O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, reconheceu nesta quarta-feira (20.3.2019) que não consultou a Argentina, seu principal parceiro no Mercosul, antes do acordo entre os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump para lhe conceder uma cota de 750.000 mil toneladas de trigo norte-americano sem tarifas, mas disse estar disposto a discutir o assunto.
"Há um clima muito bom com a Argentina para discutir esse assunto, além de preocupações nossas como o acesso ao açúcar brasileiro, que tentamos colocar no Mercosul desde 1991. Pode ser uma oportunidade para abordar essas questões., respondeu Araújo em entrevista coletiva.
O ministro foi questionado sobre a preocupação da Argentina, principal fornecedora de trigo para o Brasil, com o acordo fechado durante a visita de Bolsonaro à Casa Branca para lhe dar uma cota sem a tarifa obrigatória extra-Mercosul de 10% sobre o trigo americano.
O ministro disse que não discutiu esse assunto com a Argentina, mas lembrou que "a modernização do Mercosul já foi discutida".
Durante a coletiva de imprensa, o chanceler relembrou a visita de Bolsonaro aos Estados Unidos, que será seguida por um tour pelo Chile e Israel.
Bolsonaro foi o primeiro presidente desde 1994 a não visitar nenhum dos países do Mercosul em sua primeira viagem e, segundo seu chanceler, "atualmente o governo brasileiro tem convergência de conceitos com o Chile, além de interesses econômicos recíprocos".
Araújo disse que a viagem de Bolsonaro ao Chile, onde participará do lançamento do grupo Prosur e de uma visita bilateral, "marca um excelente momento nas relações" com o país transandino.
O chanceler brasileiro confirmou que o Brasil escolheu o Chile como ponte do Pacífico para o projeto do corredor bioceânico, que prevê a construção de estradas e ferrovias ligando seus portos de Santos, o maior da América Latina, e os de Paranaguá, Rio Grande e Itajaí, no sul do país.
Ele ressaltou que a nova organização será "mais leve que a Unasul, que tinha um perfil ideológico e não existe mais porque fracassou, não conseguiu construir um quilômetro de rodovias".
Ao fazer um balanço da visita de Bolsonaro a Trump, o chanceler Araújo disse que "o Brasil precisa aderir aos instrumentos ocidentais" aos quais foi convocado pelos Estados Unidos, como ter um vínculo privilegiado com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O Brasil concordou em reduzir sua posição vantajosa na Organização Mundial do Comércio para permitir que os Estados Unidos abram as portas para a OCDE ou "clube dos ricos", para o qual deve ter metas de gestão e abertura econômica, o que lhe dará um status mais elevado para receber investimentos.
Trump se ofereceu para trabalhar para tornar o Brasil, a segunda maior economia dos Estados Unidos, um aliado extra-OTAN ou "um membro permanente".
Fonte: Telam
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