InícioComércioJuan Carlos Buitrago, da Argentina: "Onde há contrabando, há corrupção."

Juan Carlos Buitrago, da Argentina: "Onde há contrabando, há corrupção."

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 Eles apelam ao fortalecimento da confiança, da cooperação e da coordenação para combater o crime organizado na região. (*)

A Argentina reafirmou sua liderança regional na luta contra o crime organizado ao sediar a 5º Encontro da Estratégia Triângulos-Triângulo Sul, realizado em Buenos Aires, no âmbito da sua actual presidência do Mecanismo RANDOZ - dependente do Departamento contra Crime Organizado Transnacional (COT) da OEA, chefiado pelo Mestre Gastón Schulmeister, com o apoio do Ministério da Segurança, chefiado por Patricia Bullrich. O evento reuniu autoridades de segurança, agentes alfandegários, representantes de organizações intergovernamentais, academia e setor privado da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile e Paraguai, consolidando um espaço crucial para a cooperação regional.

Nesse contexto, Juan Carlos Buitrago, um general aposentado da Colômbia com mais de trinta anos de experiência em inteligência e segurança, foi uma das vozes mais proeminentes na reunião. Um ex-oficial da Polícia Nacional e fundador da Strategos BIP, Buitrago é hoje uma figura de destaque na América Latina na análise de ameaças transnacionais. Em seu discurso, ele enfatizou a urgência de fortalecer a confiança, a cooperação e a coordenação entre os setores público e privado para enfrentar eficazmente o crime organizado e a economia ilegal.

Um dos casos discutidos foi o do Tríplice Fronteira, onde Argentina, Brasil e Paraguai se encontramDelimitada pelos rios Paraná e Iguaçu, esta área combina beleza natural com enormes desafios de segurança. A Ponte Tancredo Neves, que liga Puerto Iguazú (Argentina) a Foz do Iguaçu (Brasil), é um dos principais pontos de trânsito da região: segundo fontes oficiais, mais de 10 milhões de pessoas entram no país anualmente. Crimes como contrabando, tráfico de armas, tráfico de drogas e tráfico de pessoas convergem nesta área, formando uma rede criminosa transnacional que exige uma resposta estatal firme, coordenada e sustentada entre os países envolvidos.

Nesse quadro, Aduana News Ele conversou com o General Buitrago para analisar o papel da governança, as capacidades institucionais e a cooperação operacional, com atenção especial à colaboração essencial do setor privado no combate ao crime organizado e à economia ilegal, com foco na Tríplice Fronteira.

🟦Governança e cooperação regional

Notícias da Alfândega: Você falou sobre uma questão fundamental: a confiança. Interessa-me abordá-la de uma perspectiva estrutural, ligada ao crime organizado. Gostaria de lhe perguntar sobre um caso emblemático que você destaca aqui: a Tríplice Fronteira, onde as forças de segurança e as alfândegas convergem. Da perspectiva de governança e cooperação regional, Quais capacidades e mecanismos de cooperação você considera prioritários para que a Argentina lidere uma resposta eficaz? E, de uma perspectiva operacional, quais são os elementos-chave para alcançar uma coordenação eficaz entre os três países?

General Buitrago:O que foi mencionado sobre o criação de gabinetes de contra-resposta binacionais e trinacionais, conforme proposto pelo delegado brasileiro. Esses gabinetes permitem que o diálogo vá além do político ou estratégico, mas se traduza em resultados operacionais no terreno.

Segundo, o grupos de pesquisa conjuntos são essenciais. Eles permitem que troca de informações para fins operacionais e judiciais.

Além disso, a tecnologia integrada É fundamental. Precisamos promover mecanismos comuns entre os três países. Muitas opções já foram desenvolvidas na Europa e nos Estados Unidos: de scanners inteligentes a sistemas de informação por satélite, que facilitam uma resposta em tempo real das autoridades.

