Na recente Cúpula do MERCOSUL, realizada nesta quinta-feira (03.07.2025/XNUMX/XNUMX) em Buenos Aires, os líderes dos países-membros expressaram apoio geral às diretrizes propostas pela Argentina durante sua Presidência Pro Tempore, com ênfase especial em acordos e segurança regional. No entanto, as divergências ficaram evidentes principalmente na área da liberalização comercial, onde alguns países expressaram posições mais cautelosas em relação à liberalização. processos de abertura e flexibilização.
O presidente Javier Milei concluiu seu mandato perante o bloco regional com um discurso claro. Ele afirmou que “O bloco regional desviou-se do seu objetivo original de integração econômica e, ao contrário, acabou punindo os cidadãos com produtos mais caros e de menor qualidade, ao mesmo tempo em que gerou uma estrutura burocrática gigantesca e distante dos interesses concretos da população.”
A sua proposta centrou-se num MERCOSUL “mais aberto, mais competitivo e menos burocrático”, com medidas concretas como “Ampliação das exceções à Tarifa Externa Comum (TEC) para facilitar o acesso a bens a preços internacionais" e a "revisão da AEC, que ele descreveu como excessivamente alta e prejudicial aos consumidores".
O presidente argentino também destacou a assinatura do acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e a expectativa de acelerar as negociações com a União Europeia, além de promover negociações com a Índia, Israel, Emirados Árabes Unidos, El Salvador e Panamá. Nesse sentido, afirmou:"Precisamos parar de pensar no MERCOSUL como um escudo que nos protege do mundo e começar a pensar nele como uma lança que nos permite penetrar efetivamente nos mercados globais..
Em matéria de segurança, Milei anunciou um passo concreto em direção à Criação de uma Agência do MERCOSUL contra o Crime Organizado Transnacional, destacando a urgência de tomar medidas contra as máfias regionais:"Hoje posso anunciar que demos um passo importante, tanto na recente reunião dos nossos Ministros da Segurança, Interior e Justiça, quanto na declaração conjunta do fórum político do MERCOSUL, que recomendou a criação desta agência tão necessária.
🟦Brasil
Essa iniciativa foi imediatamente apoiada pelo Brasil. O Presidente Luiz Inácio da Silva, ao apresentar a Presidência Pro Tempore para o segundo semestre de 2025, declarou:Não derrotaremos essas organizações criminosas verdadeiramente multinacionais sem uma ação coordenada., e anunciou o fortalecimento do comando tripartite na tríplice fronteira e do Centro de Cooperação Policial da Amazônia.
O Brasil, no entanto, adotou uma postura mais reservada e pragmática em relação à liberalização comercial na recente cúpula do MERCOSUL. Segundo o discurso do líder brasileiro, "A prioridade de seu governo será fortalecer a integração interna do bloco em vez de se precipitar em acordos bilaterais com terceiros países.”. Ele exemplificou esta visão sublinhando a necessidade de “Superar as fronteiras internas, como a inclusão de setores-chave na união aduaneira — como a indústria automobilística e a de açúcar — para consolidar a base produtiva do Mercosul e aumentar sua competitividade estratégica.”. Ele alertou que “umaAdiar esta tarefa significa sacrificar o potencial estratégico do bloco”. Além disso, o Brasil aposta na construção de “uma infraestrutura regional robusta e uma cooperação estreita que facilitem o comércio interno”, deixando claro que “A integração profunda do bloco é uma condição necessária para melhor aproveitar os futuros acordos comerciais internacionais.O presidente brasileiro confirmou a expectativa de assinar acordos com a União Europeia e a EFTA até o final do ano, além de avançar nas negociações com Canadá, Emirados Árabes Unidos, Panamá, República Dominicana, Colômbia e Equador.
🟦Uruguai
Em consonância com a proposta argentina de flexibilidade e abertura, o Presidente da República Oriental do Uruguai, Yamandú Orsi, destacou o MERCOSUL como “plataforma chave para a integração internacional, baseada no diálogo, na democracia, na equidade e no desenvolvimento sustentável”. Seu presidente valorizou “o consenso alcançado sobre as linhas nacionais de exceção"e apoiou a assinatura do acordo MERCOSUL-União Europeia, destacando que esta aliança tem uma dimensão tanto econômica quanto geopolítica. Ele também defendeu"maior abertura ao mundo, em particular à região Ásia-Pacífico, sem que isso implique um distanciamento do bloco.”
🟦Paraguai
Por sua vez, o Presidente do Paraguai, Santiago Peña, reconheceu a liderança argentina e valorizou o compromisso democrático que sustenta o MERCOSUL há mais de três décadas, destacando que: “Estamos em diálogo há 34 anos, com diferenças, mas com compromisso democrático e integração sustentada.".
No entanto, levantou a necessidade de acelerar os progressos na integração física e energética, com especial destaque para a Hidrovia Paraguai-Paraná, que definiu como “espinha dorsal logística do bloco”, conectando cinco países e representando um motor estratégico para o desenvolvimento regional.
Peña foi claro ao expressar sua insatisfação com as conquistas até agora:
"Não estou satisfeito com o que conquistamos até agora. Ainda temos muito a avançar." afirmou, ao enfatizar a importância de se chegar a acordos estratégicos e pedir maior investimento em defesa e coordenação regional para combater o narcotráfico e a insegurança.
🟦Bolívia
Por fim, o Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Luis Alberto Arce Catacora, reafirmou seu compromisso com a integração produtiva e a coesão do bloco, destacando a necessidade de fortalecer as cadeias regionais de valor e superar as assimetrias internas. Ele enfatizou que "A unidade na diversidade nos tornará fortes”, e propôs caminhar para a convergência regional entre o MERCOSUL e outros blocos, como a Comunidade Andina.
Com todos os Estados Partes presentes Na Cúpula do MERCOSUL, houve apoio geral às prioridades da Argentina em relação a acordos e segurança. No entanto, a liberalização comercial sofreu nuances no discurso, com o Brasil adotando uma postura mais cautelosa. O fato é que a presença dos líderes, em um contexto global fragmentado, reafirma que o bloco continua sendo um instrumento valioso para a integração, o desenvolvimento econômico regional e o aprimoramento do posicionamento internacional.

◾Os discursos dos Presidentes dos Estados-Membros na 66ª Cúpula do MERCOSUL estão disponíveis no site oficial do bloco regional. Aqui
O Aduana News é o primeiro jornal aduaneiro argentino a lançar sua versão digital. Com 20 anos de experiência, suas publicações e iniciativas visam facilitar o conhecimento mais relevante sobre questões aduaneiras, a fim de contribuir para o comércio seguro na região.








