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Resumo do webinar sobre as recomendações da ONU/CEFACT para o comércio, com foco na Janela Única

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Interoperabilidade, padronização e eficiência regional foram os eixos do webinar “As Recomendações da ONU/CEFACT para o Comércio”, realizada em 18 de junho de 2025. Com foco na implementação das Janelas Únicas de Comércio Exterior (SWW) e organizada pelo Instituto de Comércio e Conformidade (TCI) sob os auspícios da UN/CEFACT, a reunião reuniu autoridades, especialistas e acadêmicos de 14 países da América Latina e do Caribe.

O seminário forneceu ferramentas concretas para avançar em direção a um comércio mais ágil, seguro e coordenado por meio da adoção de padrões internacionalmente reconhecidos, como as Recomendações 33, 34 e 36 da ONU/CEFACT. Também apresentou casos de sucesso, como o da Costa Rica, que demonstram como uma estratégia nacional coordenada e sustentada pode gerar impacto econômico real.

O seguinte é compartilhado: conteúdo validado do seminário para análise e divulgação.

◼Capítulo I: Eduardo Leite – Recomendações da ONU/CEFACT para o Comércio Internacional 

O Relator Regional da ONU/CEFACT para a América Latina e o Caribe, Eduardo Leite, abriu o seminário com uma apresentação introdutória sobre o papel fundamental desempenhado pelo Centro das Nações Unidas para Facilitação do Comércio e e-Business no campo do comércio internacional. 

◼Capítulo II: Alejandro Rinaldi – Recomendações de Codificação para o Comércio Internacional 

Alejandro Rinaldi, Coordenador do Grupo de Trabalho de TIC, concentrou sua apresentação nas recomendações de codificação desenvolvidas pela ONU/CEFACT, destacando sua importância para a padronização e facilitação do comércio internacional. 

Rinaldi apresentou uma análise detalhada das principais recomendações de codificação, entre as quais destacou: 

Recomendação 3: Códigos que representam nomes de países (ISO), como BR para Brasil, CR para Costa Rica e UY para Uruguai. 

Recomendação 9: Códigos para representar moedas com curso legal (ISO), como BRB para o real brasileiro, CRC para o colón costarriquenho e UYU para o peso uruguaio. 

Recomendação 10: Códigos de identificação de navios da OMI, exemplificados pelo código 9387426 para o navio porta-contêineres "MSC DANIT". 

. Recomendação 5: Abreviações INCOTERMS (ICC), como CIF e FOB. 

. Recomendação 16: : Código para Locais Comerciais e de Transporte (UN/LOCODE), como “UY COA” para a Alfândega de Carrasco no Uruguai. 

Recomendação 17: Condições de pagamento, como “CONCREDOC/3M” para um pagamento confirmado em 3 meses. 

Recomendação 19: Modos de transporte, como o código “7” para oleodutos. 

Recomendação 20: Unidades de medida, como “KGM” para quilogramas ou “C62” para nêutrons. 

. Recomendação 28: Códigos para tipos de meios de transporte, como “53” para petroleiro ou “531” para petróleo bruto. 

O especialista enfatizou que, embora haja um custo associado à implementação e manutenção desses sistemas de codificação, os benefícios são exponenciais em termos de valor agregado. No entanto, ele apontou um paradoxo importante: no nível local, o benefício nem sempre justifica o custo, enquanto no nível regional, há um enorme desperdício de valor potencial. 

Rinaldi concluiu sua apresentação com um apelo à ação em relação à Recomendação 36 sobre Interoperabilidade de Janela Única, convidando os participantes a explorar mais esse tópico por meio de um formulário de acompanhamento. 

◼Capítulo III: Sofía Camacho Rojas – Elementos-chave para a constituição da VUCE 

Sofía Camacho Rojas, Ponto Focal do TCI na Costa Rica, dedicou sua apresentação aos elementos-chave para o estabelecimento de Janelas Únicas de Comércio Exterior (SWT), com base nas recomendações da UN/CEFACT. 

