O comunicado conjunto do encontro entre os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump trouxe mais concessões do governo brasileiro do que as anunciadas por eles à imprensa. Em troca do apoio dos EUA à entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que Washington havia cedido anteriormente, o governo Bolsonaro concordou em renunciar ao tratamento especial e diferenciado reservado ao país como economia membro nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O governo brasileiro concordou em adotar uma cota de 750 milhões de toneladas de trigo americano por ano, com tarifa zero de importação. Os Estados Unidos não ofereceram nenhuma compensação imediata. Eles se comprometeram apenas a criar "condições científicas" para a compra de carne suína e a enviar uma missão técnica para avaliar a possibilidade de retomar as compras de carne bovina in natura do Brasil.
O aumento da atual cota de importação de etanol reivindicado pelos Estados Unidos não foi incluído no comunicado, como era de se esperar – pedido que certamente foi vetado pelos paulistas. O texto final da reunião de terça-feira na Casa Branca contém instruções dos presidentes para concluir o Acordo de Reconhecimento Mútuo, que permitirá um desembaraço aduaneiro mais rápido de produtos de empresas certificadas. O objetivo será "reduzir custos para empresas americanas e brasileiras".
A visita de Bolsonaro a Trump abriu portas para a retomada de iniciativas que estavam suspensas no passado e para o lançamento de novos planos para o relacionamento econômico e político entre os dois países. Entre elas, o retorno do CEO Forum, um mecanismo para os setores privados americano e brasileiro impulsionarem suas relações e dialogarem com ambos os governos.
Fonte: Veja
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