A Comissão Europeia (CE) propôs esta semana novas salvaguardas para tentar tranquilizar os agricultores e pecuaristas da União Europeia (UE) em meio aos temores sobre os potenciais efeitos dos produtos importados da América Latina, com base no aumento da vigilância e em uma resposta rápida ao aumento das importações ou à queda dos preços.
"A proposta oferece garantias adicionais aos agricultores europeus além das cotas já acordadas com o MERCOSUL", explicou a Comissão em um comunicado datado de 7 de outubro de 2025. Os produtos sensíveis incluem carne bovina, frango, arroz, mel, ovos, alho, etanol e açúcar.
Estas medidas fazem parte do Acordo de Associação UE-MERCOSUL (APEM), um acordo comercial entre a União Europeia e os países do MERCOSUL — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — que visa promover o comércio entre as duas regiões e, ao mesmo tempo, garantir a proteção dos produtores europeus contra impactos comerciais negativos.
Entre as medidas destacam-se:
- Monitoramento reforçado: “Serão enviados relatórios semestrais ao Conselho e ao Parlamento Europeu para identificar os riscos em tempo útil.”
- Gatilhos claros: Será conduzida uma investigação para determinar se os preços de importação são pelo menos 10% mais baixos que os preços europeus ou se as importações estão crescendo mais de 10%.
- Resposta rápida: “Medidas provisórias em 21 dias e resolução de investigações em quatro meses.”
De acordo com a CE, isso "permitirá que quaisquer riscos sejam identificados em um estágio inicial e que medidas rápidas sejam tomadas para remediar quaisquer potenciais impactos negativos". Esses relatórios abrangerão o mercado da UE e, quando apropriado, também a situação específica de um ou mais Estados-Membros.
Neste contexto, a Comissão explicou que estas salvaguardas “traduzem a cláusula APEM numa regra vinculativa e imediatamente aplicável” e que o Regulamento proposto será agora analisado pela Parlamento Europeu e Conselho no âmbito do processo legislativo ordinário.
Além disso, a Comissão está a avançar com Iniciativas complementares para alinhar os padrões de produção em pesticidas e bem-estar animal, fortalecer os controles sanitários e fitossanitários e garantir rendas estáveis para os agricultores por meio da Política Agrícola Comum (PAC) pós-2027, com um orçamento de pelo menos € 300.000 bilhões e um novo fundo de segurança agrícola de € 6.300 bilhões.
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