InícioEntrevistasAldo Franco: Crescimento regional e logística que aposta no futuro

Aldo Franco: Crescimento regional e logística que aposta no futuro

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A força e a intensidade com que Aldo Franco fala são impressionantes. Este homem, veterano das Malvinas, ativista da responsabilidade social, jogador de rúgbi e pai, é a referência do novo paradigma do empresário argentino. Em 2018, ele parece estar realizando seu sonho: o Sistema de Logística Mercedes. Em constante evolução, Aldo Franco, sem artifícios ou poses, está pronto para ter uma conversa sincera e natural com a Aduana News sobre o sistema logístico que aposta no futuro.

Pergunta: O que é o Sistema de Logística Mercedes?

Resposta: O Sistema Logístico Mercedes é um conceito por meio do qual queremos impulsionar as vendas dos produtores e alcançar o desenvolvimento econômico da região. Determinamos uma zona logística na Rota 5 que começa em Mercedes, província de Buenos Aires, e termina em Santa Rosa, La Pampa. É um projeto inédito porque une duas províncias. Um caminhão pode percorrer esse corredor 5 vezes em um dia, ou seja, pode ir e voltar, visitando diversas cidades do interior. A iniciativa é chamada de “Da Rota 5 para o mundo” porque na Mercedes temos um entreposto aduaneiro de onde tudo o que é produzido no Corredor 5 pode ser exportado e importado. É uma área que cobre 500 km ao longo da rota. São 12 cidades, 500000 mil habitantes, 64 localidades na área de influência. Inclui também uma capital provincial, Santa Rosa (La Pampa), e tem dois nós logísticos em ambas as extremidades do corredor.

Pergunta: Qual é a visão do Sistema de Logística da Mercedes?

Resposta: A visão é criar um sistema transformador que permita o desenvolvimento da região do Corredor 5 e, a partir disso, construir tanto uma rodovia logística quanto uma rodovia tecnológica para que os pequenos produtores possam se comunicar. Detectamos que um produtor de doce de leite de Mercedes não está vendendo para Chivilcoy, que fica a 70 quilômetros de distância. Por quê? Não vende devido aos altos custos logísticos. Por isso, numa primeira fase tentamos montar um corredor logístico para que a mercadoria pudesse ser transportada com baixo custo e assim produzir e vender mais dentro e fora da região. Se isso acontecer, o produtor precisará de mais mão de obra e haverá um impacto econômico para a região. Em uma segunda etapa, será criada uma plataforma tecnológica para que os produtores possam fazer o upload de seus produtos e outros descubram que eles estão vendendo doce de leite.

Hoje, da minha casa, posso comprar na China e vender em Jujuy. Eu configurei a rodovia logística para que qualquer produto possa ser carregado. Por quê? Porque as quantidades estão sendo transformadas. Antes eram cinco vendedores e um caminhão que os transportava. Agora tenho um vendedor com um aplicativo e cinco pessoas o administrando. Os custos de transporte devem ser reduzidos para que mais possa ser vendido e produzido. Acaba sendo um conceito de gotejamento. Nós, empresários, temos que dar condições para que o produtor possa fazer o que ele quer. Estamos planejando reduzir os custos de logística em 25 a 30 por cento se coordenarmos as viagens, além de concentrar a mercadoria em um só lugar para que ela seja distribuída uniformemente. Nossa ideia é que os benefícios desse sistema logístico se transformem em desenvolvimento econômico para a região.

Pergunta: Quais benefícios a Mercedes oferece para garantir o sistema de logística?

Resposta: A Mercedes tem esse parque logístico, onde estamos estabelecidos há 6 anos. Possui 29 mil metros quadrados e um armazém alfandegado, que é uma unidade de trabalho de onde podem ser feitas importações e exportações. A Mercedes é uma porta de entrada para o mundo: a ideia é que a região cresça. Produtos regionais também podem ser exportados ou importados. Queremos que não haja intermediários, por exemplo, entre um produtor de tomate em Cuyo e um merceeiro em Suipacha. Mercedes é um ponto estratégico de distribuição e está equidistante dos três portos: Buenos Aires, La Plata e Zárate – Campana.

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Pergunta: Um empreendedor com responsabilidade social, como surgiu?

Resposta: Esta empresa de logística tem 24 anos e trabalha com redes de supermercados há 14 anos. Conhecemos o funcionamento interno de supermercados e lojas de departamento. Em que acreditamos? Que a logística, para ser eficiente e barata, deve ser regional. Existe uma logística nacional de Salta para a Terra do Fogo: não faz sentido.

Pergunta: Quantas pessoas você emprega?

Resposta: Neste momento, 1600 pessoas. São 150 em Mercedes e o restante na Grande Buenos Aires, Córdoba, Tucumán e Mendoza.

