A Argentina assinou oficialmente hoje (05.02 de fevereiro de 2026) o Acordo Recíproco de Comércio e Investimento com os Estados Unidos, um instrumento estratégico que busca aprofundar a relação econômica bilateral e expandir as oportunidades de comércio e investimento entre os dois países. A medida faz parte da estratégia argentina de diversificar seus mercados e fortalecer sua integração internacional em um contexto geopolítico complexo.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, este acordo, anunciado originalmente em 13 de novembro de 2025, é o primeiro instrumento do gênero na região que incorpora compromissos de investimento, consolidando assim a aliança estratégica e a confiança mútua com os Estados Unidos, que atualmente contam com mais de 330 empresas operando no país.
Nesse contexto, o acordo também visa a Reduzir as barreiras tarifárias e não tarifárias, melhorar a coordenação contra práticas comerciais desleais e promover a competitividade, a inovação e a cooperação entre ambos os parceiros estratégicos.
Estrutura do acordo
O acordo bilateral está organizado em seis seções principaisDentre esses, os seguintes pontos se destacam em resumo:
Preferência tarifária
Entre os principais resultados comerciais, Os Estados Unidos eliminarão as tarifas recíprocas sobre 1.675 produtos argentinos. em diversos setores produtivos, o que permitirá a recuperação das exportações estimadas em US$ 1.013 bilhão. Segundo declarações oficiais, esse marco “melhora a integração do nosso país nas cadeias de suprimentos, gera novas oportunidades por meio do aumento das exportações de produtos já comercializados e facilita a abertura de novos mercados graças a melhores condições de acesso”.
Além disso, o governo dos EUA concederá uma expansão sem precedentes da quota de acesso preferencial para carne bovina argentina até 100.000 mil toneladas. Desse total, mais 80.000 mil toneladas serão incorporadas em 2026, somando-se às atuais 20.000 mil toneladas. Isso permitiria que as exportações do setor aumentassem em aproximadamente US$ 800 milhões.
Além disso, os Estados Unidos reafirmaram seu compromisso de revisar as tarifas aplicadas a aço e alumínio nos termos do artigo 232 da sua Lei de Expansão Comercial.
Por sua parte, o A Argentina eliminará as tarifas sobre 221 posições tarifárias. —incluindo máquinas, equipamentos de transporte, dispositivos médicos e produtos químicos—, reduzirá outros 20 itens para 2%, principalmente autopeças, e estabelecerá cotas para veículos, carne e produtos agrícolas. Esses compromissos visam melhorar a competitividade sistêmica, reduzindo os custos de insumos e bens de capital e simplificando os procedimentos, garantindo assim a previsibilidade para os setores produtivos.
Investimentos e financiamentos estratégicos
Em termos de financiamento, os Estados Unidos trabalharão por meio de instituições como o Banco de Exportação e Importação (Export-Import Bank).Banco EXIM) e a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional (DFC) para apoiar investimentos em setores estratégicos da Argentina, em conjunto com o setor privado dos EUA.
O acordo também estabelece um quadro favorável para startups, fintechs e empresas de tecnologiae a Argentina se comprometeram a adotar padrões internacionais modernos em propriedade intelectual.
Comércio digital e tecnologia
Ao mesmo tempo, o instrumento incorpora compromissos concretos no comércio digital e tecnologia, incluindo a facilitação do comércio digital, a proibição de impostos discriminatórios sobre serviços digitais e a garantia de que a Argentina não imporá condições que exijam que empresas americanas transfiram tecnologia ou código-fonte para operar no país. Além disso, ambas as partes se comprometem a Não cobrar direitos aduaneiros sobre transmissões eletrônicas. já apoiam a adoção de um moratória permanente sobre esses direitos no âmbito da Organização Mundial do Comércio, promovendo assim a inovação, o investimento e a segurança digital no comércio bilateral.
Modernização aduaneira e simplificação do comércio
O acordo estipula que a Argentina manterá ou implementará soluções tecnológicas que permitam o processamento completo antes da chegada, o comércio sem papel e procedimentos digitalizados para a movimentação de mercadorias dos Estados Unidos através de suas fronteiras. O objetivo é simplificar os procedimentos alfandegários, reduzir a burocracia e promover a eficiência no comércio bilateral.
Outras disposições importantes
O acordo estabelece normas trabalhistas e ambientaise promove medidas para prevenir práticas comerciais desleais e garantir a concorrência leal. Inclui também um quadro de cooperação em segurança econômica, controle das exportações e dos minerais críticos, com mecanismos de monitoramento, modificação e resolução de conflitos por meio do Conselho de Comércio e Investimento.
Validade
O acordo entrará em vigor. 60 dias após a troca de notificações legais entre as partes ou em outra data que seja mutuamente acordada.
Integração internacional e apoio empresarial
Os Estados Unidos são o principal investidor estrangeiro na Argentina e um de seus principais parceiros comerciais, sendo o terceiro maior destino das exportações e a terceira maior fonte de importações. O acordo reforça a estratégia argentina de abertura e diversificação de mercados, complementando os acordos de MERCOSUL com a EFTA e a União Europeia, em um contexto internacional caracterizado por modernização do comércio.
La Câmara Argentina de Comércio e Serviços (CAC) Ele observou que o acordo representa "um passo importante na direção certa", destacando que fortalecerá a relação bilateral para além do comércio de bens, abrangendo serviços, financiamento, investimento e transferência de tecnologia, e que contribuirá para a normalização da economia e o crescimento sustentável.
Assim, a Argentina formalizou o acordo bilateral com os Estados Unidos. Uma análise detalhada do texto permitirá uma compreensão completa de seu alcance e apoiará sua implementação eficaz.
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