O debatedor iniciou citando o Artigo 10, Seção 4.1, do Acordo de Facilitação de Comércio da OMC, que afirma: “Os Membros se esforçarão para manter ou estabelecer um guichê único que permita aos comerciantes apresentar às autoridades ou agências participantes a documentação e/ou informações necessárias para a importação, exportação ou trânsito de mercadorias através de um único ponto de entrada. Após a análise da documentação e/ou informações pelas autoridades ou agências participantes, os requerentes serão prontamente notificados dos resultados através do guichê único.” 

Camacho Rojas estruturou sua apresentação em torno de dez elementos-chave para o estabelecimento bem-sucedido de um VUCE: 

1.   Definição de VUCE: Com base na Recomendação 33 da UN/CEFACT, que define a Janela Única como "um serviço que promove a facilitação do comércio, permitindo que as partes envolvidas no comércio e no transporte enviem informações e documentos padronizados em um único ponto de entrada, a fim de atender a todos os requisitos regulatórios relacionados à importação, exportação e trânsito. Os dados para cada elemento precisam ser enviados eletronicamente apenas uma vez." 

2.  Vontade PolíticaEle destacou três aspectos principais: comprometimento político, coordenação entre várias agências e gestão de mudanças. 

3.   Ambiente Jurídico:Com base na Recomendação 35, que abrange o reconhecimento legal de documentos eletrônicos, proteção de dados e privacidade, responsabilidade legal, compartilhamento de informações entre agências governamentais e a estrutura institucional. 

4. Agência Líder:Ele enfatizou o papel crucial de uma agência coordenadora com características específicas, como autoridade e apoio político, capacidade técnica e administrativa, neutralidade institucional, transparência e responsabilização. 

5.  Modelo VUCE:Ele apresentou diferentes modelos baseados na Recomendação 33 da UN/CEFACT. 

6.  Padronização de Dados:Ele explicou o guia de 4 etapas proposto na Recomendação 34. 

7. Serviços VUCE:Ele ilustrou com exemplos de implementações bem-sucedidas em Maurício, Suécia e Estados Unidos. 

8. Contexto regionalEle enfatizou aspectos importantes como a necessidade de cada país ter um VUCE Nacional com nível de operação semelhante, legislação nacional e regional bem definida e interoperabilidade como requisito para atingir objetivos regionais. 

9.  Normas Internacionais:Ele enfatizou a importância de adotar padrões reconhecidos globalmente. 

10. Interoperabilidade:Com base na Recomendação 36, enfatizou a necessidade de intercâmbio internacional de dados precisos. 

O palestrante concluiu enfatizando que o gerenciamento adequado do projeto é essencial para a implementação bem-sucedida de um VUCE. 

Capítulo IV: Eilyn Fallas Padilla – A experiência da Janela Única de Comércio Exterior da Costa Rica 

Eilyn Fallas Padilla, gerente de projetos do PROCOMER, compartilhou a experiência da Costa Rica na implementação de sua Janela Única de Comércio Exterior e na aplicação das recomendações internacionais da ONU/CEFACT. 

Fallas Padilla iniciou sua apresentação destacando os princípios fundamentais do VUCE da Costa Rica: – Centralizar, agilizar e simplificar procedimentos – Promover a colaboração entre agências governamentais – Estabelecer-se em áreas geográficas estratégicas 

O palestrante fez uma visão histórica da evolução do VUCE na Costa Rica: 

1996-2002: Fase de centralização e unificação de procedimentos 

- 2003-2013: Digitalização de procedimentos 

- Presente de 2022: Automação de procedimentos (Versão 3 do VUCE CR) 

Fallas Padilla apresentou dados concretos sobre o impacto econômico gerado pela inclusão de processos no VUCE, destacando benefícios que chegam a vários milhões de dólares (US$ 3,03 milhões e US$ 7,09 milhões em diferentes estágios de implementação). 

Entre as conquistas mais notáveis ​​do VUCE da Costa Rica, o palestrante mencionou: 

– Digitalização avançada liderada pela PROCOMER 

– Incorporação de pagamentos eletrônicos por meio do Sistema Nacional de Pagamentos Eletrônicos (SINPE) – Estabelecimento de um arcabouço legal robusto.

