O Programa de Operador Econômico Autorizado (OEA), fundamental para garantir a eficiência e a segurança do comércio global, foi o foco central de uma reunião virtual realizada em Terça-feira, 10 de fevereiro de 2026 organizado pelo renomado Consultoria Aduaneira da HLL no Brasil. Com base nas informações compartilhadas durante a reunião (*), juntamente com os comentários dos especialistas presentes.O programa OEA representa a colaboração entre as autoridades aduaneiras e as empresas, promovendo um ambiente de negócios transparente, confiável e resiliente.
Seu alcance transcende fronteiras: nas Américas e na região do Caribe, quase 19 países possuem atualmente programas da OEA, segundo a organização. Compêndio de Programas de Operador Econômico Autorizado Preparado pela Organização Mundial das Alfândegas.
No Brasil, O Programa da OEA está em funcionamento desde 2014.consolidando-se como uma ferramenta estratégica para o comércio exterior. Esse processo de fortalecimento institucional foi aprofundado com a promulgação do Lei Complementar 225, de 8 de janeiro de 2026, que estabelece o quadro legal do programa.
A importância do evento também se refletiu na participação de empresas de diferentes partes do país. Com seus oito milhões de quilômetros quadrados, o Brasil tem sido chamado de “país continental”, onde as distâncias e a heterogeneidade territorial geram contextos econômicos, culturais, logísticos e regulatórios muito diferentes dependendo da região: a industrialização predomina no sul; as atividades extrativas e agrícolas no norte; e no noroeste, embora compartilhe características com o norte, existem particularidades locais que impactam diretamente as operações comerciais.
Durante a abertura, o advogado Fabiano Pieri Ele destacou tanto a diversidade dos participantes quanto o progresso do programa OEA no Brasil: “Cerca de 48% das empresas presentes ainda não possuem a certificação OEA, enquanto 52% já a possuem, demonstrando os benefícios tangíveis do programa”. Ele acrescentou que “sua implementação exige o comprometimento e a colaboração de diversas áreas dentro de cada empresa, refletindo que o Programa OEA é um esforço coletivo que vai além de questões aduaneiras, tributárias ou financeiras”.

Quadro jurídico e benefícios do Programa da OEA
El Dr. Fernando Pieri Ele abordou o quadro jurídico e operacional do Programa da OEA, enfatizando seu alcance: “Estamos em funcionamento, apresentando o programa e compartilhando conhecimento sobre sua implementação e relevância”.
A este respeito, ele observou que a publicação do Lei Complementar 225/2026 Isso marca uma virada: o Programa de Operador Econômico Autorizado (OEA) não depende mais exclusivamente de regulamentações sublegais e agora está consolidado como uma política oficial do Estado. Este programa, um dos mais antigos da Receita Federal, está agora integrado, juntamente com a Confia e a Sintonia, ao ecossistema de conformidade do Tesouro Federal.
Para ilustrar sua relevância no estrutura legal E na administração aduaneira brasileira, o Dr. Pieri analisou o Evolução do Programa da OEA Desde 2014, ele tem destacado a Lei Complementar 225/2026, que proporciona segurança jurídica e apoio institucional. Ele observou que o programa fortalece a segurança nas operações de importação e exportação, concede reconhecimento internacional ao certificado de Operador Econômico Autorizado (OEA) e promove auditorias internas e comitês de gestão de riscos. Ele acrescentou que “o monitoramento da Receita Federal é contínuo; simplesmente obter o programa não é suficiente”.
A este respeito, o especialista sublinhou que a gestão de riscos é fundamental para a manutenção do programa: “A empresa deve identificar os riscos aduaneiros, implementar controlos e assegurar a continuidade da certificação”. Os comités permitem “integrar diferentes áreas, analisar as alterações e manter os padrões de conformidade e excelência estabelecidos pela Lei Complementar”.
Em relação à implementação, o Dr. Pieri salientou que ela pode ser adaptada ao contexto de cada empresa, desde um departamento inteiro até um comitê dentro de uma área específica, mesmo em pequenas empresas. Ele também enfatizou que a criação de Os comitês de gestão de riscos são essenciais. “Garantir boas práticas, manter a conformidade e fortalecer a confiança entre a administração aduaneira e os operadores de confiança”.
Gestão de riscos
El Dr. Fabiano Pieri Em seguida, ele falou novamente sobre gestão de riscos, destacando a diversidade de contextos empresariais no Brasil: “Mesmo com políticas e diretrizes institucionais específicas, a realidade de uma empresa no Rio Grande do Sul é muito diferente da de uma localizada no norte ou noroeste do país”.
Ele enfatizou que o gestão de riscos É a pedra angular do Programa OEA: “A empresa deve compreender os riscos aduaneiros, implementar controles e manter essa certificação, o que é fundamental.”
Ele observou que todos nós gerenciamos riscos no dia a dia e que, nas empresas, a complexidade aumenta devido à diversidade de áreas: "A percepção do mesmo evento varia dependendo do departamento."