Pergunta: Como surgiu a ideia de se reinventar?

Resposta: Quero esclarecer que nunca houve um conceito de logística em nosso país. Quando falamos de logística, falamos de caminhões; Mas logística é a coordenação de tudo, a capacidade de armazenar e distribuir. A logística foi transformada nos últimos 20 anos. Atualmente o centro de gravidade do trabalho está no armazém e não na venda. Hoje, uma empresa tem um site, então o volume de vendas online exige a duplicação da capacidade de distribuição. Precisamos transformar a logística para aumentar as vendas para pequenos produtores. Mas isso merece ser feito em nível regional.

Pergunta: O que te motivou a dar esse salto?

Resposta: Como empresário, tenho a responsabilidade de fazer algo pela minha região e pelo meu país; Essa iniciativa acaba sendo um desenvolvimento econômico social. O trabalho deve ser incentivado. Um país tão rico como o nosso precisa de sistemas como esse para transformá-lo. Sinto-me encorajado pelo fato de que a tecnologia, a plataforma tecnológica, foi projetada para meus filhos. Que modelos me encorajam? Na década de 60, empresas como Rigolleau e Aceros Bragado desenvolveram bairros, hospitais e escolas para a região. Esses empreendedores tiveram a capacidade de criar um impacto social a partir da empresa. Nós nos fechamos no egoísmo, queremos tudo para a empresa e não percebemos que se os funcionários estiverem bem, esse efeito colateral econômico volta.

Pergunta: Quem o inspirou?

Resposta: Eu sou um empreendedor. Naturalmente, sou um empreendedor. Tive a oportunidade de dar minha vida pelo meu país aos 20 anos. Comecei a entender o que é serviço e por que as pessoas iam para a guerra. Então, não posso permitir fome na minha cidade. Nós, como empreendedores, devemos fornecer trabalho e não esperar que o Estado o forneça. Devemos abandonar a transcendência.

Pergunta: O que você faria para tornar as pessoas melhores?

Resposta: Acabamos de contratar quarenta jovens entre 18 e 25 anos por três meses para fazer um trabalho específico. Além disso, 5 pessoas com 58 anos que acabaram de ficar desempregadas. Por outro lado, estamos procurando clientes que possam nos dar trabalho para essas pessoas. Isso foi feito por meio de um acordo com o Ministério da Produção de La Pampa. A ideia é formar pessoas: é mais interessante ensinar a pescar do que dar o peixe… Temos 6 estagiários da escola industrial da Mercedes todos os anos. Hoje temos dois alunos da escola industrial e dois alunos de Comércio Exterior da Universidade de Luján trabalhando. Também oferecemos cursos no parque logístico.

Pergunta: Quais iniciativas a PLM tem para o desenvolvimento sustentável?

Resposta: Cumprimos as normas; Além disso, reciclamos paletes. Fornecemos paletes de resíduos ao município para que eles possam ser reciclados na marcenaria social, que produz mesas, cestos e caixas para vender.

Pergunta: Como é a ligação entre o PLM e a Alfândega?

Resposta: O PLM depende da Alfândega de Campana. É impressionante como é fácil para a Alfândega trabalhar. Temos um relacionamento muito bom, sentimos muito o apoio da Alfândega, que nos dá uma solução permanente com os controles necessários para que as exportações possam ser feitas.

Pergunta: Quais foram as exportações de PLM mais relevantes em 2018?

Resposta: Este ano exportamos muitas frutas cítricas. Agora, estamos com o mel. Também fertilizante, resultado de um processo de transformação da turfa da Terra do Fogo e do Canadá, para dar uma mistura especial ao tabaco dos Estados Unidos e do México. Além disso, vendemos madeira de Misiones e Salta para China e Taiwan. A Argentina é o segundo maior exportador de mel, o maior exportador de sementes de girassol cristalizadas e o segundo maior exportador de pipoca. Nas importações, a PLM está trazendo eletrodomésticos e também caixas de câmbio. O armazém fiscal do PLM, inaugurado em março deste ano, é baseado na mais recente tecnologia.

Pergunta: Como a iniciativa e o PLM são financiados?

Resposta: O Corredor da Rota 5 e o PLM são financiados com empréstimos do Banco Provincia, Galicia e Banco La Pampa. PLM é a logística argentina que é financiada com capital argentino, utiliza mão de obra argentina, produz para a Argentina, exporta para a Argentina e a economia permanece na Argentina.

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Perfil de Aldo Franco (anos 60)

*Pai de 5 filhos

*Veterano das Malvinas

*Estudos: Bacharel em Sistemas com Pós-Graduação

*Hobby: família e esporte

*Sonho: “Devolver à sociedade em ações o que a sociedade nos dá.”

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