Em tempos de crescente reconfiguração do comércio internacional, tensões geopolíticas e aceleração da agenda digital, um diagnóstico da Associação Latino-Americana para a Integração (ALADI) volta a destacar uma das principais fragilidades da América Latina: a baixa utilização efetiva dos instrumentos de integração comercial existentes.
O relatório de 20 páginas, ao qual ele teve acesso Aduana News, alerta que apenas o 8,8% dos produtos com preferências tarifárias disponíveis utilizam efetivamente esses benefícios. no comércio regional. O estudo, intitulado “Aproveitando as preferências tarifárias nos acordos ALADI”, mostra que Apenas um em cada dez produtos que poderiam ser comercializados com vantagens tarifárias atualmente se beneficia desses instrumentos.
Ampla cobertura, baixa utilização
A descoberta é especialmente relevante considerando a ampla abrangência da rede de convênios da ALADI. Segundo o estudo, aproximadamente 80% Cerca de 85% do comércio regional podem circular na região sem o pagamento de tarifas ou com tarifas reduzidas, graças às preferências negociadas entre os países membros.
No entanto, o problema reside não apenas na existência de acordos, mas também na sua utilização efetiva.
O relatório argumenta que, mesmo quando existe cobertura preferencial, muitos produtos não a aproveitam porque fatores estruturais e operacionais. Esses fatores incluem a falta de oferta exportável ou de demanda efetiva, dificuldades no cumprimento das regras de origem, custos logísticos, desconhecimento dos acordos e a persistência de barreiras não tarifárias.
A análise também mostra fortes diferenças entre os países. Brasil, Argentina e Panamá registram os níveis mais altos de utilização de políticas preferenciais, enquanto Cuba e Venezuela apresentam níveis mínimos. Por outro lado, Bolívia, Paraguai e Uruguai se destacam pela ampla abrangência de seus acordos, em contraste com economias onde a rede de políticas preferenciais é mais limitada ou seletiva.
Existem tambem diferenças marcantes no nível setorialOs setores industriais com maior valor agregado — como têxteis, cerâmica, metais e máquinas — apresentam melhores níveis de utilização das preferências tarifárias, enquanto os produtos primários continuam a enfrentar maiores restrições estruturais.
Utilização reduzida e desafios pendentes
O estudo também fornece outro dado que merece atenção: a utilização regional de preferências caiu de 9,9% em 2015 para 8,8% em 2021. Entre as causas citadas estão... Redução progressiva de tarifas Nação Mais Favorecida (MFN) e o crescente peso da China no comércio regional, cuja participação nas importações latino-americanas passou de 19% para 22% durante esse período.
Entretanto, o comércio intrarregional continua a representar apenas cerca de 12% do comércio total da região, refletindo as dificuldades persistentes na consolidação das cadeias de valor regionais e no aprofundamento da integração produtiva.
O diagnóstico ganha ainda maior relevância por coincidir com os resultados do Inquérito Global sobre a Facilitação do Comércio de 2025.Esta análise também foi conduzida pela ALADI em conjunto com a CEPAL. De acordo com este levantamento, a América Latina e o Caribe ainda estão atrás das economias mais eficientes, especialmente em áreas-chave como a digitalização abrangente de procedimentos, a troca eletrônica de documentos e a interoperabilidade das janelas únicas para o comércio exterior.
Para além dos números mencionados, o estudo revela uma das principais fragilidades da região: a América Latina possui inúmeros acordos comerciais, mas ainda não conseguiu traduzi-los em um maior comércio regional.
Nesse sentido, o diagnóstico da ALADI reforça um dos principais desafios da facilitação do comércio: tornar a informação, a coordenação e a transparência mais eficazes para que os acordos existentes se traduzam em maior comércio regional. O gráfico a seguir tem como objetivo contribuir para a compreensão do potencial dos países nessa área.

Consulte o estudo “Utilizando Preferências Tarifárias em Acordos ALADI” https://www2.aladi.org/biblioteca/Publicaciones/ALADI/Secretaria_General/SEC_Estudios/254.pdf
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