A gestão de riscos do Programa OEA baseia-se na estrutura SAFE da OMA e na ISO 31.000, que fornecem princípios e diretrizes internacionais aplicáveis a qualquer organização. Segundo Pieri, o programa divide a gestão de riscos em duas áreas: segurança, focada no fluxo de exportação, e conformidade, focada nos processos de importação.
Em relação aos comitês multidisciplinares, Pieri esclareceu: “Eles são essenciais para integrar áreas, manter a consistência e se adaptar às mudanças. Sua estrutura depende do tamanho da empresa e pode variar de um comitê dentro de um departamento a um departamento inteiro. O importante é que funcionem de forma eficaz, com reuniões regulares e monitoramento por meio de indicadores-chave de desempenho.”
Ele também enfatizou a importância de selecionar cuidadosamente os participantes e o apoio externo, e observou que a Lei Complementar 225 consolida o Programa da OEA, permitindo que os comitês avaliem os riscos internos e externos.
Gestão de riscos do Serviço Federal de Receita
Helena AthamaseUma ex-auditora da Receita Federal compartilhou sua experiência em gestão de riscos e conformidade no âmbito do Programa OEA (Operador Econômico Autorizado). Ela enfatizou que A gestão de riscos deve ser prática e operacional, e não apenas documental."Quando a operação, os testes de adesão e a análise histórica da Receita estiverem alinhados, com validação e monitoramento, estaremos no caminho certo."
Ele apontou erros comuns, como matrizes de risco criadas apenas para atender a requisitos, falta de controles eficazes, planos de ação sem responsáveis ou prazos definidos e terceiros fora do controle da empresa.
Ele enfatizou que o foco deve estar nos riscos que podem levar a violações e que a existência de um comitê ativo é crucial: “Ele deve implementar e monitorar o processo, demonstrar eficácia ao Serviço de Receita Federal e revisar continuamente os procedimentos e auditorias para aprimorar a gestão de riscos.”
Estudo de caso: Centro Logístico Industrial Aduaneiro de Santo André
Em consonância com as recomendações de Helena Athamase, o seminário incluiu um estudo de caso apresentado por Luciana Siqueira, no que diz respeito à implementação do Programa da OEA no Centro Logístico Industrial Aduaneiro de Santo André, do prestigioso Grupo Wilson SonsCom 120 metros quadrados e 180 anos de história, o centro funciona como um porto seco que permite operações logísticas completas, armazenagem, distribuição e, em alguns casos, reprocessamento de mercadorias, tornando-se um nó fundamental para a logística regional.
Luciana destacou a formalização dos processos: “Tudo se baseia na gestão de riscos, no cumprimento da legislação e em procedimentos bem documentados, para que as operações não dependam exclusivamente do conhecimento individual, mas sejam mantidas ao longo do tempo.”
Em relação à estrutura certificada, ele explicou: “Nosso centro lida com cargas nacionais e de países estrangeiros, e a zona alfandegária foi certificada em segurança. O mapeamento e a identificação de riscos demonstraram aos inspetores que as operações não interferem umas nas outras, garantindo a conformidade com os requisitos do OEA (Operador Econômico Autorizado).”
Em relação à matriz de risco e aos comitês, ele observou: “A HLL recomendou que criássemos uma matriz específica para os riscos do programa OEA (Operador Econômico Autorizado). Identificamos ameaças como contaminação de carga, não conformidade regulatória, exposição na mídia e ataques cibernéticos. Essa matriz é analisada por nossos comitês, o que garante o monitoramento e a mitigação de riscos.”
Luciana também destacou a integração com outras certificações: “Em 2025, obtivemos a certificação OEA juntamente com a ISO 45.000, relativa à saúde e segurança. O nosso sistema de gestão da qualidade garante a rastreabilidade da documentação e realizamos auditorias internas e externas, incluindo as dos nossos prestadores de serviços.”
Em relação à avaliação de risco atual, ele explicou: “A matriz inclui 33 riscos: 4 na zona laranja (alta preocupação), 27 na amarela (risco moderado) e 2 na verde (risco aceitável). Durante o processo de certificação, foi crucial manter as evidências compatíveis com o padrão anterior e alinhar os processos com a nova regulamentação.”
Assim, o encontro encerrou destacando como a Lei Complementar 225/2026 aprimora o Programa OEA, consolidando-o como instrumento estratégico para a competitividade do comércio exterior brasileiro, alinhando o país às melhores práticas, ao Marco SAFE da OMA e ao Pilar 2, que promove a cooperação entre alfândegas e empresas para fortalecer a segurança da cadeia de suprimentos.
Esta publicação busca refletir a experiência do programa OEA no Brasil e sua contribuição para o fortalecimento da facilitação do comércio na região.

(*) A cobertura foi feita por María Elsa Coronel para Aduana News.
O Aduana News é o primeiro jornal aduaneiro argentino a lançar sua versão digital. Com 20 anos de experiência, suas publicações e iniciativas visam facilitar o conhecimento mais relevante sobre questões aduaneiras, a fim de contribuir para o comércio seguro na região.








