InícioComércioQuais foram os principais pontos abordados na Conferência sobre Integridade e Transparência Aduaneira de 2025, realizada no Uruguai?

Quais foram os principais pontos abordados na Conferência sobre Integridade e Transparência Aduaneira de 2025, realizada no Uruguai?

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Não podemos nos dar ao luxo de não informar o público sobre como combater a corrupção: "informação é o primeiro passo para a fiscalização", um dos conceitos-chave desta semana. Neste contexto, e por ocasião de Dia Internacional contra a Corrupção, A Direção Nacional de Alfândegas do Uruguai celebrou o Dezembro 9 O segundo dia dedicado à integridade e à transparência, com mais de 300 participantes, reafirmou o compromisso dos setores público e privado com a ética e a transparência na gestão aduaneira.

Abertura da sessão virtual, 9 de novembro de 2025

Seguem abaixo os principais pontos do dia:

A ética como eixo central

Para Senhor Joaquín SerraO Diretor Nacional da Alfândega afirmou que “a ética pública é um pilar essencial para proteger a sociedade e fortalecer a confiança dos cidadãos”; a este respeito, enfatizou que “diante da complexidade do comércio exterior e das atividades ilícitas de âmbito internacional, é fundamental contar com funcionários capacitados, honestos e comprometidos”.

Decisões baseadas em evidências

Com base nesse conceito anunciado, o primeiro expositor foi o Lic. Maria Mercedes Cano MartínezA Dra. Cano, especialista em Integridade do Programa A-CIP da OMA (Organização Mundial das Alfândegas), apresentou a palestra "Decifrando os Dados: Da Pesquisa de Integridade Aduaneira às Decisões Baseadas em Evidências". Ela explicou o conceito de "da intuição à evidência", enfatizando que as decisões estratégicas devem ser embasadas em informações quantificáveis. Destacou que a Pesquisa de Percepção da Integridade Aduaneira (CIPS) coleta percepções tanto do setor privado quanto dos próprios funcionários da alfândega, permitindo uma comparação de pontos de vista e uma melhor compreensão de como a administração é realmente percebida.

O Dr. Cano enfatizou que “saber como somos percebidos é essencial” e que os dados do CIPS são “um ponto de partida para o diálogo”, ressaltando que a interpretação requer comunicação bilateral e que “decisões baseadas em evidências fortalecem a integridade”.

Integridade como dever moral e colaboração prática

La Dra. Flavia Figueredo, Doutor em Direito e Ciências Sociais, referiu-se à “Integridade como dever fundamental da Administração e dos administrados. Os círculos virtuosos da colaboração”, começando com uma citação de José Saramago: “Com a mesma veemência com que reivindicamos nossos direitos, reivindiquemos também o dever de cumprir nossos deveres.".

Ele enfatizou que a integridade é dever de todos, tanto no governo quanto no setor privado, e a relacionou a padrões nacionais e internacionais que promovem a ética, a transparência e o profissionalismo na gestão aduaneira. Citou doutrinas relevantes. Também destacou a importância de ciclos virtuosos de colaboração, citando como exemplo a relação entre a Alfândega Uruguaia e a Câmara de Zonas Francas, e concluiu com uma citação de Mario Antonio Puig: “As pessoas não seguem o que ouvem, seguem o que veem. Nós somos o que fazemos.”

Integridade institucional e serviço ao interesse público

A intervenção de Dr. Felipe Rotondo, Um doutor em Direito e Ciências Sociais palestrou sobre o tema "Relações Funcionais e Conflitos de Interesse". Ele enfatizou que a administração pública existe para servir os cidadãos e que a percepção e a confiança do público são fundamentais para o seu funcionamento. Ressaltou que "o servidor público existe para a função, e não a função para o servidor público" e que todos os servidores públicos devem agir de acordo com princípios como "imparcialidade, transparência, razoabilidade" e a proibição da arbitrariedade. Destacou a importância de identificar e prevenir conflitos de interesse para preservar a integridade institucional e alertou que "qualquer uso indevido do cargo público para obter ganho pessoal prejudica a administração". Por fim, enfatizou que uma cultura organizacional ética requer treinamento, conscientização, orgulho institucional, trabalho em equipe e participação ativa em todos os níveis em programas de integridade e anticorrupção, promovendo a transparência e a confiança na administração.

