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A CEPAL apela ao fortalecimento das alianças e ao trabalho em prol de um comércio regional mais integrado e baseado em regras.

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Com o ano entrando em sua reta final, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) apresentou seu relatório anual nesta quarta-feira (19/11/2025), em Santiago, Chile.Comércio internacional na nova era da interdependência instrumentalizadaEm uma coletiva de imprensa virtual, a organização analisou como a nova política tarifária dos EUA está remodelando os fluxos comerciais globais e regionais.

O Secretário Executivo, José Manuel Salazar-Xirinachs, alertou que “O comércio e a geopolítica estão mais interligados do que nunca, criando um cenário global incerto.”Diante desse contexto, característico de 2025, a organização afirmou que a região deve diversificar seus parceiros comerciais, fortalecer alianças dentro e fora da América Latina e avançar rumo a uma integração regional mais efetiva, incluindo convergência regulatória, infraestrutura e logística.

Os economistas Sebastián Herreros, José Durán e Nanno Mulder — membros da equipe que preparou o relatório — participaram do evento onde os principais resultados foram apresentados, demonstrando a transformação acelerada do comércio mundial.

Um mundo com mais tarifas e menos regras.

Uma das principais conclusões divulgadas pela CEPAL é o forte aumento das tarifas americanas: a tarifa efetiva média passou de 2,4% em 2024 para 17,4% em setembro de 2025O nível mais alto em nove décadas. A CEPAL observou que essa política rompe com as normas do sistema multilateral e impulsiona um quadro de negociações bilaterais que exige maior coordenação e estratégia para a região. A profunda mudança na política comercial dos EUA durante 2025 altera substancialmente os termos sob os quais as relações comerciais entre a região e esse país eram tradicionalmente conduzidas, que, em vários casos, incluíam comércio livre de tarifas com base em compromissos juridicamente vinculativos. Embora, em geral, as exportações da região enfrentem tarifas mais baixas nos Estados Unidos do que as da maioria de seus principais concorrentes, essa situação pode mudar dependendo da evolução das balanças comerciais ou mesmo de fatores não econômicos.

A dinâmica global também mostra que o comércio continua em expansão —Crescimento de 5% entre janeiro e julho de 2025 e uma projeção de 2,4% para o ano todo— embora com uma queda projetada para 2026, quando um aumento de apenas 0,5%.

Serviços em ascensão e comércio intrarregional em recuperação.

O relatório destaca que as exportações de mercadorias da América Latina e do Caribe cresceram. 4%e os de serviços 7% durante o primeiro semestre de 2025. serviços modernosOs setores ligados à tecnologia, ao conhecimento e à digitalização foram os mais dinâmicos, com um aumento de 13%enquanto a atividade mineira continuava em declínio.

O comércio dentro da região — fundamental para a integração produtiva — também apresentou sinais de recuperação, com crescimento de 1%Após a queda do ano anterior, Argentina e Brasil impulsionaram a recuperação graças ao dinamismo do setor agroindustrial, com aumentos na produção de carne bovina, soja, petróleo e outros produtos agrícolas.

Relações comerciais com os EUA

A CEPAL destacou que a relação comercial com os Estados Unidos é fortemente dominado pelo Méxicoque representam 63% das exportações e 75% doimportações regional em direção a esse mercado. Sem o México, a região mantém um déficit comercial com Washington.

Ainda assim, A América Latina recebe uma tarifa média mais baixa (7,4%). do que no resto do mundo, o que abre oportunidades em setores como vestuário, dispositivos médicos e agronegócio.

Tecnologia, talento e inovação

O relatório dedica um capítulo inteiro às exportações de alta tecnologia e serviços modernos. Os fabricantes de tecnologia já representam 30% das exportações globais de produtos manufaturadose os serviços mais modernos 50% das exportações globais de serviços.

Na região, o México é de longe o líder em manufatura de alta tecnologia, enquanto Brasil, México, Argentina e Costa Rica lideram em serviços baseados em conhecimento. Salazar-Xirinachs destacou que “Os países que convergem em termos de renda com as economias avançadas são aqueles que conseguem aumentar sua participação em bens tecnologicamente mais intensivos e serviços modernos.”.

Argentina: Qual o papel que a alfândega deve desempenhar?

Durante a conferência, Aduana News A CEPAL foi consultada sobre como a Alfândega Argentina pode contribuir para melhorar a competitividade das exportações em um contexto no qual os Estados Unidos assinaram novos acordos-quadro com países da região, incluindo a Argentina.

Os especialistas responderam que A continuidade da facilitação do comércio é essencial. Eles destacaram que o acordo com os Estados Unidos inclui medidas concretas, como o processamento prévio das mercadorias, facilidades para operadores de entrega expressa e a possibilidade de certificação de Operadores Econômicos Especializados, o que agiliza e profissionaliza a cadeia de exportação.

Além disso, insistiram que a Argentina deveria fortalecer a infraestrutura, a logística e as cadeias de suprimentosElementos fundamentais em um país com grandes distâncias internas. Integração física com Brasil, Chile e Paraguai, em consonância com os compromissos de Consenso de BrasíliaFoi apresentada como condição indispensável para impulsionar o desenvolvimento territorial produtivo e expandir o comércio intrarregional.

Conclusão: alianças, integração e tecnologia

O relatório conclui com um forte apelo à ação. Nas palavras do Secretário Executivo da CEPAL:Nesta nova era de interdependência, a diversificação geográfica do comércio — aprofundando os laços com parceiros consolidados como a União Europeia e a China, e expandindo para mercados emergentes como a Índia, a ASEAN e os países do Golfo, além da África — bem como a consolidação de alianças regionais e o aumento da sofisticação tecnológica de nossas exportações, é crucial. Sem mão de obra qualificada e instituições fortes, é impossível gerenciar os desafios impostos pela transformação digital e pela revolução tecnológica, ou superar a limitada capacidade de crescimento que persiste em nossa região..

A imagem mostra a Sala Raúl Prebisch, onde ocorreu o lançamento do relatório anual. Perspectivas para o Comércio Internacional na América Latina e no Caribe em 2025.

Por fim, a CEPAL convida você a consultar o relatório. Perspectivas do Comércio Internacional para a América Latina e o Caribe, 2025, apresentado durante a conferência de imprensa e disponível abaixo.

◼ https://repositorio.cepal.org/server/api/core/bitstreams/7375883b-5e0a-4203-b2fa-dab429cbba4e/content

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