A facilitação do comércio deixou de ser um conceito técnico reservado a especialistas em alfândega e logística. Hoje, é um elemento central para melhorar a competitividade dos países, atrair investimentos e promover a integração internacional. Nesse contexto, a criação e a operação efetiva de um Comitê Nacional de Facilitação do Comércio na Argentina, conforme estabelecido pela Acordo de Facilitação de Comércio (TFA) da Organização Mundial do Comércio (OMC), é uma necessidade urgente.
Muitos falam em abertura indiscriminada, mas os números mostram que, até 2024, éramos a quarta economia mais fechada do mundo e, com os dados de importação e PIB deste ano, continuaremos entre os 10 países mais fechados do mundo em termos do que importamos em relação ao que produzimos. Segundo o Banco Mundial, a importação de bens e serviços representa 12,8% do PIB, enquanto no Brasil é de 17,5% e no Chile, 30%.
| País | 2024 |
| Sudão | 1,27% |
| Etiópia | 11,76% |
| Argentina | 12,83% |
Preparado pelos autores de acordo com dados do Banco Mundial de 2024.
🟦O mandato internacional: OMC e ATF
El AFC, em vigor desde fevereiro de 2017, obriga os países membros da OMC a estabelecer e manter um Comitê Nacional de Facilitação do Comércio (NTFC)Este órgão deverá coordenar, a nível nacional, a implementação das disposições do acordo, que incluem:
- Simplificação e harmonização dos procedimentos aduaneiros.
- Transparência e publicação de normas.
- Cooperação entre agências de fronteira.
- Gestão de riscos e inspeções eficientes.
O Comitê não é apenas um fórum formal: sua tarefa é reunir autoridades governamentais, o setor privado, câmaras empresariais, operadores logísticos e a sociedade civil, garantindo que a implementação de medidas responda às reais necessidades do comércio exterior.
🟦A visão da OMA: coordenação e governação na fronteira
La Organização Mundial das Alfândegas (OMA), da qual a Argentina é membro, destacou que a coordenação de fronteiras É fundamental para reduzir custos e tempo. Suas diretrizes recomendam que as NCFCs:
- Atuar como plataforma para diálogo público-privado.
- Garantir a coerência regulatória e tecnológica entre as diversas agências de fronteira.
Promover a utilização de normas internacionais como Estrutura SAFE e pela Janela Única para Comércio Exterior.
Nos países onde estes comités operam eficazmente, uma redução de até 14% em custos comerciais e uma melhoria substancial na previsibilidade das operações.
🟦O caso argentino: oportunidade e desafio
A Argentina ainda não possui um Comitê Nacional com estrutura permanente, regulamentos e plano de trabalho, o que nos coloca em desvantagem em relação aos parceiros comerciais da região, como Brasil, Uruguai ou Chile, que já estão operacionais e relatando o progresso ao Comitê de Facilitação da OMC em Genebra.
A ausência de um CNCC ativo implica:
- Menos coordenação entre agências como Alfândega, SENASA, ANMAT, ARCA e outros órgãos reguladores.
- Baixa previsibilidade para importadores e exportadores.
- Oportunidades perdidas de otimizar a logística e atrair investimentos.
🟦Benefícios concretos de um Comitê Nacional na Argentina
A chave é unir-se ao mundo, cocriar soluções entre os diferentes intervenientes no comércio internacional e, depois, envolver-se com outros países e com a OMA para adotar ou analisar as melhores propostas globais (benchmarking).
- Redução de tempo e custos em portos, aeroportos e postos de fronteira.
- Melhor clima de negócios para PMEs exportadoras e operadores logísticos.
- Maior transparência e previsibilidade nas regras.
- Alinhamento com padrões internacionais, promovendo acordos comerciais e auditorias externas.
- Impacto direto na competitividade do país, o que se traduz em mais exportações e emprego.
Enquanto o Governo nacional decide implementar o que é exigido pela Lei que aprovou a AFC, alguma província ou região Central poderia criar seu próprio Comitê de Facilitação do Comércio, que inicialmente proporia mudanças nas regulamentações que dificultam e complicam as exportações nacionais.
🟦Uma chamada para ação
A Argentina não pode ficar para trás na facilitação do comércio. A criação de um Comitê Nacional, com participação efetiva do setor privado e sob as diretrizes da OMC e da OMA, é uma medida de baixo custo e alto impacto.
Num mundo onde a velocidade, a coordenação e a transparência são cruciais, Não ter essa organização está adiando nossa competitividadeA hora de agir é agora.
O autor é especialista em Comércio Internacional e possui mestrado em Administração Tributária e Finanças Públicas, com sólida formação acadêmica e vasta experiência em comércio exterior e políticas aduaneiras. Leciona na Universidade Nacional de Córdoba (UNC) e na Universidade Católica de Córdoba (UCC), onde ministra cursos relacionados a comércio internacional e facilitação do comércio. É também especialista credenciado pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA) e especialista em facilitação do comércio.









