A Organização Mundial do Comércio (OMC) confirmou que o volume do comércio global de mercadorias permaneceu estável durante o período. terceiro trimestre de 2025 (Julho-Setembro), num contexto marcado pela expansão do comércio de bens ligados à inteligência artificial (IA), pela antecipação de importações face a possíveis aumentos tarifários e pela depreciação do dólar americano.
Segundo os dados mais recentes divulgados na quarta-feira (28/01/2026) pela organização, o comércio mundial de mercadorias cresceu em 0,5% em termos trimestrais e um 3,6% ano a ano Em volume, medido em uma base sazonalmente ajustada. "O volume do comércio mundial permaneceu estável no terceiro trimestre de 2025", observou a OMC, alertando, porém, para uma crescente divergência entre os resultados em volume e valor.
Com efeito, O valor das trocas comerciais, medido em dólares, aumentou 7,5% em relação ao ano anterior. no mesmo período. Para a OMC, esse comportamento “evidencia uma crescente disparidade entre o crescimento do comércio em termos reais e nominais”.
A OMC explicou que o maior crescimento no valor das trocas comerciais se deveu, em parte, à depreciação do dólar americano, que caiu 1,9% em relação ao ano anterior face a uma ampla cesta de moedas durante o terceiro trimestre. "A depreciação do dólar tende a inflacionar o valor em dólares dos fluxos comerciais denominados em outras moedas", afirmou a organização, citando o comércio intraeuropeu como exemplo.
Contudo, a desvalorização do dólar não foi o único fator relevante. No período de janeiro a setembro de 2025, o volume do comércio global de mercadorias cresceu 4,5% em comparação com o mesmo período de 2024, superando significativamente a previsão de 2,5% incluída na última projeção do Secretariado da OMC. "O desempenho observado até setembro foi mais forte do que o previsto", observou a organização.

Inteligência artificial, a força motriz por trás do crescimento.
Uma das descobertas mais marcantes do relatório é o forte crescimento no comércio de produtos relacionados à IA, como chips, semicondutores e equipamentos de transmissão de dados. Nos três primeiros trimestres de 2025, esse segmento cresceu quase 20% em valor em comparação com o ano anterior.
Embora os produtos relacionados à IA representassem cerca de 15% do comércio global de mercadorias, eles explicaram o 42% do crescimento total do comércio em relação ao ano anterior durante esse período. "O peso desses produtos no crescimento do comércio é desproporcionalmente alto", destacou a OMC, observando que a maioria dessas mercadorias está isenta das novas tarifas.
Outros setores e desempenho regional
O comércio de bens não relacionados à IA também apresentou crescimento positivo, com um aumento de 4,4% em valor em relação ao ano anterior, impulsionado em parte pela forte alta do preço do ouro, considerado um ativo de refúgio seguro em tempos de incerteza econômica. medicamentos e produtos farmacêuticos —principalmente medicamentos para obesidade e suprimentos de vacinas— também contribuíram para o aumento do comércio, especialmente na América do Norte.
Como para o exportações, Os países com melhor desempenho foram as pequenas economias abertas, como Taiwan, Suíça, Egito, Costa Rica, Eslovênia, Irlanda e Vietnã. As principais economias — Estados Unidos, União Europeia, China e Japão — apresentaram ganhos mais moderados, enquanto as economias dependentes de commodities sofreram declínios.
Em matéria de importaçõesA Suíça se destacou, ArgentinaTaipé Chinês, Vietnã, Hong Kong (China) e Marrocos, refletindo um aumento significativo no investimento e na demanda por insumos importados. A participação da Argentina nesse grupo demonstra o crescente dinamismo de suas compras externas em um contexto regional ativo.

A nível regional, Ásia Liderou o crescimento das exportações em volume durante os primeiros nove meses de 2025, seguido pela África e América do Sul e Central e CaribeE, com um desempenho sólido que confirma a relevância da região no comércio global, a Europa apresentou uma ligeira contração.
perspectivas
De modo geral, a OMC concluiu que o comércio global de mercadorias em 2025 deverá ser mais forte do que o previsto, embora com diferenças notáveis entre regiões e setores. "Os desenvolvimentos futuros dependerão das políticas comerciais das principais economias, do ambiente tarifário e do ritmo contínuo do avanço tecnológico", alertou a organização.
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