A Argentina começou a exportar gás natural não convencional para o Chile nesta terça-feira (30.10.2018) após 12 anos de suspensão, em um sinal que visa alcançar uma maior integração das matrizes energéticas de ambos os países, disse o presidente chileno, Sebastián Piñera.
Em evento nos arredores de Santiago, foi reiniciada a importação oficial de gás natural, proveniente principalmente da província argentina de Neuquén, especialmente do depósito de Vaca Muerta, que será utilizado para abastecer clientes da região central do Chile.
"Depois de 12 anos, hoje conseguimos abrir novamente a válvula de gás", disse Piñera. "Isso nos permitirá substituir outros combustíveis mais caros e poluentes, como o petróleo e, até certo ponto, o carvão."
Segundo a mídia local, os contratos de importação foram feitos a um valor entre US$ 4,2 e US$ 4,3 por milhão de BTU, o que implicaria que o gás argentino competiria com as termelétricas a carvão que operam em território chileno.
Muito satisfeito com a retomada das importações de gás natural argentino para geração de energia elétrica com o Presidente @sebastianpinera e o Secretário de Energia da Argentina @javierjiguacel. Ela traz importantes benefícios energéticos e ambientais para o nosso país. foto.twitter.com/arcNFwmedU
— Susana Jimenez (@susanajimenezs) 30 outubro 2018
Chile sem reservas de gás
O Chile, que quase não tem reservas de gás, teve que desenvolver investimentos multimilionários nos últimos anos, para construir portos e instalações de armazenamento para importar gás natural liquefeito (GNL) no norte e centro do país, depois que a Argentina cortou os embarques há mais de uma década.
O país assinou um acordo em junho para exportar GNL para a Argentina pelos próximos três anos., o que permitirá um embarque diário máximo de 3 milhões de metros cúbicos durante o inverno do hemisfério sul.
O embarque de gás natural argentino para o Chile se materializou após ambos os países assinarem acordo acordo sobre integração energética o que permitirá no curto prazo a livre comercialização, importação, exportação e transporte de gás natural e eletricidade.
"Estamos trabalhando muito duro com o presidente (Mauricio) Macri em uma integração energética geral", disse Piñera.
O presidente destacou que ambas as nações têm sistemas energéticos paralelos, com níveis de consumo e demanda em diferentes épocas do ano que não dobram, o que permitiria que ambas as matrizes se complementassem “naturalmente”.
"Podemos, portanto, aproveitar que quando houver excesso de demanda na Argentina exportaremos energia e quando ocorrer o contrário poderemos importar energia (…) Isso permitirá que um sirva de backup para o outro e evitará que tenhamos excesso de investimento", disse Piñera.
Fonte: Reuters
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