InícioComércioChefe da OMC alerta para riscos à paz comercial

Chefe da OMC alerta para riscos à paz comercial

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O tribunal alerta que o bloqueio de nomeações para o tribunal pelos EUA ameaça o sistema de resolução de disputas.

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) alertou que a O bloqueio da administração Trump a novos juízes para julgar disputas internacionais prejudica um sistema que impediu guerras comerciais por mais de duas décadas.

Em entrevista ao Financial Times, Roberto Azevêdo disse que a decisão dos EUA de bloquear o preenchimento de duas vagas no tribunal de apelações de sete membros estava causando uma crise em uma das funções mais importantes do órgão.

"O sistema de solução de controvérsias é um dos pilares mais importantes da organização. Desde a criação da OMC em 1995, esse organismo já resolveu mais de 500 conflitos e, se o colocarmos em risco, colocaremos todo o sistema em risco", alertou Azevêdo.

O órgão de apelação precisa de pelo menos quatro juízes para atuar. Em dezembro, o número de membros cairá para esse número quando o mandato de um membro belga expirar. E em setembro do ano que vem, o número será reduzido para três se nenhuma nova nomeação for feita.

A discussão levantou preocupações sobre Donald Trump e seu ceticismo em relação a instituições multilaterais como a OMC, contra as quais ele se manifestou durante a campanha presidencial do ano passado e continua a criticar desde sua nomeação.

Autoridades de Genebra recentemente ecoaram uma frase do discurso do presidente na Assembleia Geral das Nações Unidas, na qual ele pareceu direcionar suas críticas à OMC. Muitos estão, portanto, se preparando para o que temem que possa se tornar um ataque mais coordenado dos EUA à organização.

"Por muito tempo, o povo americano foi informado de que grandes acordos comerciais multinacionais, inúmeros tribunais internacionais e uma poderosa burocracia global eram a melhor maneira de impulsionar seu sucesso. Mas enquanto essas promessas eram feitas, milhões de empregos estavam sendo perdidos e centenas de fábricas estavam desaparecendo", disse Trump durante seu discurso.

Os EUA levantaram objeções à nomeação dos novos juízes de apelação, argumentando que os membros cessantes do tribunal não deveriam poder continuar presidindo casos em andamento após o término de seus mandatos de quatro anos.

Mas isso também levantou preocupações no passado, inclusive sob o governo Obama, sobre o que Washington vê como ativismo judicial por parte do órgão de apelação. Robert Lighthizer, o representante comercial dos EUA que montou uma campanha malsucedida para ser nomeado juiz de apelação da OMC, sinalizou em discursos e conversas privadas o interesse dos EUA em reformar um sistema de resolução de disputas que, segundo ele, nem sempre atendeu aos interesses dos EUA.

O governo dos EUA não delineou que tipo de reformas deseja, embora tenha feito o que algumas autoridades em estados-membros da OMC consideram ameaças veladas sobre disputas específicas. Por exemplo, Lighthizer alertou que Os EUA considerarão tomar medidas se a OMC ficar do lado da China nos debates entre Pequim e a UE sobre se o país merece o status de "economia de mercado" na OMC. Uma decisão provisória não é esperada antes de meados do ano que vem.

De forma mais ampla, Lighthizer criticou a capacidade institucional da OMC de lidar com a ascensão da China e o que ele chamou de mercantilismo sem precedentes e manipulação do sistema.

Azevêdo, ex-negociador comercial brasileiro e embaixador na OMC, se defende dessas acusações. "Os EUA têm sérias preocupações sobre esse sistema. O fato de um membro-chave como os EUA ter essas dúvidas não é algo que devemos ou podemos ignorar", disse Azevêdo.

fonte: Financial Times

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