O presidente argentino Mauricio Macri e seu colega boliviano Evo Morales avançaram na segunda-feira (22.4.2019) em Buenos Aires na cooperação bilateral em áreas como energia e tecnologia, e elogiaram os laços históricos e culturais que unem os dois países vizinhos.
Em declaração conjunta na Casa Rosada, os líderes revisaram os temas que foram foco das reuniões que lideraram junto com delegações políticas e técnicas durante a primeira visita de Morales ao seu homólogo desde que ele assumiu a presidência em dezembro de 2015.
"Esta visita, caro Presidente, está sendo realizada no marco da profunda e histórica amizade que existe entre nossos países", disse o chefe de Estado argentino aos repórteres no Salão Branco da Casa Rosada.
De manhã, ambos os presidentes se encontraram na cidade de El Palomar, em Buenos Aires, onde conversaram sobre energia e viram um avião da Força Aérea Argentina. que se pretende vender à Bolívia através de um programa de treinamento conjunto.
Morales, junto com seu homólogo, expressou sua "surpresa" com a aeronave e ressaltou que desde "governos anteriores" seu país começou a adquirir tecnologia argentina, como aviões para o Exército ou ambulâncias.
"Com o irmão presidente acertamos, por exemplo, construir três hospitais de medicina nuclear, todos com tecnologia argentina", disse o presidente boliviano, convencido de que ambos os países têm a "obrigação" de buscar esse tipo de transferência como Estados latino-americanos.
Morales destacou que pela primeira vez na história da Bolívia começou a industrialização de seus recursos naturais e lamentou que a maior parte da tecnologia venha da Europa, Ásia ou América do Norte, mas "muito pouco do Brasil e da Argentina".
Sobre as negociações da aeronave Pampa III da Argentina, Morales disse que uma equipe técnica de seu país chegará para negociar a aquisição.
Por outro lado, em termos de energia, a Bolívia, por meio da Empresa Nacional de Eletricidade da Bolívia (ENDE), já está autorizada a operar no sistema elétrico argentino.
A estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) também poderá vender gás natural diretamente na Argentina por meio de empresas privadas argentinas.
"As negociações estão progredindo muito bem. YPFB participará de investimento em plantas destinadas à exportação"Morales acrescentou.
Macri disse que, além da energia, as conversas bilaterais também discutirão "temas importantes" para o futuro de ambos os países, como equipamentos hospitalares, a hidrovia Paraguai-Paraná até o Atlântico - compartilhada por Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai - e intercâmbios comerciais e culturais.
Os presidentes concordaram em transferir a zona franca concedida à Bolívia para a cidade de Rosário - às margens do Rio Paraná - para dar-lhe maior funcionalidade e fortalecer o comércio boliviano pela hidrovia., para se conectar com o Atlântico.
Bolívia e Argentina também trabalharão em cooperação científica para fortalecer o desenvolvimento de biocombustíveis.
Morales elogiou a Argentina por fornecer "facilidades" aos seus compatriotas que vêm trabalhar e "contribuir" para o setor produtivo, como a fabricação de tijolos, e reconheceu que durante as horas que esteve no país ouviu falar de "alguns problemas" no setor têxtil.
"Sempre haverá problemas que teremos como comunidades migrantes", enfatizou.
O presidente boliviano está em Buenos Aires desde domingo e teve um encontro com a comunidade boliviana residente na Argentina.
Argentina – Bolívia: Declaração conjunta ???? https://t.co/Y4YZInhfI7 foto.twitter.com/MNtvukg2HY
— Ministério das Relações Exteriores da Argentina ?? (@CancilleriaARG) 22 de abril de 2019
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