Líderes empresariais, autoridades e representantes do setor de logística participaram nesta quinta-feira, 28 de maio, do segundo e dinâmico dia do Seminário Internacional da OEA 2026, realizado em São Paulo, onde a experiência da Alfândega da República Dominicana se destacou pelo foco na integração institucional e na cooperação público-privada.
A exposição foi organizada por Rosa Ávila, gerente do programa Operador Econômico Autorizado (OEA) da Direção Geral de Alfândegas da República Dominicana., especialista em segurança da cadeia logística e auditor internacional em normas ISO relacionadas à qualidade, segurança e transparência.
Contextualizando, o programa Operador Econômico Autorizado (OEA) é uma iniciativa promovida pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA) e adotada por seus países membros em 2005, no âmbito do Quadro de Normas SAFE, com o objetivo de fortalecer a segurança e facilitar o comércio internacional.
O programa reconhece como operadores confiáveis as pessoas físicas e jurídicas que fazem parte da cadeia logística e que, após um processo de validação, demonstram padrões de segurança e conformidade, obtendo assim acesso a benefícios que agilizam suas operações de comércio exterior.
Nesse contexto, a OEA foi um dos temas centrais do segundo dia do Seminário Internacional da OEA 2026. Como eu havia previsto no Discurso de abertura de Fabiano Coelho, Durante a manhã, a experiência brasileira promovida pela Receita Federal foi explorada em profundidade, juntamente com experiências do setor privado e a apresentação internacional do modelo desenvolvido pela República Dominicana.


No caso da República Dominicana, o número de Operador Econômico Autorizado (OEA) foi estabelecido pelo Decreto nº 144, de 22 de março de 2012, em conformidade com o Acordo de Facilitação do Comércio — especialmente no que diz respeito ao artigo 7º sobre a liberação e o despacho de mercadorias — e de acordo com os padrões estabelecidos pela Estrutura SAFE da OMA (Organização Mundial das Alfândegas).
Durante sua apresentação, Rosa Ávila destacou que uma das principais lições do modelo dominicano é que o OEA transcende a esfera estritamente aduaneira e representa uma ferramenta para a transformação institucional. “Quando falamos de integração e programas OEA, estamos falando de muito mais do que um programa aduaneiro; Estamos falando de evolução institucional."Coordenação entre agências, melhoria contínua e equilíbrio entre facilitação e controle do comércio."
Nessa linha, ele enfatizou que conceitos como confiança, previsibilidade, agilidade e integração agora fazem parte de uma linguagem comum entre os setores público e privado, formando a base do modelo integrado da OEA.
O funcionário explicou ainda que as empresas exigem processos ágeis, respostas rápidas e maior coordenação institucional, uma vez que "o usuário final não espera um processo fragmentado entre instituições, mas sim uma experiência completa, coerente e previsível".
Coordenação interinstitucional
A partir daí, Ávila destacou que um dos marcos do processo dominicano foi a assinatura, em fevereiro de 2022, de um acordo interinstitucional que formalizou a participação de diferentes agências estatais na implementação do programa OEA. "Entendemos desde o início que o programa não poderia ser desenvolvido exclusivamente pela Alfândega."
Atualmente, o programa abrange áreas relacionadas a narcóticos, segurança aeroportuária, agricultura, saúde pública, meio ambiente e outras instâncias de controle do comércio exterior, consolidando uma abordagem abrangente de avaliação e validação.
Ávila reconheceu os desafios relacionados à coordenação, aos tempos de resposta e às diferenças tecnológicas entre as agências, embora tenha enfatizado que o A comunicação constante é fundamental. para sustentar o sistema.
Resultados da OEA Dominicana
A Sra. Ávila também apresentou dados específicos sobre os resultados alcançados pelo programa da OEA na República Dominicana, incluindo: crescimento superior a 30% no número de empresas certificadas.
Ele também observou melhorias na seletividade alfandegária, com mais de93% das cargas de operadores OEA (Operadores Econômicos Autorizados) canalizados pela rota verde, o que permite maior agilidade no comércio exterior.
Em termos de impacto econômico, ele indicou que as empresas certificadas representam aproximadamente 40% das importações e aproximadamente 39% da receita aduaneira da República Dominicana.
Atualmente, a Alfândega Dominicana tem 704 certificações AEO, dos quais 544 correspondem a certificações internacionais e 160 à modalidade simplificada.
Este sistema de dupla certificação permitiu uma maior participação do setor privado e a incorporação de pequenas e medias empresas para o sistema, funcionando como uma porta de entrada progressiva para o padrão internacional.
O papel da alfândega na coordenação de assuntos
A Sra. Ávila também apresentou uma reflexão que merece atenção: não existe um modelo único para a OEA, pois cada país deve adaptá-lo à sua realidade institucional, capacidades e prioridades. No entanto, ela destacou elementos comuns como confiança, coordenação, compartilhamento de informações e gestão conjunta de riscos. Nesse contexto, ela enfatizou eO papel das alfândegas como coordenadoras do sistema: “Deve haver uma instituição que lidere, impulsione e defina o rumo.” declarado.
A especialista explicou que a segurança da cadeia logística também inclui garantir a qualidade e a integridade da carga durante todo o seu trânsito internacional. Como exemplo, mencionou a incorporação de controles em embalagens de madeira de acordo com as normas fitossanitárias internacionais, no âmbito de acordos bilaterais de reconhecimento mútuo com os Estados Unidos.
Ao final de sua apresentação, Ávila afirmou que facilitação e controle não são conceitos opostos, mas sim complementares quando gerenciados adequadamente. Nesse sentido, ele enfatizou que a OEA também contribui para fortalecimento institucional E ele enfatizou: “Nossos operadores esperam uma experiência completa, que vai além da certificação, abrangendo tudo o que acontece antes, durante e depois do processo.".
Como parte de sua integração regional, o país centro-americano integra o Acordo de Reconhecimento Mútuo dos Operadores Econômicos Autorizados (ARM-OEA), que reúne as administrações aduaneiras da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai, e estabelece o reconhecimento recíproco de seus respectivos programas OEA.
É significativo que este acordo tenha sido assinado há quatro anos em São Paulo, durante a edição de 2022 do Seminário Internacional da OEA. Este fato, de grande importância para a integração aduaneira regional, demonstra também a capacidade deste encontro de promover a cooperação e a disseminação de boas práticas, como a experiência apresentada este ano pela República Dominicana, cujo «modelo integrado» despertou interesse e oferece lições valiosas para o fortalecimento dos programas da OEA na região.
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