Recentemente, a Câmara de Comércio Internacional (ICC) publicou seu relatório mais abrangente até o momento: “Digitalização do comércio global: um roteiro para interoperabilidade e confiança em escalaEm 31 páginas, o documento descreve um plano concreto para abandonar os processos em papel e construir um ecossistema de negócios global interoperável centrado em dados estruturados e confiança digital.
◼Um ponto de virada na agenda do comércio digital
De acordo com o TPI, o Anos 2023 y 2024 marcou uma mudança decisiva na digitalização do comércio internacional. Avanços legislativos, novas estruturas de confiança digital e o aumento da cooperação internacional estão lançando as bases para um sistema comercial mais ágil, transparente e inclusivo.
Nesse contexto, o comércio transfronteiriço está começando a superar a fragmentação regulatória, os processos manuais e a dependência do papel. Governos, organizações multilaterais e empresas concordam que a digitalização é fundamental para fortalecer as cadeias de suprimentos e facilitar o acesso ao comércio, especialmente para PMEs e economias em desenvolvimento.
Um fato relevante: Até ao final de 2024, dez jurisdições Algumas economias — incluindo o Reino Unido e a França — já adotaram legislação baseada na Lei Modelo sobre Registros Eletrônicos Transferíveis (MLETR), desenvolvida pela Comissão das Nações Unidas para o Direito Comercial Internacional (UNCITRAL). Essa norma permite a digitalização de documentos comerciais, como conhecimentos de embarque ou notas promissórias, com plena validade jurídica. Essas economias representam 37% do PIB global e outras 34% estão em processo de harmonização jurídica e fortalecimento institucional.
Em paralelo, Fórum como o G7, o G20, a APEC, o DEPA — um acordo regional assinado pelo Chile, Nova Zelândia e Cingapura para impulsionar a cooperação na economia digital — e o Quadro de Economia Digital da ASEAN incorporaram a transformação digital do comércio em suas agendas políticas.
◼Tendências que estão transformando o comércio
Complementando este quadro institucional, o relatório identifica quatro fatores impulsionando a mudança em direção ao comércio centrado em dados, mas ainda enfrentando desafios para atingir escala global:
- Plataformas e redes de dados comerciaisMais de 200 sistemas gerenciam informações de logística, conformidade, financiamento e sustentabilidade. No entanto, muitos permanecem fechados, limitando a interoperabilidade.
- Janelas Simples de Nova GeraçãoEmbora 69% das medidas nacionais de comércio eletrônico estejam em vigor, apenas 47% das iniciativas transfronteiriças estão parcialmente operacionais.
- Digitalização do financiamento comercialEmbora o uso da norma ISO 20022 esteja crescendo, muitas empresas e bancos ainda trabalham com processos manuais ou híbridos.
- Identidade digital e confiança:O uso do Identificador de Entidade Jurídica (LEI) e sua versão verificável (vLEI) está progredindo, mas ainda não está totalmente integrado aos fluxos comerciais, financeiros e alfandegários.
◼Roteiro para interoperabilidade
O TPI propõe uma estratégia global baseada em quatro pilares para escalar a digitalização do comércio:
- Mapeamento de dados-chave: Identificação de 189 elementos essenciais contidos em 36 documentos comerciais para sua padronização digital.
- Interoperabilidade e confiança digital: Adoção do princípio “verifique uma vez, use muitas vezes” e uso de credenciais digitais confiáveis, como o LEI/vLEI.
- Pilotos reais e escaláveis: Prova de conceitos em corredores comerciais para validar soluções e facilitar a expansão regional e global.
- Governança colaborativa: coordenação entre governos, organizações multilaterais, bancos, seguradoras, provedores de tecnologia e câmaras empresariais.
"NÃOOu podemos presumir que a digitalização e o aumento do fluxo de dados gerarão automaticamente o sistema de comércio inclusivo e interoperável que buscamos. Devemos caminhar em direção a esse futuro com medidas deliberadas e coordenadas, onde a conectividade e a colaboração sejam a norma.Dito Pamela Mar, Diretora Executiva da Iniciativa de Padrões Digitais da ICC.
◼Por que a América Latina deveria se importar?
Porque, de acordo com as últimas Pesquisa sobre Facilitação do Comércio Global Segundo a UNCTAD, o progresso na região é desigual e ainda limitado, especialmente em áreas-chave como o comércio eletrônico sem papel, também conhecido como comércio transfronteiriço sem papel. O relatório enfatiza que uma implementação mais rápida e coordenada dessas medidas é essencial para diversificar as exportações e facilitar a participação das PMEs no comércio internacional.
Neste contexto, o apelo do TPI assume especial relevância. Com mais de 45 milhões de empresas representadas em mais de 170 países, a organização sublinha que A digitalização do comércio não é apenas uma questão de eficiência, mas uma ferramenta para construir um sistema mais rápido, inclusivo e confiável.
Desta forma, o relatório convida todos os intervenientes no ecossistema comercial —públicas e privadas— para assumir compromissos concretos: adotar padrões comuns de identidade digital, atualizar marcos regulatórios e investir em infraestruturas tecnológicas abertas e escaláveis.
A ação diante da mudança deve ser uma prioridade para todos.
Convidamos você a baixar o relatório completo do ICC DSI 2025, disponível em inglês. Aqui.
O Aduana News é o primeiro jornal aduaneiro argentino a lançar sua versão digital. Com 20 anos de experiência, suas publicações e iniciativas visam facilitar o conhecimento mais relevante sobre questões aduaneiras, a fim de contribuir para o comércio seguro na região.








