O saque de bens culturais é uma das formas mais antigas de crime organizado transfronteiriço e se tornou um fenômeno global no topo da lista de preocupações prioritárias das administrações alfandegárias. Sobre isso, o Alfândega Argentina informou neste domingo (09.07.2023/XNUMX/XNUMX) que ele se recuperou Uma das 1.500 cópias da Declaração de Independência que, em 13 de agosto de 1816, o diretor supremo Juan Martín de Pueyrredón ordenou que fosse impressa para informar ao país e ao mundo que éramos livres e independentes da Espanha colonialista.
"O documento é de suma importância, visto que o documento original manuscrito, assinado pelos representantes das Províncias Unidas do Rio da Prata, desapareceu sem deixar vestígios", disse a Alfândega.
As 1.500 cópias — agora consideradas originais — trazem uma marca que as certifica. Nos últimos 200 anos, apenas alguns sobreviveram em museus e arquivos, tornando-os verdadeiros tesouros nacionais.
Em 1916, quando se preparavam as comemorações do Centenário da Independência, o presidente Victorino de la Plaza ordenou uma busca pelo documento original manuscrito, sem sucesso. O presidente Arturo Illia fez o mesmo cinquenta anos depois, mas o documento original continua desaparecido até hoje.
Especificamente, a operação começou graças ao intercâmbio internacional de informações, já que o Ministério da Cultura do Peru alertou sobre o roubo de um livro manuscrito, escrito entre 1772 e 1773.
Resposta aduaneira ao tráfico de bens culturais
Na tentativa de resolver esse problema, uma investigação revelou que o documento estava à venda em uma livraria virtual especializada na venda de livros raros e antigos, sediada em Buenos Aires. Foi nesse contexto que a Alfândega Argentina interveio junto ao Tribunal Penal Econômico e realizou oito buscas em diferentes endereços da Área Metropolitana de Buenos Aires (AMBA).
Durante essas operações, a agência liderada por Guillermo Michel recuperou livros, pinturas e até relógios Rolex de ouro, todos sem a documentação necessária. Entre os tesouros patrimoniais encontrados estava a já mencionada cópia impressa da Declaração de Independência da Argentina, feita um mês depois do original.

Além disso, o livro que o Peru reivindicava foi encontrado e devolvido.
A este respeito, Michel disse: “Recuperámos uma peça fundamental do nosso patrimônio nacional que tem grande valor histórico e simbólico. Gostaria de destacar o trabalho dos agentes aduaneiros que impediram que uma parte fundamental da nossa história saísse do país.”
Vale destacar que a ata recuperada reflete a emenda feita em 19 de julho de 1816, a pedido de Pedro Medrano, em sessão secreta: o deputado havia solicitado acrescentar que não seríamos independentes apenas do rei Fernando VII, seus sucessores e metrópole, mas também de qualquer outra dominação estrangeira.
“A recuperação deste documento não envolve apenas a aplicação das leis alfandegárias e a salvaguarda do patrimônio cultural. Significa também um ato de soberania nacional, de cuidado com a memória coletiva da nossa nação — do presente e enraizado no passado, olhando para o futuro. A peça é uma fonte primária para pesquisa histórica”, concluiu Michel.
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