Aduana News: Como você vê a integração com o Brasil diante da abertura com a ALCA?
Resposta: A negociação hemisférica para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) pode ser mais um instrumento no aprofundamento do nosso relacionamento com o Brasil, e com esse objetivo estamos participando do processo. Os quatro países do bloco negociarão, juntos, nossa integração à ALCA. Conforme resolvido na cúpula presidencial em Miami. Este acordo será compatível com a OMC. Por outro lado, as avaliações de impacto realizadas mostram que a negociação hemisférica traz resultados positivos para a Argentina, permitindo não só um crescimento do Produto Interno Bruto, do nível de atividade, das exportações e importações, mas também uma diversificação dos destinos das exportações e da oferta exportável argentina, em maior proporção do que a redução de nossas exportações para o Brasil, consequência de uma abertura regional.
Aduana News: Os acordos MERCOSUL e ALCA são compatíveis?
Resposta: A coexistência de ambos os acordos vem sendo planejada desde 1997, na medida em que os direitos e obrigações previstos nos acordos sub-regionais – o MERCOSUL, no nosso caso – são mais profundos do que aqueles alcançados no nível hemisférico. A inclusão dessa possibilidade foi produto de uma árdua discussão. Conscientes da nossa intenção de manter a integração sub-regional como prioridade e ponto de partida para as relações com terceiros países e blocos. Consequentemente, os acordos são compatíveis, desde que os países do MERCOSUL – que têm um objetivo maior do que o projeto da ALCA, que visa à criação de uma zona de livre comércio – continuem trabalhando na consolidação e no aprofundamento do bloco.
Aduana News: Como você vê a balança comercial de 2002?
Resposta: Uma avaliação preliminar permite-nos ser otimistas e afirmar que a balança comercial argentina do ano de 2002 apresentará um superávit maior – aproximadamente 8.000 bilhões de dólares – do que o estimado para este ano de 2001 – calculado em 6.000 bilhões de dólares. Esses resultados decorrem não só do desempenho comercial do nosso país, que registrará uma melhora nas exportações argentinas de cerca de 5% para o próximo ano, mas também de uma leve queda nas importações, seguindo a tendência já registrada no último semestre deste ano. O aumento das exportações argentinas seria favorecido, entre outras variáveis, pelo comportamento do mercado internacional, no qual se espera um crescimento no volume de participação dos países em desenvolvimento no comércio mundial próximo a 6%.
Aduana News: Das suas últimas viagens com o presidente, que recepção você acha que as medidas econômicas adotadas pela Argentina tiveram na Europa e nos Estados Unidos?
Resposta: A imprensa tem sido muito ativa neste assunto, mas suas interpretações não parecem ter sido totalmente precisas. Entendo isso porque as viagens aconteceram em um momento muito crítico para o mundo e para o nosso país. Numa altura em que as mais altas autoridades políticas estão focadas em questões que vão além da economia. Questões que têm a ver com a segurança mundial, com a guerra, com o futuro da humanidade. E nesse contexto, esses países tiveram um espaço para a Argentina. Acredito que esse fato fala por si. Esse apoio foi expresso, entre outros, pelo Grupo dos Sete (G7) - formado pelos países mais importantes da Europa - Alemanha, França, Itália e Grã-Bretanha -, pelos Estados Unidos, Canadá e Japão -, pelo Presidente e pelo Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, George BUSH e Paul O'Neill, pelo Chanceler da República Federal da Alemanha, Gerhard SCHROEDER e por instituições econômicas como o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Aduana News: Que mensagem de incentivo você pode dar ao setor ligado ao Comércio Exterior?
Resposta: Há dois fatos importantes e positivos que podemos destacar: Primeiro, o aumento das exportações de cereais e oleaginosas, devido ao constante desenvolvimento técnico do setor e o aumento do consumo de implementos agrícolas como arados, semeadoras, colheitadeiras e outros insumos, que, por serem produzidos no país, multiplicam a atividade interna. Em segundo lugar, está a participação das PMEs. Embora seja difícil generalizar, pois podem atuar em uma transformação do bem que agrega muito valor ou simplesmente em um serviço, são, em conjunto, as que geram maior número de empregos na Argentina. Neste sentido, se a cada ano um maior número de PMEs aderir à atividade exportadora, isso gerará um efeito cada vez mais dinâmico na economia, ao mesmo tempo em que, por meio da diversificação das exportações, será possível reduzir a influência das oscilações bruscas nos preços das matérias-primas. Por outro lado, a Argentina deve insistir no atual processo de reorientação de sua estrutura produtiva para o exterior, a fim de se tornar um país com alta taxa de exportações per capita. Somente desta forma será alcançado um alto nível de desenvolvimento econômico. Não há país economicamente forte no mundo que não tenha um esquema significativo de relações comerciais externas. A principal mensagem para os setores ligados ao comércio exterior é que estamos mais comprometidos do que nunca em promover nossas exportações para o exterior, elemento que consideramos essencial para o crescimento e desenvolvimento da nossa economia. Para tanto, estamos trabalhando arduamente para negociar acordos comerciais bilaterais, regionais e multilaterais que melhorem as condições de acesso dos produtos argentinos aos mercados estrangeiros – atualmente dificultados pela existência de barreiras tarifárias e, principalmente, não tarifárias – e estabeleçam normas e disciplinas comuns e/ou harmonizadas que confiram segurança e certeza às relações comerciais. No que diz respeito à promoção comercial, e sem ignorar a situação particular que nosso país enfrenta, pretendemos aumentar permanentemente nossa participação em feiras e exposições e desenvolver missões comerciais que nos permitam manter nosso lugar nos mercados tradicionais e aumentar nossa presença em novos mercados, a fim de posicionar uma "marca argentina" que nos identifique e nos torne ainda mais reconhecidos no exterior.
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