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Brasil solicita consultas à OMC sobre tarifas dos EUA que afetam mais de 50% de suas exportações.

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O Governo Brasileiro apresentou formalmente um pedido de consultas à Organização Mundial do Comércio (OMC) em resposta às medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos, que incluem impostos de até 50%sobre uma ampla gama de produtos brasileiros. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais da metade das exportações brasileiras para o mercado americano serão afetadas por essas sobretaxas.

Em comunicado divulgado hoje (06.08.2025 de agosto de XNUMX), o Itamaraty descreveu essas medidas como uma "violação flagrante" de compromissos fundamentais assumidos pelos Estados Unidos na OMC, como o princípio da nação mais favorecida e os tetos tarifários negociados multilateralmente. Ao mesmo tempo, reiterou a disposição do governo brasileiro de avançar nas negociações diplomáticas e expressou sua expectativa de que as consultas "contribuam para uma solução mutuamente satisfatória".

As consultas bilaterais fazem parte do sistema de solução de controvérsias da OMC, que estabelece um pré-requisito para a formação de um painel de arbitragem. Nesse processo, os Estados Unidos devem responder em até dez dias e participar das consultas em até 30 dias. Caso não se chegue a uma solução, o Brasil poderá solicitar a constituição de um painel com vistas a uma possível compensação comercial.

Medidas tarifárias

As tarifas impostas por Washington foram formalizadas por meio de duas ordens executivas: a Nº 14257 de 2 de abril de 2025 e nº 14345 de 30 de julho de 2025. Essas disposições são baseadas em instrumentos como a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) e a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

O contexto diplomático entre os dois países ficou ainda mais tenso depois que o presidente americano acusou autoridades brasileiras – incluindo membros do Judiciário – de terem adotado medidas que, em sua opinião, "interferir na economia dos EUA, violar os direitos de liberdade de expressão dos cidadãos americanos e minar o Estado de Direito no Brasil."Esses argumentos serviram de base para justificar as ordens executivas que desencadearam as novas tarifas.

Reação da indústria

Perante estes anúncios, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizou uma análise com base em listas de produtos afetados e isentos. De acordo com seus dados, 41,4% das exportações brasileiras para os Estados Unidos — abrangendo 7.691 produtos de diversos setores — estão agora sujeitas a uma tarifa combinada de 50%. Os setores mais impactados são: vestuário e acessórios (14,6%), máquinas e equipamentos (11,2%), produtos têxteis (10,4%), alimentos (9,0%), produtos químicos (8,7%) e couro e calçados (5,7%). Enquanto isso, as exportações de aço, alumínio e cobre — que já enfrentam sobretaxas de 25% e 50% sob a Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio — representam 9,3% do total e também estão sujeitas à nova tarifa de 50%. No geral, Esses setores representam 50,7% das exportações brasileiras para o mercado americano.

"A magnitude do problema que enfrentamos é enorme e precisaremos de um avanço nas negociações para superar essas barreiras. Essa tarefa requer a participação de governos e setores produtivos. Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial da indústria; precisamos encontrar soluções.", ele alegou Ricardo Alban, presidente da CNI, no comunicado oficial.

Com essa ação, o Brasil se junta a outros três países — China, Canadá e Índia — que também entraram com pedidos de consultas na OMC sobre tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos a diversos produtos.

Mecanismo da OMC

Como a própria OMC explica sobre o mecanismo de solução de controvérsias: "Ninguém gosta que os países discutam entre si, mas se surgirem disputas comerciais, é melhor resolvê-las de acordo com regras acordadas internacionalmente". Nesse sentido, recorrer a esse mecanismo reflete a confiança dos países no sistema multilateral para resolver suas disputas de forma ordenada e justa.

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