A Lei Modelo sobre Perda de Bens é um instrumento jurídico de crescente interesse para a América Latina. Colômbia, Equador, México, El Salvador, Honduras, Guatemala, Peru, Bolívia e Argentina adotaram esse novo mecanismo como uma resposta eficaz contra o crime organizado, uma vez que visa exclusivamente a perseguição e a restituição de ativos obtidos por meio de atividades ilícitas.
No recente Fórum Parlamentar sobre Inteligência e Segurança, realizado nos dias 29 e 30 de junho na Cidade do Panamá, Especialistas analisam vantagens da Lei Modelo sobre Perda de Bens, aprovado pelo Parlamento Latino-Americano e do Caribe (PARLATINO) em fevereiro de 2021.
O diretor regional do Crime Stoppers para o Caribe, Bermudas e América Latina, Alejo Campos, disse que “os recursos econômicos são a força motriz da estrutura criminosa. Enquanto ela estiver intacta, a organização criminosa nunca enfraquecerá.”
"Segundo as Nações Unidas, um por cento desses lucros são apreendidos, o que significa que 99% permanecem nas mãos de organizações ilegais", acrescentou Armando Padilla, Assessor de Justiça da Embaixada dos EUA no Panamá.
Nesse sentido, o especialista destacou os diversos esforços internacionais que vêm avançando com ferramentas práticas que permitem a apreensão de bens, como a Lei Modelo sobre Perda de Bens do PARLATINO.
“Este esforço compartilhado pela Colômbia, Peru, México, El Salvador, Honduras, Guatemala, Bolívia, Equador e Argentina se caracteriza por seu objetivo de declarar a propriedade em favor do Estado de mercadorias cuja origem é ilícita, através de um processo autônomo do processo criminal”, explicou Padilla.
Ele também acrescentou que “o Ministério Público É o órgão que realiza a investigação com o patrocínio de unidades de inteligência financeira e solicita ao juiz a adoção de medidas cautelares legais ou materiais para localizar e imobilizar bens dessa origem e esses procuradores solicitam Magistrados especializados em confisco de bens que ocorre a esse respeito.”
Neste contexto, Padilla disse que “existem diferentes variantes no procedimentos. O projeto de lei panamenho, comentado pelo Secretário-Geral do Ministério da Segurança Pública, Jonathan Anier Riggs, propõe que a ação seja jurisdicional e de natureza oral.
“O importante sobre a extinção do domínio é a proteção que exerce sobre a propriedade que toda pessoa tem e da qual ninguém pode ser arbitrariamente privado", esclareceu.
Como funciona a implementação do confisco de domínio na Argentina?
“No caso argentino, o projeto de extinção de domínio foi impulsionado em 2016, seguindo o modelo colombiano: este país conseguiu remover obstáculos constitucionais com esta ação civil, autônoma, de aplicação retroativa e prescritível”, comentou o deputado nacional Luis Petri. Ele também afirmou que "nossas constituições não podem garantir a propriedade privada de organizações criminosas porque ela deve ser removida e devolvida aos Estados nacionais. Daí a importância de se estabelecer uma atuação autônoma com Ministério Público especializado e processo civil.”
O deputado argentino comentou que o projeto original de extinção do domínio obteve sanção parcial da Câmara dos Deputados. Dois anos depois, o Senado o aprovou, mas com diversas modificações em relação ao projeto original da Câmara dos Representantes, que tomava como exemplo a Lei Modelo da Unidade das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. Diferentemente do projeto de lei da Câmara dos Deputados, o projeto de lei proposto, que foi aprovado pelo Senado e retornou à Câmara para uma segunda análise, vinculou a lei de extinção de domínio ao processo penal e exigiu uma sentença em primeira instância. Foi quando o então presidente Mauricio Macri assinou um Decreto de Necessidade e Urgência que propôs "extinguir por meio de ação civil o direito à propriedade ilícita".
Segundo Petri, o decreto continua em vigor na atual gestão de Alberto Fernández, mas não foi promovido nem aplicado. "No entanto Algumas províncias, como Mendoza, modificaram sua legislação processual e, com base nesse decreto, estabeleceram o confisco de bens por crimes contra a administração pública", disse o funcionário.
“Recentemente, houve Dois processos na província de Mendoza: uma delas referente a um agente público condenado por corrupção e outra, referente à apreensão de três veículos de alto padrão, três imóveis e dinheiro em espécie, em favor do Estado", afirmou.
Outros conceitos
Os especialistas destacaram então outros aspectos da Lei Modelo sobre Perda de Domínio, tais como: Proteção de terceiros de boa-fé No processo de extinção de domínio (pessoas não envolvidas em comportamento ilícito, mas que em virtude de uma transação legal são diretamente afetadas), o destino social dos bens (Exemplo: financiamento de programas de assistência e reparação para vítimas de atividades ilícitas) e a dever de cooperação internacional de um Estado no que se refere a investigações e procedimentos que tenham por objeto a extinção de domínio, qualquer que seja sua denominação.
“Este instrumento, juntamente com a lei modelo sobre segurança cibernética e a Lei Modelo Contra o Crime Organizado "Há três elementos fundamentais que devem ser trabalhados em conjunto para inspirar a legislação dos países da América Latina e do Caribe com o objetivo de reformar ou desenvolver novas legislações", disse Alejo Campos ao moderar o painel.
"Precisamos parar de pensar nas leis como instrumentos independentes", concluiu.
Alguns fundamentos da Lei Modelo sobre Perda de Bens
- O principal objetivo da lei modelo é atuar sobre o "organização» como um fator central no crime organizado.
- As organizações criminosas associadas ao tráfico de drogas, ao tráfico de pessoas, à lavagem de dinheiro e a outros crimes de natureza transnacional atingiram um nível dimensão regional e escaparam do controle das instituições nacionais.
- O desenvolvimento explosivo do tecnologia oferece grandes vantagens às organizações criminosas para esconder e maximizar operações ilegais.
- Tal situação torna necessário estratégia territorial para enfrentar o crime organizado regionalmente.
- Consequentemente, é essencial atacar não só os meios e mecanismos utilizados por estas organizações para as suas actividades criminosas, mas também ganhos, o produto e o lucro dessas atividades ilícito.
O Aduana News é o primeiro jornal aduaneiro argentino a lançar sua versão digital. Com 20 anos de experiência, suas publicações e iniciativas visam facilitar o conhecimento mais relevante sobre questões aduaneiras, a fim de contribuir para o comércio seguro na região.








