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Comércio latino-americano em 2020 caiu menos que o esperado devido à recuperação da China

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Em 2020, o comércio internacional da América Latina e do Caribe teve seu pior desempenho desde a crise financeira global de 2009, despencando 13%, embora a queda tenha sido 10 pontos abaixo do esperado devido à recuperação da demanda dos principais parceiros da região, especialmente a China, informou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) nesta sexta-feira (22.01.2021).

Un novo relatório da citada Comissão das Nações Unidas, apresentada pela Secretária Executiva, Alicia Bárcena, destacou a forte redução do valor das exportações e importações de bens durante a pandemia.

As avaliações da CEPAL por sub-região indicam que América Central apresentou a menor queda em suas exportações (-2%), Isto se deve, principalmente, ao fato de que o comércio nos países desta área é focado em produtos essenciais, como produtos agroalimentares e farmacêuticos.

Ao mesmo tempo, O comércio com a América do Sul e o México sofreria uma contração de 13% cada, semelhante à média regional, e 16% o Caribe.

Bárcena explicou que a pandemia interrompeu a produção e o consumo em todo o mundo, afetando significativamente o comércio latino-americano.

Durante o primeiro semestre de 2020, a demanda por bens e serviços na região despencou. As atividades mais afetadas foram as associadas ao setor de serviços, com quedas em torno de -30% nas exportações e -26% nas importações. Os bens e serviços mais afetados foram aqueles relacionados a viagens, com quedas de mais de 50% tanto nas exportações quanto nas importações.

Neste contexto, a Dicotomia entre dois modelos de especialização comercial. Por um lado, existe a Modelo sul-americano, focado num setor primário orientado para o mercado chinês, e por outro lado, o de América Central e México, voltados para a exportação de produtos manufaturados.

Entre as deficiências comerciais da região, o relatório destacou a dependência comercial da região em relação à China, já que enquanto as exportações para o país asiático aumentaram em 2020, as importações da China caíram "vertiginosamente".

Além disso, a análise destacou a falta de integração intrarregional em termos de comércio. Assim, México e Brasil, as duas principais economias da região, importaram apenas entre 2% e 3% dos bens e serviços da América Latina e do Caribe.

Nesse quadro, A CEPAL pede “aprofundamento da integração para impulsionar a recuperação regional”. Para acelerar esse processo, o Conselho propõe convergência na facilitação do comércio, melhoria da infraestrutura regional de transporte e logística e cooperação em questões digitais.

Quais são as perspectivas de crescimento para 2021?

 Em 2021, A CEPAL estima que o valor das exportações poderá crescer entre 10% e 15%. A organização projeta um crescimento de 7,2% no volume de comércio de mercadorias.

No entanto, o Secretário Executivo alertou que essas previsões estão sujeitas à nova onda de infecções que atinge o continente desde o último trimestre de 2020, bem como ao lento progresso dos programas de vacinação, o que piora as perspectivas.

Outra projeção aponta para o facto de que, embora a Espera-se que o comércio intrarregional se recupere neste ano, com o mercado chinês permanecendo como o mais dinâmico, acentuando assim a reprimarização das exportações e a dependência da América Latina e do Caribe em relação ao gigante asiático.

Por outro lado, as tendências para este ano sugerem que as exportações de serviços continuarão a ser severamente afetadas pelo declínio do turismo internacional. Nesse sentido, países com maiores laços comerciais com os Estados Unidos, como o México, poderiam se beneficiar de processos de nearshoring por empresas multinacionais.

Isso é porque em O novo cenário comercial produzirá uma reconfiguração geográfica para buscar reduzir a dependência da China, o que incluirá alguns atores importantes como os Estados Unidos e o Japão.

Além disso, Esta nova globalização regionalizada significará o fortalecimento de blocos regionais, mas também implicará custos elevados para os países em desenvolvimento, que dependerão de capacidades pré-existentes e exigirá altos níveis de coordenação.

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