Agradecemos ao Dr. Héctor Juárez Allende e à guia da Alfândega Argentina, Fátima, pelas contribuições históricas que enriqueceram a elaboração deste artigo.
O dia 1º de junho não só marca o início do sexto mês do ano, mas também tem um significado especial para a República Argentina: é o Dia da Alfândega e dos Trabalhadores Aduaneiros. Esta data representa uma valiosa oportunidade de reconhecimento desta instituição, cujo trabalho é fundamental para o controle do comércio exterior e a aplicação da legislação pertinente à importação e exportação.
Uma origem que remonta a 1586
A comemoração do Dia da Alfândega tem uma origem histórica que remonta a 1586, quando foi feito o primeiro registro contábil dos impostos de importação em Buenos Aires. Naquele ano, chegou um navio da costa do Brasil, especificamente do porto de Santos, enviado por Alonso de Vera y Aragón, com autorização de licença régia. A operação foi documentada como um marco fundamental na história da alfândega argentina.
Segundo o historiador Federico Gualberto Garrel, foi o oficial Diego de Olavarrieta quem arrecadou o imposto correspondente — conhecido como almojarifazgo — em nome da Coroa Espanhola. O registro original aparece em um livro de contabilidade oficial da época, mantido pelo tesoureiro Hernando de Montalvo, e marca o início formal da atividade alfandegária no território que mais tarde se tornaria a República Argentina..

Um patrimônio histórico: o Museu da Alfândega
Desde então, você pode visitar o Salão Histórico da Alfândega "Gabino Sánchez", inaugurado em 1º de abril de 2009 pela então Diretora Geral da Alfândega, Dra. Silvina Tirabassi. Este espaço pretende dar visibilidade às origens da actividade aduaneira no país, destacando que a A Alfândega é a instituição mais antiga do território nacional, pois sua existência é anterior à formação do Estado Argentino e remonta aos tempos do Vice-Reino.
O museu está localizado no subsolo do Palácio da Alfândega, localizado na Azopardo 350, Cidade de Buenos Aires. Segundo o guia oficial, o espaço que hoje abriga o museu era originalmente um poço, especialmente reformado para esse fim. Suas portas foram abertas ao público durante a edição de 2023 do Museum Night.
Ao entrar, os visitantes serão recebidos pelo brasão oficial da Alfândega, desenhado em 1964 pelos funcionários da alfândega Federico Garrell e Luis Arce. O emblema representa a identidade nacional com a imagem da República Argentina, símbolos da produção agrícola (trigo e gado) e a inscrição em latim "Consolidação e Ordenação” (“Unificação e organização”).


Um passeio pelo passado e pelo presente
O museu oferece uma linha do tempo destacando marcos como a criação do primeiro posto alfandegário de Buenos Aires em 1784 e a nacionalização do sistema alfandegário após a Constituição de 1853. Ele também exibe um mapa mostrando os principais parceiros comerciais atuais da Argentina — Brasil, Estados Unidos e China — juntamente com uma área interativa para crianças que explica o papel dos impostos alfandegários no desenvolvimento econômico.
Entre os objetos valiosos em exposição estão registros contábeis antigos, uniformes da Polícia Aduaneira, fotografias coloniais e documentos que refletem a evolução do ambiente ribeirinho de Buenos Aires. O acervo bibliográfico inclui Boletins Aduaneiros, Portarias, Circulares e um caderno, ilustrando como os desenvolvimentos eram registrados antes dos métodos modernos de cópia.
Destacam-se também instrumentos de grande valor histórico, como uma série de balanças (modelo Roberval de 1933, balança de precisão de 1950 e balança composta de pequena escala), um densímetro (hidrômetro da década de 40), um perfonumerador para marcação de documentos sem tinta, uma antiga máquina de impressão digital e um mimeógrafo manual, utilizado para reproduzir

Tecnologia, controle e proteção
O museu, sem dúvida, dedica um espaço especial ao controle aduaneiro moderno, onde estão em exibição exemplos reais de detecção de substâncias perigosas e do uso de tecnologias avançadas, como scanners. Também está em exposição uma coleção de rádios usados por agentes em áreas remotas, juntamente com telas de monitoramento em tempo real instaladas em várias fronteiras da Argentina.
Uma das seções mais importantes do museu presta homenagem aos cães treinados para detectar drogas e notas falsas. Esses animais, ferramentas de controle não intrusivo, formam pares especializados com seus guias. Nosso país é reconhecido pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA) pelo uso eficaz desta ferramenta no controle aduaneiro.
Este valioso passeio ganha um significado especial todo dia 1º de junho, quando celebramos o Dia da Alfândega, uma instituição com quase cinco séculos de compromisso em servir o país. A todos os agentes aduaneiros, agradecemos a dedicação diária e desejamos um dia muito feliz.
Por último, mas não menos importante, convidamos o público a visitar o Museu da Alfândega para descobrir em primeira mão essa história fascinante e entender o papel estratégico da alfândega na economia e na segurança do país.

Também incentivamos a leitura de artigos de renomados especialistas no assunto e a exploração de espaços de divulgação, como o site de Carlos Monetta, que traz valiosas contribuições de pesquisa.
◾"O prestígio de uma instituição e sua relação com a correção e eficiência daqueles que a compõem”, por Enrique C. Barreira:
https://aduananews.com/el-prestigio-de-una-institucion-y-su-relacion-con-la-correccion-y-eficiencia-de-quienes-la-integran/
◾ Site informativo sobre a História dos Costumes Argentinos
https://www.historiadelaaduana.com.ar/
(*) Todas as fotos e intervenções pertencem a Notícias da Alfândega.
O Aduana News é o primeiro jornal aduaneiro argentino a lançar sua versão digital. Com 20 anos de experiência, suas publicações e iniciativas visam facilitar o conhecimento mais relevante sobre questões aduaneiras, a fim de contribuir para o comércio seguro na região.








