A emissão eletrônica do Certificado de Origem Preferencial é uma ferramenta fundamental para a transição para um comércio exterior sem papel. Este documento proporciona acesso a benefícios tarifários previstos em acordos comerciais e é respaldado pelo Acordo de Facilitação de Comércio (AFC) da OMC. Diferentemente do certificado de origem não preferencial, que indica apenas o país de fabricação, o certificado de origem preferencial está vinculado a compromissos bilaterais ou multilaterais que concedem isenções ou reduções tarifárias específicas.
A implementação de certificados eletrônicos (e-CO) promove a interoperabilidade entre as alfândegas, agiliza procedimentos, reduz custos e tempo e melhora a transparência e a rastreabilidade do comércio internacional.
Vale ressaltar que, embora a AFC promova a adoção de tais medidas de digitalização como parte do "comércio sem papel", ela não as torna obrigatórias. Consequentemente, as taxas de implementação variam bastante: de acordo com as últimas Pesquisa das Nações Unidas, variam de 43% a 90%, dependendo do país e da região.
Reunião sobre “comércio sem papel”
Neste contexto, nesta segunda-feira, 9 de junho de 2025, às 12h30 (horário de Buenos Aires), foi realizada em Bangkok a sessão “Adoção do Certificado Eletrônico de Origem: Tendências Globais e Regionais”, no âmbito do Semana do Comércio Sem Papel organizado pela Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (UNESCAP), no Centro de Conferências das Nações Unidas (UNCC).
O evento, transmitido em formato híbrido, reuniu representantes de organizações internacionais, governos e blocos regionais para discutir esta medida facilitadora do progresso rumo ao "comércio sem papel". A sessão de abertura foi conduzida por Yan Duval, Chefe da Seção de Facilitação Comercial da UNESCAP, que propôs expandir esses espaços técnicos por meio de workshops de treinamento de um ou dois dias, dada a alta demanda por participação presencial e virtual.
Uma das exposições centrais ficou a cargo de Chun Xiao Xu, Adido Técnico da Subdireção de Origem da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), que apresentou os resultados de um estudo global conduzido pela instituição. Segundo o relatório, 22 Estados-membros já implementaram sistemas eletrônicos de troca de dados para certificados de origem, enquanto outros nove estão desenvolvendo projetos-piloto.
A Sra. Xu enfatizou “a necessidade de uma linguagem comum para certificados eletrônicos de origem”, referindo-se ao modelo de Dados da OMA, que tem sido amplamente adotado como base técnica para formatos de mensagens. Ele também destacou os benefícios observados em países e blocos onde a troca eletrônica já é utilizada: verificação em tempo real durante o desembaraço aduaneiro, eliminação de cópias digitalizadas, certificação simplificada, melhoria da qualidade dos dados, fortalecimento da gestão de riscos e um claro impulso rumo à digitalização por meio da redução do uso de papel.
Na sua revisão histórica, destacou que a primeira experiência de intercâmbio electrónico remonta a 2004, quando a China implementou este sistema com Hong Kong e Macau no âmbito do Acordo de Comércio Acordo de Parceria Econômica Mais Estreita (CEPA). Colômbia e México seguiram o exemplo em 2009 e, a partir de 2016, novas iniciativas foram adicionadas em países como Nova Zelândia, Coreia do Sul, membros da ASEAN e diversas economias latino-americanas, incluindo Argentina, Uruguai, Chile e Peru, demonstrando uma crescente convergência em direção à digitalização dos procedimentos aduaneiros.
O modelo ALADI e a promoção do MERCOSUL
Nesse sentido, vale lembrar que a Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) foi pioneira na região no desenvolvimento e implementação do Certificado Digital de Origem (COD), ferramenta que permite a transmissão eletrônica segura e verificável de certificados entre os países-membros. Esse sistema não só reduz tempo e custos, como também fortalece a rastreabilidade e a segurança dos documentos.
O MERCOSUL fortaleceu esse sistema por meio da implementação de mecanismos interoperáveis de certificação de origem preferencial, alinhados ao Código de Conduta da ALADI (Associação Latino-Americana e do Caribe para o Desenvolvimento). Essa coordenação fortalece a facilitação do comércio intrarregional e promove maior eficiência em seus fluxos comerciais.
Isto é o que o Dr. Hector Juarez em um artículo Destaca a importância das iniciativas promovidas pela ALADI para modernizar o comércio na América Latina, especialmente no que diz respeito à simplificação dos processos aduaneiros e à certificação de origem. A análise também analisa o status da implementação do Certificado Digital de Origem (COD) nos países membros, refletindo o compromisso regional com a digitalização, a integração e a segurança jurídica.

A Licenciado Andrea Russo sublinha em outro item Como última atualização da norma base do Mercosul -DEC. CMC Nº 05/23 “Regime de Origem do MERCOSUL” (ROM)-, a adaptação à VII Emenda do Sistema Harmonizado de Requisitos de Origem, ou seja, à versão 2022 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) por meio da Diretiva CCM Nº 130/24, de 2 de dezembro de 2024.
Além disso, em linha com a evolução do comércio internacional e das iniciativas regionais de facilitação, Russo destacou Aduana News que na agenda atual do MERCOSUL, um dos temas que está sendo levado a cabo em diversos fóruns técnicos, é a análise e as adaptações necessárias ao novo modelo de Certificado Digital de Origem (COD) por cada Estado Parte do MERCOSUL, tendo em vista que o próximo 18 de julho de 2025 O período de validade transitória do modelo de certificado de origem da regulamentação anterior -DEC. CMC No. 01/09- terminará, e espera-se que todos os Estados-Membros tenham implementado a versão 4.1.0 do COD.Essas medidas reafirmam o compromisso do MERCOSUL com a modernização regulatória, a facilitação do comércio e a melhoria contínua de seus procedimentos.", disse Russo.
Projetos atuais em interconectividade
Voltando à intervenção da OMA na sessão, a Sra. Xu também mencionou projetos atuais relevantes para a interconectividade, incluindo:
- O desenvolvimento de um sistema no âmbito da Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA), que envolve 55 países e constitui o acordo comercial mais abrangente do mundo.
- A Convenção Pan-Euro-Mediterrânica, que inclui a União Europeia, a AFTA e países como a Noruega e a Dinamarca.
Além disso, ele apresentou o Estrutura de interconectividade da OMA para certificados de origem, desenvolvido entre 2023 e 2025, com base em quatro pilares: um modelo de processo comercial, um conjunto de dados e-CO, um arcabouço jurídico e especificações tecnológicas. Este documento, aprovado pelo Comitê Técnico Permanente e em fase de validação final pelo Conselho da OMA, será publicado em breve como um guia para as administrações aduaneiras e seus parceiros comerciais.
No final do seu discurso, a Sra. Xu sublinhou que “Para alcançar uma interconexão eficaz, é essencial promover acordos bilaterais, harmonização regulatória e padrões tecnológicos compartilhados.”. Ele também observou que a legislação — tanto nacional quanto internacional — pode atuar como um facilitador ou uma barreira à implementação desses sistemas. Nesse sentido, “O Sistema de Interconectividade para Certificados de Origem (CIS), proposto pela OMA, foi projetado para acompanhar esses processos de uma perspectiva abrangente.".
Por fim, ele anunciou que o relatório completo com esses progressos anunciados será publicado no site oficial da OMA assim que for aprovado pelo seu Conselho, durante a reunião agendada para o final de junho de 2025.
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