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América Latina tenta cerrar fileiras contra o contrabando e a pirataria

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Autoridades governamentais e de agências privadas da América Latina foram convocadas em Brasília para unir forças contra o contrabando e a pirataria, dois crimes cada vez mais associados ao crime organizado transnacional.

«O contrabando não é mais uma atividade "artesanal", como era no passado, e está cada vez mais integrado a organizações criminosas transnacionais e gangues de tráfico de armas e drogas.", declarou o chanceler brasileiro, Aloysio Nunes, durante reunião da Aliança Latino-Americana Anticontrabando (ALAC).

O encontro contou com a presença de autoridades governamentais e do setor privado de uma dezena de países, a quem Nunes apelou para que “travem uma batalha comum” contra estes crimes, porque “Os esforços das agências de segurança não são suficientes» funcionários.

Dados

Segundo dados reiterados pela ALAC, o contrabando na América Latina movimenta cerca de 80.000 milhões de dólares anualmente, mas também é um fator que dificulta o desenvolvimento, pois contribui para aumentar a insegurança jurídica e, assim, afasta muitos potenciais investidores.

O brasileiro Edson Luiz Vismona, membro do conselho da ALAC, concordou com o chanceler Nunes e disse que os vínculos que o contrabando criou com o crime organizado transnacional constituem uma nova "ameaça aos Estados".

Segundo Vismona, o contrabando e a pirataria são “um fenômeno que se espalhou por toda a América Latina” e Elas afetam diretamente tanto a segurança jurídica exigida pelos empreendedores quanto outros aspectos "tão ou mais sérios", como a segurança e a soberania..

Vismona também destacou os danos que essas atividades causam à tesouro público e citou o caso do contrabando de cigarros, que, segundo dados da ALAC, "tomou 44% do mercado legal brasileiro" desses produtos, índice que chega a 22% no Chile e 14% na Argentina.

Entre os fatores que incentivam essa atividade, o diretor da ALAC destacou as "assimetrias tributárias" e o "aumento contínuo da carga tributária" nos países da região, exceto no Paraguai, considerado um dos mais ativos no contrabando de cigarros.

«O Paraguai é o país que impõe a menor carga tributária à produção de cigarros, com 16%, enquanto na Argentina, Brasil e Chile esses impostos variam entre 60 e 80%., ele assegurou.

Fronteira tripla

Ele também disse que, graças ao contrabando, as gangues do crime organizado se fortaleceram na região da "tríplice fronteira" entre Argentina, Brasil e Paraguai, que é um dos “mais atuantes” nesse crime e também em todos os tipos de tráfico ilegal.

"O contrabando e a pirataria de produtos também servem hoje para financiar o crime organizado", por isso "é necessária uma ação firme, envolvendo todos os órgãos de segurança dos países latino-americanos", acrescentou Vismona.

Setores

De acordo com os dados apresentados durante a reunião da ALAC, os setores em que o contrabando e a pirataria estão mais presentes nos países da América Latina são os de cigarros, calçados, têxteis, bebidas alcoólicas e audiovisuais.

Fonte: Reuters

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