Ações coletivas contra a corrupção e o contrabando

Para tal, o Dr. Fabián EspejoO Especialista Sênior Anticorrupção do Pacto Global da ONU apresentou o documento "Além do Controle: Combatendo o Contrabando por meio da Ação Coletiva". Ele enfatizou que a corrupção e o contrabando formam um ciclo vicioso que mina as instituições, afeta a concorrência, a segurança e as receitas públicas, e observou que a ação coletiva contribui para a promoção dos Dez Princípios do Pacto Global e do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16.5: "reduzir substancialmente a corrupção e o suborno em todas as suas formas".

Entre o casos de sucesso, explicou a experiência da Rede Marítima Anticorrupção (MACN) em Argentinaonde foi detectado um negócio ilícito avaliado em US$ 30 milhões anuais, ligado ao poder discricionário dos inspetores da SENASA. Após mais de três anos de colaboração com o governo, treinamentos e reuniões de acompanhamento, o marco regulatório foi reformado em novembro de 2017, eliminando quase todos os subornos e penalizando os casos restantes. Ele também mencionou a iniciativa MACN na Nigéria, destinada a combater a corrupção nos portos. Por fim, anunciou que, em 2026, o Pacto Global da ONU no Uruguai lançará uma ação coletiva para combater a corrupção associada ao contrabando.

Ética, Transparência e Treinamento

Para encerrar as exposições, o Dr. Carlos E. Delpiazzo Ele enfatizou claramente a importância da ética e da transparência no serviço público, vinculando-as a códigos de conduta e treinamento contínuo. Ressaltou que a ética se constrói na prática diária, por meio do compromisso de fazer um bom trabalho e da busca por agir com virtude.

Em relação à transparência, ele explicou que ela vai além da mera publicidade: implica que as ações dos servidores públicos sejam visíveis e compreensíveis, criando deveres para a administração e direitos para os cidadãos. Ele também destacou sua dimensão ética: não basta fazer um bom trabalho; seu valor deve ser percebido e reconhecido. Por fim, enfatizou que a informação é fundamental para a fiscalização social, pois sem informação não pode haver fiscalização.

Transparência e ética em ação.

Assim, a Direção Nacional das Alfândegas retomou o painel com a Sra. María Victoria Cornacchione, que orgulhosamente e com entusiasmo destacou que a agência permanece, pelo segundo ano consecutivo, em segundo lugar no INTAI (Índice Nacional de Transparência e IntegridadeSeguindo a abordagem da OMA, ele enfatizou a importância da tomada de decisões baseada em evidências e destacou a Pesquisa de Percepção da Integridade Aduaneira como ferramenta estratégica para orientar ações, fortalecer o Plano de Integridade e fomentar a colaboração entre os setores público e privado por meio de oficinas de capacitação.

Esta pesquisa foi realizada entre 6 e 26 de outubro de 2025, de forma voluntária, confidencial e anônima, sob a coordenação da OMA (Organização Mundial das Alfândegas). Teve como público-alvo funcionários da alfândega e representantes do setor privado, incluindo: ADAU (Associação de Despachantes Aduaneiros do Uruguai), AUDACA (Associação Uruguaia de Agentes de Carga), AUDESE (Associação Uruguaia de Empresas de Serviços Expressos), CATIDU (Câmara Uruguaia de Transporte Terrestre Internacional), CCSUY (Câmara Uruguaia de Comércio e Serviços), CZFUY (Câmara Uruguaia de Zonas Francas), CALOG (Câmara Uruguaia de Logística), CENNAVE (Centro de Navegação), UEU (União dos Exportadores Uruguaios) e CIU (Câmara Uruguaia das Indústrias).

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