Em 8 de julho, as Nações Unidas apresentaram a Sexta edição da Pesquisa Global sobre Facilitação de Comércio Digital e Sustentável, uma ferramenta de monitoramento bienal coordenada pelas cinco comissões econômicas regionais da ONU em conjunto com a UNCTAD. O objetivo da pesquisa era avaliar o progresso de mais de 180 países na implementação de 62 medidas visando facilitação de comércio, digitalização de processos e inclusão.
Este conjunto de medidas abrange tanto disposições obrigatórias - como as previstas na Acordo de Facilitação do Comércio da OMC (TFA)— bem como outras iniciativas regionais e multilaterais em desenvolvimento, como o Acordo-Quadro para a Facilitação do Comércio Transfronteiriço Sem Papel na Ásia e no Pacífico (extensão ACTP). Também estão incluídas ações que visam promover uma participação mais inclusiva no comércio internacional, especialmente para pequenas e médias empresas. (PMEs) e as mujeres comerciantes.
A edição de 2025 incorporou também dois grupos de medidas emergentes consideradas fundamentais: a facilitação da eCommerce e aqueles vinculados a comércio verde.
◾Pesquisa global
Após esclarecer este contexto, as autoridades indicaram que A taxa média global de implementação de medidas de facilitação do comércio e de comércio sem papel atingiu 70,4% em 2025, um aumento sustentado em relação aos 66,48% registrados em 2023. No entanto, eles alertaram que o progresso é desigual e que maiores esforços coletivos são necessários para reduzir as lacunas existentes.
A apresentação foi moderada por Yann Duval, Chefe da Seção de Facilitação Comercial da ESCAP, e contou com a presença de autoridades regionais e representantes do setor privado. Durante a abertura, o Subsecretária-Geral da ONU e Secretária Executiva da ESCAP, Armida Salsiah Alisjahbana, ele enfatizou firmemente: “O ambiente comercial global tem enfrentado desafios sem precedentes. Medidas tarifárias aumentaram os custos e a incerteza, enquanto interrupções globais expuseram vulnerabilidades nas cadeias de suprimentos. Isso reforça a necessidade urgente de sistemas comerciais mais eficientes, transparentes e resilientes.

◾A América Latina e o Caribe mostram progressos, mas os desafios permanecem
Em representação de Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Sebastián Herreros destacou que 22 países da região participaram desta edição, alcançando um taxa média de implementação de 73%. De acordo com os dados apresentados, a maioria dos países da América Latina e do Caribe supera ou iguala essa média. Por exemplo, nosso país, Argentina, registra uma pontuação de 73%, localizado no média regional, juntamente com Panamá e Jamaica. Esse desempenho o coloca no meio da lista de países analisados, abaixo de economias como Chile e México (80%), Brasil e El Salvador (82%), Uruguai e Paraguai (83%), Costa Rica (86%) e Peru, que lidera o ranking regional com 87% de implementação.
O Sr. Herreros observou que, na região, o maior progresso foi visto nas medidas do Acordo de Facilitação de Comércio (AFC) relacionadas a formalidades alfandegárias, comércio eletrônico e transparência, demonstrando sólido progresso na implementação dos compromissos assumidos no âmbito do AFC.
Apesar dos progressos, Sebastián Herreros reconheceu que “Persistem lacunas estruturais relacionadas à capacidade institucional, digitalização aduaneira e recursos humanos e financeiros, especialmente no Caribe e na América Central.. Além disso, ele alertou que "Certas medidas — como a publicação de procedimentos e tarifas, mecanismos de apelação e supervisão delegada — ainda têm baixos níveis de adoção, especialmente em países relativamente menos desenvolvidos."
O Sr. Herreros sublinhou que “Uma maior coordenação regional é essencial diversificar as exportações, apoiar a internacionalização das pequenas e médias empresas (PMEs) e ampliar a participação da América Latina e do Caribe nas cadeias globais de valor.”

◾Implicações globais e roteiro
Após a apresentação das cinco comissões regionais, foram apresentadas as implicações globais da pesquisa.. Poul Hansen, Chefe da Seção de Facilitação do Comércio da UNCTAD, Ele concordou com os diagnósticos iniciais e alertou que, embora os progressos sejam importantes, ainda são insuficientes.
"O progresso global é encorajador, mas não é equitativo. Persistem grandes lacunas no comércio digital transfronteiriço, especialmente porque essa dimensão ainda não está contemplada no Acordo de Livre Comércio da OMC. Marcos jurídicos e infraestrutura digital precisam ser desenvolvidos para suprir essa lacuna., ele enfatizou.
Ele também enfatizou que medidas básicas como transparência e formalidades são bem implementadas, mesmo em países com capacidades institucionais limitadas, o que constitui uma base para avançar em direção a reformas mais ambiciosas. Nesse sentido, Ele enfatizou a importância de fortalecer a coordenação nacional e regional por meio de Comitês Nacionais de Facilitação do Comércio e sistemas de monitoramento. como Rastreadores de Reformas.
Ao encerrar seu discurso, ele foi claro sobre a abordagem que os governos devem adotar: “A facilitação do comércio não pode ser um privilégio. Deve ser uma ferramenta para o desenvolvimento, a equidade e a resiliência. Isso requer dados, recursos, vontade política e cooperação multilateral..
Do setor privado, a mensagem foi consistente: é hora de passar do diagnóstico à ação. Valérie Picard, representante da Câmara de Comércio Internacional (ICC), afirmou: “Os dados são importantes, especialmente em contextos complexos. Mas O que as empresas precisam hoje é de ação“As barreiras comerciais estão aumentando e precisamos transformá-las em oportunidades concretas para competir.”
O TPI propôs três prioridades Para avançar, fortaleça a cooperação público-privada institucionalizando Comitês Nacionais de Facilitação do Comércio; acelere a digitalização com foco na interoperabilidade, para não excluir as MPMEs do comércio eletrônico; e passe de projetos-piloto para uma implementação efetiva, com vontade política, financiamento e colaboração sustentada entre setores.
Para aqueles que desejam explorar o nível de implementação de medidas de facilitação do comércio em diferentes regiões e economias, a plataforma interativa para a Pesquisa Global da ONU 2025 está disponível: https://www.untfsurvey.org/#start
O Aduana News é o primeiro jornal aduaneiro argentino a lançar sua versão digital. Com 20 anos de experiência, suas publicações e iniciativas visam facilitar o conhecimento mais relevante sobre questões aduaneiras, a fim de contribuir para o comércio seguro na região.








