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Brasil e Panamá caminham para possíveis negociações para um acordo comercial no âmbito do MERCOSUL.

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O Presidente da República do Panamá, José Raúl Mulino, fez uma visita oficial a Brasília esta semana, que incluiu um encontro com seu homólogo Luiz Inácio "Lula" da Silva, a assinatura de acordos econômicos e sua participação como palestrante principal em um fórum empresarial com o objetivo de promover o Panamá para o setor privado brasileiro.

Mercosul e integração regional

Segundo informações do governo brasileiro à imprensa, no encontro no Palácio do Planalto, Lula – que atualmente ocupa a presidência semestral do MERCOSUL – continua promovendo ativamente a agenda externa regional do bloco sul-americanoEm suas palavras: “Instruímos nossas equipes a prosseguir com as negociações para um acordo comercial e um acordo de promoção de investimentos com o Panamá, que posteriormente poderiam ser estendidos a outros parceiros do MERCOSUL.", disse Lula.

O Panamá detém o estatuto de Estado Associado desde dezembro de 2024, Após a assinatura do Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 76, que estabelece a liberalização progressiva do comércio de bens e serviços, incentiva o investimento recíproco e fortalece a integração econômica e logística regional.

Relação bilateral Brasil-Panamá

Além deste anúncio, o Presidente Lula enfatizou que a visita de Mulino representa "o início de uma nova fase nas relações entre Brasil e Panamá", após 17 anos sem visitas presidenciais. Ele enfatizou que a relação bilateral deve ser bilateral, com benefícios compartilhados e uma balança comercial equilibrada:

"Não pode haver uma relação em que um país tenha um déficit comercial muito grande com o outro, porque isso cria dificuldades até mesmo internamente, no Congresso Nacional, e entre os empresários de cada país."

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou que o comércio bilateral totalizou US$ 6.500 bilhões na última década. Até 2024, as exportações brasileiras para o Panamá chegarão a US$ 905 milhões, um aumento de 197% em relação a 2015, consolidando o Panamá — com a maior renda per capita da América Central — como um mercado promissor para mais de 600 produtos brasileiros.

Lula também reafirmou o apoio do Brasil à soberania do Panamá sobre o Canal, que ele administra de forma eficiente e neutra há mais de 25 anos, e anunciou que o Brasil aderirá ao Tratado de Neutralidade Permanente do Canal, assinado por mais de 140 países.

Em termos de cooperação bilateral, foram assinados memorandos nas áreas de agricultura, transferência de tecnologia e saúde animal, além de um acordo de facilitação de investimentos para proporcionar segurança jurídica às empresas. Lula parabenizou Mulino pela compra de quatro aeronaves Super Tucano da Embraer e destacou a importância de ampliar a cooperação em logística, transporte marítimo e ciência e tecnologia.

Segurança, meio ambiente e sustentabilidade

Ambos os líderes concordaram em fortalecer os laços estratégicos entre a maior economia da região e o principal polo logístico da América Latina e do Caribe. Brasil e Panamá Reafirmaram o seu compromisso com o multilateralismo e o desenvolvimento sustentável, e concordaram em trabalhar juntos em fóruns internacionais e na agenda ambiental antes da COP30, que será realizada em 2025 no Brasil.

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