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CEPAL: Valor das exportações de bens da América Latina cairá 2% em 2023

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El valor das exportações de mercadorias da América Latina e do Caribe cairão 2 por ciento em 2023, em um contexto de "grande fragilidade do comércio mundial", anunciou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) em sua sede na cidade chilena de Santiago.

Na última quinta-feira (02.11.2023) a CEPAL apresentou seu relatório "Perspectivas do Comércio na América Latina e no Caribe, 2023. Mudanças Estruturais e Tendências no Comércio Global e Regional: Desafios e Oportunidades» em uma coletiva de imprensa liderada pelo Secretário Executivo da agência das Nações Unidas, José Manuel Salazar-Xirinachs.

A autoridade disse que o desafio de diversificar e sofisticar a pauta de exportação para reduzir a dependência excessiva de matérias-primas, especialmente na América do Sul, permanece. 

"Por esta É fundamental implementar políticas de desenvolvimento produtivo com foco em clusters em setores estratégicos", acrescentou.

O relatório afirma que a região irá aumentar 3 por cento do volume exportado, o que não será suficiente para compensar a queda de 5% nos preços de seus produtos de exportação.

De acordo com o documento, o valor das importações de bens por sua vez cairá 6 por ciento, um número que reflete "a fraqueza da atividade econômica regional", com crescimento projetado do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 1,7% em 2023.

De acordo com as recomendações apresentadas na publicação, num contexto de crescente regionalização do comércio mundial, «é crucial aprofundar a integração regional"pois isso reduziria a vulnerabilidade a um ambiente de comércio global mais incerto e "geraria escalas de produção eficientes para as indústrias da região".

Indicou também que a fragilidade do comércio mundial é resultado do “abrandamento da economia global” num contexto de altas taxas de juros nos Estados Unidos e na Europa, uma crise imobiliária na China e crescentes tensões geopolíticas.

"As projeções mais recentes da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que o volume do comércio global de bens cresceria apenas 0,8% em 2023", disse a CEPAL.

Ele acrescentou que até 2024, "a OMC projeta uma expansão de 3,3%, o que, se concretizado, deverá impulsionar as exportações da região".

América Latina e China

Nesse contexto, o documento aborda a relação comercial entre a América Latina e o Caribe e a China. No período de 2000-2022, O comércio de bens entre a região e a China multiplicou-se em 35, enquanto o comércio total da região com o mundo só se multiplicou por 4. O comércio bilateral, que em 2000 mal ultrapassava 14.000 bilhões de dólares, em 2022 se aproximou de 500.000 bilhões de dólares. “Assim, em 2010 A China desbancou a União Europeia como o segundo maior parceiro comercial da região e se tornou o primeiro parceiro comercial da América do Sul.

As exportações para a China consistem quase exclusivamente de recursos naturais brutos e processados; e importações, quase exclusivamente de produtos manufaturados. Dessa forma, “o Especialização primário-exportadora, especialmente na América do Sul”, afirma a CEPAL.

“O setor alimentício é o que oferece melhores perspectivas para diversificar e sofisticar a oferta exportadora para a China no curto prazo”, acrescenta a CEPAL. Neste sentido, recomenda-se Abordar as barreiras não tarifárias existentes e reforçar a inteligência de mercado para atender melhor às necessidades e gostos dos consumidores chineses.

No entanto, a CEPAL reflete: “Essa tendência é preocupante, pois afasta a região de uma trajetória exportadora marcada pela crescente incorporação de conhecimento em bens e serviços, bem como por uma maior sustentabilidade ambiental”.. Neste contexto, o A cooperação com a China em ciência e tecnologia deve tornar-se um pilar central da relação económica com aquele país nos próximos anos. Várias áreas promissoras de colaboração, como energia renovável, tecnologias digitais, manufatura avançada, biomedicina e biotecnologia, são identificadas para esse propósito.

Sem descurar o complexo contexto geopolítico global, que também oferece oportunidades à região no âmbito das suas relações económicas com a China. Entre elas, a CEPAL destaca a oportunidade de atrair maiores investimentos no âmbito de processos de próximo ao escoramento (nearshoring), já que a região oferece recursos críticos para a transição verde, como cobre e lítio, entre outros.

Facilitação do comércio na região

Além disso, o documento discute o progresso feito pelos países da América Latina e do Caribe na implementação de suas respectivas agendas de facilitação do comércio. 

A este respeito, a CEPAL destaca que a região apresenta níveis diferenciados de implementação das diferentes categorias de medidas de facilitação do comércio. Os maiores níveis de implementação são observados nas categorias de formalidades e transparência. Isso se explica – diz a CEPAL – principalmente porque “as medidas incluídas em ambas as categorias correspondem quase integralmente às disposições do Acordo de Facilitação do Comércio, que já apresenta um alto nível de implementação na região”.

Enquanto isso, o Os níveis mais baixos de implementação correspondem à categoria de comércio transfronteiriço sem papel; Isso requer não apenas o suporte de uma infraestrutura sofisticada de tecnologia da informação e comunicação (TIC), mas também uma cooperação estreita entre as autoridades dos países que trocam documentos eletronicamente.

Segundo a CEPAL, eles são os grandes desafios enfrentada pela região na facilitação do comércio para o qual a cooperação internacional desempenha um papel crucial na superação dessas limitações. Para tal, é essencial acelerar a implementação e a interoperabilidade da balcões eletrónicos únicos, Como também é muito positivo o estabelecimento quase universal de Comitês Nacionais de Facilitação do Comércio há mais de vinte anos na região!

Conectividade e infraestrutura de transporte

O relatório também destaca a necessidade de fechar gradualmente a lacuna regional em infraestrutura de transporte e logística. Para tal, e dado o actual contexto de espaço fiscal limitado, é essencial explorar opções de financiamento inovadoras, como fundos para infra-estrutura verde e investidores institucionais.

Por fim, recomenda-se avançar para a multimodalidade (por exemplo: corredores na América do Sul e balsa de carga entre o Porto de La Unión, em El Salvador, e o Porto de Caldera, na Costa Rica), reduzindo a atual dependência excessiva do transporte rodoviário e dando mais espaço ao transporte ferroviário e fluvial.

Recomendamos que você se aprofunde no publicação anual da CEPAL

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