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Especialistas analisaram obstáculos e benefícios do acordo UE-MERCOSUL para avançar na relação estratégica

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Na última quarta-feira (26.07.2023) ocorreu o webinar “Acordo entre a União Europeia e o Mercosul: as pedras no caminho", uma iniciativa do Real Instituto Elcano, da Fundação Fernando Henrique Cardoso e do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (CINDES) com o objetivo de facilitar o diálogo e avançar no caminho das relações estratégicas.

Nesta ocasião, o primeiro a apresentar os aspectos gerais do Acordo entre a UE e o MERCOSUL foi Sandra Poland Rios, Diretor do CINDES, um think tank focado em políticas econômicas e desenvolvimento sustentável no Brasil. Ele começou explicando a estrutura das negociações que permitiram que os dois blocos chegassem a um entendimento em junho de 2019, após vinte anos. "A arquitetura atual responde aos modelos de livre comércio predominantes no mundo", disse ele.

Rios então se referiu à liberalização do comércio de bens e ao cronograma de redução de tarifas; e ressaltou que além dos aspectos comerciais, o acordo ajudaria a modernizar as regras do MERCOSUL. Ele destacou que o acordo é uma oportunidade para o Mercado Comum avançar por dois caminhos paralelos: primeiro, abrir-se ao "contexto internacional" e, segundo, caminhar para o "aprofundamento dentro do bloco".

Contudo, há dificuldades. Em 2021, a União Europeia lançou um pacote de iniciativas políticas visando uma transição ecológica, o que resultou em demandas ambientais que o governo brasileiro não parece disposto a atender por considerá-las excessivas. Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua insatisfação com os termos do acordo na área de compras governamentais.

No webinar, Pedro Motta Veiga, também Diretor do CINDES, falou da perspectiva desses obstáculos identificados. Ele analisou a posição atual de cada membro do Mercosul para concluir o acordo com a UE, ao mesmo tempo em que cogita uma "tática de negociação" ou uma "rejeição mais profunda" às críticas do Brasil.

Palestrantes no webinar “Acordo União Europeia-MERCOSUL: Obstáculos no caminho” | Intervenção: Notícias Aduaneiras

José Juan Ruiz, Presidente do Real Instituto Elcano, prestigiada instituição espanhola, foi o terceiro participante. "Às vezes esquecemos o quão difícil é o acordo que estamos tentando alcançar", disse ele.

Ele destacou o esforço extraordinário feito para superar as dificuldades para que o acordo entre a UE e o MERCOSUL possa chegar a uma conclusão bem-sucedida. E apresentou um dos conceitos mais relevantes: "As dificuldades podem ser superadas se incentivos forem colocados na mesa".

Com isso em mente, Ruiz, que também foi economista no Banco Interamericano de Desenvolvimento, explicou quatro tipos de elementos que a Europa pode capturar da América Latina: políticos, econômicos, geopolíticos e produção de bens públicos globais.

Ruiz então apontou uma condição crucial: "Para mim, a restrição mais importante é que, depois de 30 ou 40 anos de globalização, nossas sociedades aprenderam que as oportunidades não são gratuitas. "É necessário ter um mecanismo de compensação porque, caso contrário, sociedades já polarizadas ficarão ainda mais fragmentadas."

"Este é um verdadeiro gargalo, ao qual se soma a incerteza sobre o que acontecerá se o Tratado de Associação entre a UE e o MERCOSUL for assinado. Onde está a instituição para sua aplicação em um mundo onde as negociações são cada vez mais bilaterais ou onde as negociações de arbitragem multilateral estão paralisadas? "Portanto, um acordo político entre os dois blocos poderia amenizar essa questão", disse ele.

Nesse sentido, Ruiz propôs “rever os pontos favoráveis ​​que a América Latina poderia contribuir para que a Europa e o mundo, e vice-versa, fossem mais prósperos”.

Depois Carlos Malamud deu sua visão como pesquisador principal do Instituto Real Elcano. Ele disse que "se o acordo for fechado, a União Europeia teria um tratado com quase todos os países latino-americanos, com a única exceção da Bolívia e da Venezuela".

Ele acrescentou: "Mesmo que não seja um objetivo desejado, o acordo UE-MERCOSUL também pode levar a uma maior integração na história da América Latina."

Se o Acordo de Associação UE-MERCOSUL for ratificado, a UE terá acordos de livre comércio com 94% do PIB da região. Como poderíamos avançar nesse sentido? perguntou-se o Doutor em História Americana.

Ele se referiu ao último relatório do Real Instituto Elcano intitulado "Por que a América Latina importa?" o que salienta que se estes países conseguissem unir os acordos comerciais bilaterais existentes com a UE – por exemplo, Harmonizar normas, regras de origem e procedimentos aduaneiros– veria uma parceria entre a UE e a América Latina envolvendo 1.100 bilhão de pessoas com um PIB total de mais de US$ 22.000 bilhões, semelhante ao da economia dos EUA e maior que o da China.

Foi assim que encerrou o seminário coordenado pelo cientista político Sérgio Fábio, Diretor da Fundação Fernando Henrique Cardoso, entidade brasileira que se define claramente pelo debate qualificado de ideias.

Recomendações para investigação adicional sobre o tema:

  • Um vídeo. O webinar “Acordo União Europeia-MERCOSUL: Obstáculos no caminho” pode ser encontrado aqui aqui. (Português)
  • Um estudo. O documento Por que a América Latina importa? preparado pelo Real Instituto Elcano está disponível aqui.
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