Por fim, gostaria de destacar a proposta de criação de um Centro de Treinamento de Justiça na tríplice fronteira, para fortalecer as capacidades dos operadores judiciais no combate aos crimes vinculados às economias criminosas.

🟦Vigilância e aplicação da lei

Aduana News:Quanto a Em relação à vigilância e à aplicação da lei, quais são os principais obstáculos à implementação de um controle integrado e eficaz nesta região, dada a diversidade de produtos em circulação? E, com base na sua experiência, que práticas específicas poderiam ser compartilhadas para aprimorar a cooperação e a inteligência?

General Buitrago: O principal obstáculo é a corrupção. Onde há contrabando, há corrupção.As máfias conseguem cooptar as autoridades para facilitar a entrada e a venda de produtos ilegais.

A Colômbia historicamente enfrenta esse desafio, e sabemos que a única maneira de combatê-lo é com instituições fortes e transparentes. Muitas vezes, há recursos insuficientes, falta de expertise ou mesmo falta de vontade política para priorizar essa luta.

Além disso, devemos trabalhar para fortalecer a confiança e a credibilidade entre os países e entre os setores público e privado. Sem reciprocidade e garantias compartilhadas, a cooperação regional não pode funcionar.

🟦 Alfândega e gestão de fronteiras

Aduana News Em relação à gestão aduaneira, quais inovações e melhores práticas você recomendaria para coibir o comércio ilícito multissetorial ao longo da Tríplice Fronteira? Quais protocolos devem ser priorizados pela Argentina, que assumiu um papel de liderança nesta reunião?

General Buitrago:Primeiro, considero Padronização urgente dos processos aduaneiros no nível regional, respeitando as particularidades de cada país e, claro, sua soberania.

Proponho criar um Centro Regional de Normalização para identificar cadeias comerciais ilícitas comuns. As alfândegas dos três países devem trabalhar com uma matriz de risco compartilhada, capaz de detectar a penetração e a contaminação de cadeias legais pelo contrabando.

Em segundo lugar, precisamos troca em tempo real de informações e inteligência aduaneira, não apenas para fins operacionais, mas também para conduzir investigações judiciais. As estruturas criminosas aproveitam-se da diferenças normativas entre países para explorar brechas legais. Precisamos de sistemas de alerta precoce coordenado, como bem disse o Dr. Fábio Bechara, agir com rapidez e firmeza.

🟦Gestão econômica e ambiente regulatório

Aduana NewsPara encerrar o tópico de confiança e em relação ao ambiente regulatório e riscos de pessoal em áreas críticas: Como a integridade e a motivação do pessoal da alfândega e da polícia podem ser protegidas na Tríplice Fronteira?

General Buitrago:Devemos gerar incentivos econômicos concretos Para funcionários que trabalham em áreas de alto risco: bônus, gratificações, aumentos salariais. Muitos agentes alfandegários ou policiais estão mal pago e é por isso que são mais vulneráveis ​​às máfias, que as gerem somas multimilionárias.

Além disso, é uma implementação fundamental testes periódicos de confiabilidade e controles patrimoniais. Isso permite a detecção de aumentos injustificados de patrimônio ou indícios de enriquecimento ilícito. São ferramentas essenciais para prevenir a corrupção e romper laços com o crime organizado.

🟦Pergunta de encerramento

Notícias da Alfândega: Para concluir, neste reunião regionall, onde se reúnem autoridades de segurança, procuradores e representantes do setor privado, o que seria um primeira ação concreta e multissetorial para melhorar a resposta ao comércio ilícito?

General Buitrago:Eu diria que há duas linhas prioritárias:

1.Capacitação contínua das autoridades para trocar boas práticas e padronizar procedimentos.

2.Tenha um plataforma de inteligência e análise de dados, com recursos humanos qualificados, permitindo a tomada de decisões em tempo real e melhorando a eficácia da resposta do Estado.

Agradecemos ao General (R) Juan Carlos Buitrago por compartilhar sua análise especializada e visão estratégica nesta reunião crucial para a região.

*Relatório elaborado por María Elsa Coronel.


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