Em março, a Argentina registrou um superávit comercial de US$ 323 milhões, o que representa uma queda de 84,3% em relação ao mesmo mês de 2024, quando o saldo positivo havia atingido US$ 2.160 bilhões.
Apesar da forte queda anual, o resultado foi favorável pelo décimo sexto mês consecutivo, de acordo com um relatório recente do INDEC.
Em termos mensais, o superávit de março refletiu uma melhora de 42,3% em relação a fevereiro, quando a balança comercial havia apresentado um superávit de US$ 227 milhões.
Os exportações totalizaram US$ 6.329 bilhões em março, o que implicou uma queda de 2,5% em relação ao ano anterior. O declínio foi explicado por uma queda de 4,2% nas quantidades exportadas, que não foi compensada por um aumento de 1,8% nos preços.
Os principais itens de exportação apresentaram valores díspares. As vendas de produtos primários caíram 16,1% em relação ao ano anterior, enquanto as vendas de combustíveis e energia caíram 13,5%. Em ambos os casos, o declínio foi explicado por quedas tanto nos preços quanto nas quantidades. Em contrapartida, as exportações de produtos manufaturados aumentaram 13,1%, impulsionadas pelo aumento dos preços (14,1%), embora as quantidades tenham caído 1%. No caso das manufaturas agrícolas, as quantidades aumentaram 1,2%, o que compensou a queda dos preços (–0,4%).
Em relação aos destinos, as exportações argentinas cresceram para Estados Unidos (33,2%), União Europeia (8,4%) e Índia (14,3%), enquanto diminuíram para Mercosul (-4,4%) e China (-14,0%).
Os importações, Por sua vez, totalizaram US$ 6.006 milhões com um salto interanual de 38,5% em relação ao mesmo mês de 2024 devido ao aumento das quantidades (47,5%) e à redução dos preços (6,0%).
Os valores de todos os usos econômicos cresceram. Destacam-se as maiores quantidades importadas de veículos automotores de passeio (106,2%), combustíveis e lubrificantes (75,1%), bens de capital (70,9%), peças e acessórios (53,3%) e bens intermediários (10,7%).
As compras das principais origens também cresceram: Mercosul (20,1%), Estados Unidos (21,0%), União Europeia (44,3%), China (86,7%) e Índia (90,9%).

Primeiro trimestre
No primeiro trimestre do ano, a Argentina acumulou uma superávit comercial de US$ 761 milhõess, com exportações de US$ 18.383 milhões e importações de US$ 17.623 milhões, o que representa uma queda de 82,1% em relação ao superávit comercial registrado no mesmo período de 2024.
Apesar da queda anual do superávit comercial em março, a Argentina conseguiu manter um saldo positivo pelo décimo sexto mês consecutivo. A queda nas exportações, aliada ao forte aumento das importações, explica a piora dos resultados em relação a 2024. No entanto, as exportações industriais se destacaram, com melhora mensal em relação a fevereiro.
Neste contexto, o Mestre. Gustavo Fadda, especialista em comércio internacional, analisou os fatores que explicam esse desempenho e ofereceu um panorama dos desafios e oportunidades que o país enfrenta: “O superávit comercial acumulado de US$ 761 milhões, embora positivo, representa uma queda considerável em relação a 2024. Essa deterioração se deve a uma combinação de menor competitividade das exportações e forte aumento das importações.”
No entanto, ele ressaltou que o cenário também apresenta oportunidades claras:
- Exportações industriais em ascensão: Setores de alto valor agregado, como a indústria e a agropecuária, estão se consolidando como uma plataforma estratégica para diversificar a oferta de exportação.
- Diversificação geográfica: Avançar na consolidação de mercados como Estados Unidos, União Europeia e Índia é fundamental para reduzir a exposição à volatilidade de parceiros tradicionais como China e Mercosul.
- Estratégias de comércio digital: A incorporação de ferramentas inovadoras, como criptomoedas ou moedas digitais — incluindo o yuan digital — pode otimizar transações e abrir novos mercados, proporcionando agilidade, segurança e redução de custos.
Concluindo, Fadda afirmou que "o primeiro trimestre de 2025 reflete um equilíbrio desafiador para o comércio exterior argentino, com sinais mistos entre o dinamismo de certos setores e tensões estruturais persistentes". Ele acrescentou: "Iniciar políticas que fortaleçam a competitividade, promovam a inovação financeira e consolidem a diversificação do mercado será fundamental para sustentar o crescimento sustentável e fortalecer a posição do país no cenário global."
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