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A Argentina registrou um superávit de US$ 2.523 bilhões em março. O que os números realmente dizem?

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A Argentina registrou um superávit comercial de US$ 2.523 bilhões em março de 2026 e acumulou 28 meses consecutivos com saldo positivo, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (20/04/2026) pelo INDEC.

O resultado representou um aumento homólogo de 304,9% em comparação com março de 2025, impulsionado principalmente por um forte crescimento das exportações e uma evolução muito mais moderada das importações.

As exportações totalizaram US$ 8.645 bilhões, um aumento de 30,1% em relação ao ano anterior, enquanto as importações totalizaram US$ 6.122 bilhões, um aumento de apenas 1,7% em comparação com o mesmo mês do ano passado.

exportações

O desempenho das exportações foi explicado principalmente pelo aumento das quantidades vendidas no exterior (+25,3%) e, em menor grau, por melhores preços (+3,9%).

Por setor, os produtos primários (PP) destacaram-se com um aumento de 56,2% em valor, impulsionado por um forte crescimento no volume (+62,7%), embora os preços tenham caído (-3,8%). Os produtos manufaturados de origem industrial (MOI) cresceram 26,4%, com melhorias tanto nos preços (+10,8%) quanto no volume (+13,6%). Enquanto isso, os produtos manufaturados de origem agrícola (MOA) avançaram 18,9%, com aumentos tanto nos preços (+9,7%) quanto no volume (+8,5%).

Em relação aos destinos, o Brasil manteve-se como o principal mercado, com um aumento de 12,2%. Seguiram-se os Estados Unidos (+31,9%), a China (+139,3%) e a Índia (+76,7%). Também foram observados aumentos significativos nas exportações para a União Europeia (+31,9%), o Mercosul (+10,8%), o Chile (+5,7%) e a região da ASEAN (+59,9%).

importações

As importações cresceram apenas 1,7% em relação ao ano anterior, impulsionadas exclusivamente pelos preços (+5,8%), enquanto as quantidades caíram 3,7%.

Por categoria, os bens intermediários (+10,2%), os bens de consumo (+6,6%), os bens de capital (+4,5%) e os veículos de passageiros (+17,3%) apresentaram crescimento. Em contrapartida, os combustíveis e lubrificantes (-38,5%) e as peças para bens de capital (-18,1%) registraram queda.

Geograficamente, as compras do Brasil (-7,7%), da China (-5,3%), da União Europeia (-4,1%) e da Índia (-37,8%) diminuíram, enquanto os Estados Unidos apresentaram um aumento de 3,5%.

Análise

O que você deve observar com atenção nos números? consultado por Notícias Aduaneiras, O especialista Gustavo Fadda apontou uma assimetria entre a expansão das exportações e a saturação das importações.

A esse respeito, ele explicou que essa dinâmica se deve a um fenômeno de excesso de estoque: “O mercado está pagando o preço pela capacidade ociosa. Muitas empresas de médio e grande porte, na tentativa de se protegerem da incerteza ou devido a erros de cálculo na projeção da demanda, incorreram em um excesso de estoque massivo”, explicou o consultor de comércio internacional.

A este respeito, acrescentou que o excedente “Não se trata apenas de um número no balanço patrimonial, mas sim de um sintoma do complexo reajuste logístico e financeiro pelo qual o setor de importação está passando e da força recuperada da agricultura.".

Gustavo explicou que o crescimento das exportações é impulsionado pelo volume, com um aumento de 25,3% na quantidade, refletindo “uma recuperação real na oferta exportável”. Em contrapartida, observou que as importações apresentam uma desaceleração no volume e um fenômeno de excesso de estoque acumulado.

Segundo ele, essa situação se traduz em armazéns alfandegados e zonas francas operando no limite da capacidade, mercadorias imobilizadas e custos financeiros mais elevados, com uma mudança do esquema “just-in-time” para um modelo “just-in-case” que satura a cadeia logística.

Finalmente, Gustavo Fadda concluiu que o excedente de março reflete uma crescente assimetria entre um setor exportador em expansão e um sistema de importação condicionado por restrições físicas, financeiras e de planejamento.

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