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O papel estratégico das alfândegas na interrupção do fornecimento de fentanil.

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A cada ano, aproximadamente 600.000 pessoas morrem devido ao uso de drogas.Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, esse número reflete a magnitude de uma crise global crescente, cada vez mais ligada ao avanço das drogas sintéticas.

Nesse contexto, as autoridades aduaneiras assumiram um papel cada vez mais proeminente e estratégico na proteção da sociedade. Como destacou Ian Saunders, Secretário-Geral da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), “Este não é apenas um problema de segurança ou de aplicação da lei, mas uma crise social na qual a alfândega desempenha um papel decisivo.”Além disso, ele enfatizou que essas operações visam não apenas detectar e apreender substâncias ilícitas, mas também desmantelar as redes criminosas que sustentam esse fenômeno.

Essa abordagem foi destacada em 30 de abril, durante o lançamento deO primeiro webinar da OMA voltado para a comunidade em geral, que reunia mais do que participantes 250A iniciativa lançou uma série de encontros com o objetivo de fortalecer o diálogo global e destacar o papel das alfândegas diante das ameaças emergentes, com foco especial — nesta primeira edição — na interrupção das cadeias de suprimento de fentanil.

Fentanil: uma ameaça que reforça o papel da alfândega.

Os dados do relatório de drogas ilícitas de 2024 da OMA ilustram a dimensão do problema. A cannabis foi a substância mais frequentemente detectada (48%), seguida pelas substâncias psicotrópicas (27,5%). A cocaína, as novas substâncias psicoativas e os opiáceos representaram 13%, 16% e 4% das apreensões, respectivamente.

A nível regional, A América do Sul continua sendo um nó central no tráfego global. Em 2024, a cannabis tornou-se a droga mais apreendida na região (64% do volume total), enquanto a cocaína continua a desempenhar um papel significativo. As principais rotas de tráfico permanecem orientadas para a Europa Ocidental e a América do Norte, confirmando a natureza predominantemente exportadora da região e a alta rentabilidade desses mercados para as organizações criminosas. Esse padrão reforça o papel da região como um elo fundamental nas cadeias globais de tráfico de drogas.

Nesse contexto, o aumento do uso de opioides sintéticos — particularmente o fentanil e seus análogos — marca um ponto de virada. Essas substâncias são caracterizadas por sua potência extremamente alta, baixo custo de produção e facilidade de ocultação e transporte, o que as torna uma ameaça particularmente complexa para as forças da lei. Mesmo quantidades mínimas podem ser letais, o que explica seu impacto devastador na saúde pública.

Além disso, diferentemente das drogas tradicionais, o fentanil pode ser produzido em laboratórios clandestinos e transportado por canais logísticos legais, como comércio eletrônico, correio postal ou serviços de entrega expressa. Essa dinâmica exige uma transformação nas operações aduaneiras, passando de uma abordagem focada na inspeção física para modelos baseados em análise de risco e inteligência.

Em resposta a essa situação, a OMA está promovendo diversas iniciativas com o objetivo de fortalecer a capacidade das administrações aduaneiras. Entre elas, destaca-se o projeto de detecção de drogas sintéticas, ativo desde 2020, que busca aprimorar as capacidades de identificação, análise e compartilhamento de informações em nível global.

O objetivo é reduzir o tráfico por meio do uso intensivo de dados, cooperação internacional e coordenação operacional para desmantelar redes criminosas. Nesse contexto, atenção especial é dada a canais vulneráveis, como a aviação geral, o correio postal e os serviços de entrega expressa, complementada pelo uso de unidades caninas especializadas. Vale ressaltar que a Alfândega Argentina possui um Centro de Treinamento Canino em Boulogne, certificado pela Organização Mundial das Alfândegas como Centro Regional de Treinamento Canino. Existem apenas 18 centros desse tipo credenciados pela OMA em todo o mundo, e o de Buenos Aires é o único que atende a clientes de língua espanhola.

Apesar desses esforços, observou-se no evento que o desafio continua a aumentar. As organizações criminosas estão operando com crescente sofisticação, adaptando-se aos controles e utilizando cadeias de suprimentos globais para ocultar suas atividades.

Nesse contexto, a cooperação internacional é fundamental. A INTERPOL (Organização Internacional de Polícia Criminal) trabalha em conjunto com as administrações aduaneiras no combate ao tráfico de drogas e outras atividades ilícitas transnacionais.

Essa cooperação se baseia no fato de que as agências aduaneiras são atores centrais no controle do comércio transfronteiriço de mercadorias. Portanto, a coordenação entre as alfândegas e as forças policiais, tanto em âmbito nacional quanto internacional, é essencial para aprimorar a detecção, a prevenção e o desmantelamento de redes criminosas.

Em suma, a mensagem do encontro é clara: num contexto de ameaças dinâmicas e transnacionais, as agências aduaneiras consolidam a sua posição como instituições-chave na proteção da sociedade e da saúde pública, num cenário que provoca cerca de 600.000 mil mortes anualmente devido ao consumo de drogas. A sua importância reside na contribuição para a salvaguarda de vidas, a preservação da integridade das cadeias de abastecimento e a promoção do desenvolvimento.

O compromisso da Organização Mundial das Alfândegas com isso se expressa na capacitação, no uso da tecnologia, em operações conjuntas e na cooperação internacional para melhorar a detecção e a resposta a esses desafios, conforme declarado durante o evento.

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O Aduana News é o primeiro jornal aduaneiro argentino a lançar sua versão digital. Com 20 anos de experiência, suas publicações e iniciativas visam facilitar o conhecimento mais relevante sobre questões aduaneiras, a fim de contribuir para o comércio seguro na região.

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