Continuamos em 2018 com 54 contêineres e este ano pretendemos chegar a cem. Estamos sempre dobrando nossas exportações.
P: Por que você entrou no comércio exterior?
R: Nunca trabalhei com produção ou exportação de limão. Não entendi o que significava a palavra FOB, linha de navegação ou despachante. Mas a iniciativa de me dedicar ao comércio exterior começou quando minha mãe, Carmencita Bollea, fundadora da empresa PYME, adoeceu com câncer. Isso fez com que minha família se mudasse para Buenos Aires por um ano. Durante uma das minhas sessões de quimioterapia, perguntei à minha mãe o que ainda lhe restava fazer profissionalmente. Ele respondeu: “Gostaria que meus limões viajassem pelo mundo.” Então dissemos “vamos trabalhar”: algo que parecia impossível nas circunstâncias em que vivíamos. No entanto, conseguimos isso em seis meses. Depois de planejar e preencher a papelada necessária, reservamos um lugar na feira de frutas e vegetais de Berlim, para onde viajei com um dos meus irmãos. Lá conhecemos futuros clientes. Ao retornar da Alemanha, duas semanas depois, em abril de 2017, conseguimos exportar nossos dois primeiros contêineres para a Holanda e a Inglaterra. E naquele ano exportamos para cinco países. Mas a triste notícia chegou: nossa mãe, a fundadora, faleceu naquele mesmo ano. Essa situação nos ajudou a crescer, aprender e continuar rumo a esse sonho que era dela e agora é nosso.
P: O que você diria às mulheres para incentivá-las a exportar?
R: Pela minha experiência, posso dizer o seguinte às mulheres: eu tinha 28 anos, nunca tinha exportado, não tinha ideia de quantos quilos de limão cabiam em uma caixa, não sabia quais eram os tamanhos, só tinha trabalhado em outra área como auditora. Meu conselho é que usemos a força interior que nós mulheres temos. Não vamos nos subestimar. Devemos ser genuínos: não devemos tentar ser como os homens. Também sugiro viajar para conhecer pessoas, porque você pode realizar mais em vinte minutos de reunião do que em nove meses de e-mails. É muito importante ser transparente, ter valores e transmiti-los. Nas exportações, a confiança é a base e sem valores um relacionamento de longo prazo não pode ser sustentado.
P: As ferramentas governamentais ajudaram você a exportar?
R: Eles realmente me ajudaram muito, porque abriram mercados que não estavam abertos há vinte anos, como os Estados Unidos e também o Brasil. Além disso, hoje existem diferentes ferramentas para realizar uma exportação. Contei especialmente com o Instituto de Desenvolvimento Produtivo de Tucumán (IDEP) porque junto com eles pude ir pela primeira vez à feira de Berlim e ter um estande para realizar o sonho da minha mãe, que hoje é o nosso sonho, o legado dela.
P: Então, você realizou seu sonho?
R: Fui morar nos Estados Unidos por um ano: adorei morar fora. Ao retornar, estava novamente com minha família em Tucumán. Exportar me faz sentir realizado, fico feliz em falar inglês o dia todo, em estar em contato com o mundo, em desenvolver novos relacionamentos na Argentina e no exterior. Eu gostava disso desde criança. Lembro-me de minha mãe me mandando para uma escola na Itália com 12.000 crianças de todo o mundo e de todas as religiões. Essa experiência ficou gravada na minha cabeça e me fez pensar que tudo acontece por um motivo. O sonho da minha mãe me levou ao meu, pois hoje estou feliz com a exportação do que era dela.
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Mini biografia
* Luz Santos Bolea (31 anos)
* Bacharel em Administração de Empresas
* Casado desde dezembro de 2018
* Quatro irmãos
* Hobby: jogar futebol com seu time aos sábados
* Frase: “Quando você tem um sonho e o persegue com paixão, você pode alcançá-lo, sempre.”
Mini história de Terri Citrus
Os atuais produtores de frutas cítricas são a quarta geração de produtores da família Mata. Suas origens remontam a 4, com a criação da primeira fábrica industrial de limão em Tucumán, a citrícola San Miguel, hoje uma das principais exportadoras do mundo.
Em 1993, a família dividiu suas terras entre seus herdeiros. Foi assim que nasceu a Terri Citrus, liderada por sua fundadora e presidente Carmen Bollea Mata, que iniciou a empresa com uma fazenda de 90 hectares e conseguiu um crescimento exponencial. Atualmente possui mais de 900 hectares de plantações de limão.
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