Na mesma linha, os esforços que estão a ser feitos em:

-Desenvolvimento de um modelo de dados comum entre licenças 

– Incorporação de todas as agências governamentais envolvidas 

– Interação do Sistema VUCE CR com aplicativos móveis 

– Incorporação de QR code em procedimentos 

– Implementação de uma Declaração Unificada 

– Incorporação do Sistema Nacional de Gestão de Riscos.

Bem como alguns dos desafios atuais, incluindo alcançar uma interoperabilidade regional eficaz. 

A experiência da Costa Rica foi apresentada como um caso de sucesso na região, demonstrando como a implementação de recomendações internacionais pode se traduzir em benefícios tangíveis para o comércio exterior de um país. 

◼Conclusão 

O webinar "Recomendações da ONU/CEFACT para o Comércio" proporcionou uma valiosa oportunidade de troca de conhecimento e experiências para os participantes, representantes de diversas instituições da América Latina e do Caribe. A ampla participação de entidades governamentais, organizações internacionais, instituições acadêmicas e empresas privadas de 14 países da região demonstra o crescente interesse na implementação de padrões internacionais para facilitação do comércio. 

As apresentações dos especialistas Sofía Camacho Rojas, Alejandro Rinaldi e Eilyn Fallas Padilla ofereceram uma visão abrangente das recomendações da ONU/CEFACT, com ênfase especial na implementação dos Guichês Únicos de Comércio Exterior. O caso da Costa Rica, apresentado por Fallas Padilla, ilustrou como a implementação efetiva dessas recomendações pode se traduzir em benefícios econômicos concretos e maior eficiência nos processos de comércio exterior. 

Um destaque do seminário foi a ênfase na interoperabilidade regional como fator-chave para maximizar os benefícios do Sistema de Janelas Únicas. Como observou o Sr. Rinaldi, embora em nível local a implementação de sistemas padronizados nem sempre justifique o custo, em nível regional existe um enorme valor potencial que atualmente está sendo inexplorado. 

O evento foi concluído com um apelo à ação para desenvolver ainda mais a Recomendação 36 sobre Interoperabilidade da Janela Única, ressaltando a importância da colaboração regional para avançar em direção a sistemas mais integrados e eficientes que facilitem o comércio na América Latina e no Caribe.

🌐Os interessados ​​podem participar através do seguinte link:

https://docs.google.com/forms/d/1P5LWwJ7yH9Jjz4Y0RR1wH3K7fqfuYXCZjNMw1hbt5KY/viewform?edit_requested=true

◼Lista de instituições participantes por país 

O seminário contou com a presença de representantes de instituições de 14 países da América Latina e do Caribe, entre eles: 

  • Argentina: Alfândega ARCA, Direção Geral de Alfândegas, SENASA, VUCE Argentina, Câmara de Comércio Exterior de Córdoba, Universidade Nacional de Lanús, entre outros. 
  • Colômbia: DIAN, Microsoft. 
  • Costa Rica: Ministério da Fazenda, PROCOMER, Direção Geral das Alfândegas, COMEX. 
  • El Salvador: Banco Central da Reserva, CIEX, Tribunal de Apelações da Receita Federal e Alfândega. 
  • Guatemala: Ministério da Economia, SIECA. 
  • Panamá: Alfândega, TCI. 
  • Paraguai: Direcção Nacional das Receitas Fiscais, IESC 
  • Peru: Ministério do Comércio Exterior e Turismo, MINCETUR. 
  • República Dominicana: Direção Geral das Alfândegas. 
  • Uruguai: ALADI, Direcção Nacional das Alfândegas, ADAU. 

Participaram também representantes de instituições de outros países, como Belize, Bolívia, Chile e Venezuela, demonstrando o escopo regional do evento e o interesse compartilhado na facilitação do comércio por meio da implementação de padrões internacionais e Janelas Únicas interoperáveis.

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