Como acontece todos os anos em abril, ministros das finanças e autoridades monetárias de todo o mundo se reúnem em Washington para as Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM), que este ano ocorrem de 13 a 18 de abril sob o tema "Construindo prosperidade por meio de políticas públicas".
Nesse contexto, o relatório foi divulgado antecipadamente. Panorama econômico da América Latina e do CaribeO Banco Mundial projeta um crescimento de 2,1% para a região em 2026, abaixo dos 2,4% estimados para 2025. Em 2027, a expansão voltaria a ficar em torno de 2,4%.
O relatório alerta que o desempenho econômico regional continua condicionado por um contexto internacional complexo, caracterizado por altos custos de financiamento, incerteza geopolítica e desaceleração do comércio global.
Argentina: risco e estabilização
Nesse contexto, a seção sobre a Argentina torna-se relevante, uma vez que o Banco Mundial a destaca na região, observando que a estabilização e as reformas implementadas melhoraram as expectativas e as condições financeiras.
A organização explica que o país passou de um déficit considerável em 2023 para um superávit primário e geral, por meio da racionalização dos gastos públicos, da redução das ineficiências administrativas e do redirecionamento dos subsídios à energia para evitar que beneficiassem famílias de renda mais alta.
Esse processo ajudou a “ancorar as expectativas de inflação e comprimir o risco soberano”. Nesse sentido, o risco-país, medido pelo EMBIG, apresentou uma redução acentuada: caiu de níveis próximos a 2.200 pontos-base em 2022-23 para cerca de 1.400 em 2024, próximo a 750 em 2025 e abaixo de 600 pontos-base em março de 2026.
Com base nisso, o Banco Mundial observa que o Governo fez progressos em uma agenda pró-crescimento que inclui reformas tributárias e programas de incentivo ao investimento.
Merece destaque o Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI, na sigla em inglês), voltado para projetos em setores estratégicos como energia, petróleo, gás, mineração, tecnologia, infraestrutura e turismo. O programa inclui reduções no imposto de renda, depreciação acelerada, 30 anos de estabilidade tributária, benefícios cambiais graduais, isenções alfandegárias e reduções nas taxas de exportação.
Fatores externos: os Estados Unidos e a União Europeia
O relatório também destaca o surgimento de fatores externos complementares para a economia argentina.
Em 5 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos e a Argentina lançaram um acordo estratégico para fortalecer as cadeias de suprimento de minerais críticos, vinculando o financiamento e os instrumentos de demanda dos EUA ao programa RIGI.
Em paralelo, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia — já ratificado pelo Congresso argentino —, quando estiver totalmente operacional, previsto para 1º de maio de 2026, permitirá um acesso ampliado a mercados de alto poder aquisitivo e melhorará a previsibilidade de investimentos e exportações.
No âmbito nacional, o Banco Mundial também menciona as reformas trabalhistas aprovadas pelo Congresso e as melhorias no ambiente de negócios como fatores que fortalecem o ambiente de investimento.
Segundo a organização, esse conjunto de medidas alterou significativamente as expectativas econômicas, a ponto de o crescimento acumulado projetado para a Argentina ter passado de uma contração de -0,4% entre 2011 e 2024 para uma expansão de 12,2% estimada para o período de 2024 a 2027.
O comércio internacional como pedra angular do desenvolvimento
O Banco Mundial afirma que o comércio internacional continua sendo uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento a longo prazo, possibilitando maior acesso ao mercado, integração tecnológica e melhorias na produtividade.
No entanto, ele alerta que os benefícios dependem não apenas do grau de abertura, mas também de como os países se integram à economia global por meio de acordos comerciais preferenciais.
Esses acordos não se limitam à redução de tarifas, mas também incluem medidas não tarifárias e políticas transfronteiriças — como procedimentos aduaneiros, regras de investimento, regras de concorrência e propriedade intelectual —, tornando-os um instrumento central para a liberalização do comércio e para a determinação do acesso efetivo aos mercados globais.
O relatório indica que a América Latina apresenta uma heterogeneidade significativa em sua integração comercial. Enquanto países como Chile e Peru demonstram altos níveis de integração global, Argentina e Brasil possuem uma cobertura de acordos comerciais mais limitada, representando aproximadamente 20% do PIB mundial.
No caso do Mercosul, o Banco Mundial alerta que sua estrutura de união aduaneira limita a autonomia comercial dos países membros e reduz sua capacidade de negociar acordos de forma independente. Destaca também a baixa intensidade do comércio intrarregional, próxima a 10%, o que reflete desafios na integração produtiva.
Nesse contexto, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia é visto como uma oportunidade fundamental para melhorar a integração internacional do bloco.
Por fim, o relatório destaca que a Argentina e a região da América Latina e do Caribe detêm aproximadamente 50% dos recursos mundiais de lítio, reforçando seu valor estratégico em um contexto de transição energética global.
Esse potencial abre oportunidades para aprofundar o acesso ao mercado e as alianças baseadas em regras.
Em resumo, o relatório do Banco Mundial destaca que o impacto dessas recomendações dependerá da capacidade dos países de traduzi-las em políticas concretas, sendo a educação, os marcos institucionais, o financiamento e a integração comercial cruciais para sustentar o crescimento.
◼ Para obter informações mais detalhadas, consulte o relatório recente do Banco Mundial. Panorama econômico da América Latina e do Caribe. https://openknowledge.worldbank.org/server/api/core/bitstreams/a1baf8eb-b679-43f6-b49b-a97d29838bd8/content
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