O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, disse nesta quinta-feira (21.3.2019) que uma possível entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) seria "muito importante", já que " muitas das negociações do mundo são definidas lá."
"O Brasil dentro da OCDE faz parte hoje da discussão da gestação embrionária de vários acordos, de várias negociações" no campo da economia global, disse Azevêdo durante evento realizado em São Paulo.
Segundo o diretor, a perda do status diferenciado que o Brasil desfruta na OMC por sua condição de país em desenvolvimento seria uma "pequena parte" em comparação ao que representaria a adesão à OCDE.
Azevêdo considerou que a entidade não só confere um "selo de qualidade" aos seus associados, como também é o palco em que "a agenda global" é definida, já que muitos acordos "que ali se desenvolvem" acabam sendo "discutidos e negociados. "em outros fóruns, como a própria OMC."
"Um membro da OCDE tem, portanto, a oportunidade de começar a moldar a agenda global internamente, o que é absolutamente essencial", disse Azevêdo aos repórteres.
O diretor destacou que a OCDE também traz “vários benefícios”, entre eles discussões sobre políticas públicas e práticas comerciais mais convenientes, além de estudos sobre os melhores tratamentos para enfrentar os principais desafios da economia moderna.
No entanto, Azevêdo ressaltou que é o governo brasileiro que "deve responder" à questão sobre as consequências de renunciar ao seu status de país em desenvolvimento na OMC, que lhe garante certas condições favoráveis na hora de negociar.
«Na minha leitura, não entendi que o Brasil está abrindo mão do seu status de país em desenvolvimento, mas sim utilizando alguns espaços nessa área. Mas essa é uma questão que tem que ser colocada ao governo", disse Azevêdo.
Em reunião com autoridades de vários países, realizada na sede paulista da Câmara de Comércio Internacional, o diretor admitiu que a economia mundial vive um "momento de crise", mas sustentou que a OMC tem um "papel fundamental" na "preservação e estabilidade" do meio ambiente global.
"Sem a OMC, teríamos a lei da selva, onde todos perdem, mesmo aqueles que acreditam estar no topo da cadeia alimentar", assegurada.
A este respeito, o diretor disse que “há muito pragmatismo” por trás das polêmicas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que poderia retirar seu país de organizações internacionais como a OMC se não houvesse mudanças nessas entidades. .
Apesar das ameaças, segundo Azevêdo, os Estados Unidos continuam participando "ativamente" das discussões globais e mantêm uma "estratégia" que consiste em "desestabilizar" o sistema atual para "criar um novo".
"Eles (os EUA) querem transformar o sistema multilateral em outro tipo de sistema, mais compatível com a realidade do mundo atual", disse o diretor.
Também participou do encontro em São Paulo o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, que destacou que o Brasil precisa se "adaptar competitivamente", por meio do comércio internacional, ao "tipo de globalização que está ocorrendo".
O secretário disse estar otimista com as possibilidades "extraordinárias" que seu país poderá desfrutar nos próximos quatro anos graças à política neoliberal promovida pelo governo do ultradireitista Jair Bolsonaro.
"Temos (no Governo) um elemento de coesão e coordenação, compartilhamos os mesmos diagnósticos e previsões, o que oferece possibilidades extraordinárias ao Brasil", disse Troyjo.
Fonte: Reuters
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