Visão estratégica regional
Este evento promete ser um dos mais importantes do final de 2025. Tudo o que foi discutido na sexta-feira, 28 de novembro, sobre a simplificação do comércio só faz sentido se for compreendido em um contexto fundamental: os corredores bioeconômicos.
Partindo de Montevidéu, a ALADI organizou o "3º Encontro de Corredores Bioceânicos", que reuniu autoridades, organizações internacionais e representantes do setor privado para discutir os avanços em conectividade, logística e competitividade regional. Mais de 140 participantes Eles se conectaram virtualmente. Esses corredores bioceânicos ligam os oceanos Atlântico e Pacífico através do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, com o objetivo de transformar a logística e o comércio regionais, impulsionando a integração e o desenvolvimento sustentável até 2026.
A abertura ficou a cargo de Embaixador Didier Olmedo, Coordenador do Grupo de Transportes, Infraestruturas e Logística da ALADIEle enfatizou que esses corredores são um pilar central do programa da organização, integrando comércio, regulamentações, PMEs e a agenda digital. Destacou a participação do setor privado, como a FADEAC e a Federação Industrial de Mato Grosso. Ressaltou ainda que a iniciativa conta com o apoio de Resolução 85 do Conselho de Ministros, que confia à ALADI o fortalecimento da infraestrutura e logística regionais.
Nesse sentido, o Secretário-Geral da ALADI, Dr. Sergio Abreu, Ele enfatizou a necessidade de reduzir as disparidades de infraestrutura, especialmente nos países mediterrâneos e naqueles com menor desenvolvimento econômico. Alertou sobre a dívida histórica da região e observou que a competitividade depende não apenas da produção, mas também da logística e da capacidade de entrega no prazo. Ressaltou que a América Latina deve desenvolver sua própria estratégia para lidar com as mudanças globais e que atrair investimentos exige previsibilidade e continuidade em projetos estruturais.“Se não conseguirmos a integração física, não haverá desenvolvimento, investimento ou mobilidade social. A conectividade não une apenas territórios: une oportunidades.”O Sr. Abreu concluiu, passando a palavra às autoridades nacionais presentes na reunião.
Progresso e oportunidades
As ideias anunciadas não permanecem no nível conceitual: elas são traduzidas em projetos concretos, como o Corredor Bioceânico de Capricórnio (CBC)Essa iniciativa tem raízes históricas que remontam à década de 1960 e seu atual impulso se baseia em acordos concretos, como a Declaração de Assunção de 2015 e a Declaração de Brasília de 2017, que estabeleceram o roteiro comum entre Argentina, Brasil, Chile e Paraguai. Nesse contexto, participaram as autoridades da Argentina e do Brasil.
El O Ministro argentino Santiago Villarba, Diretor de Fronteiras e Limites e Coordenador Nacional do Grupo de Trabalho da CBC, Ele enfatizou que o corredor requer “um sistema de coordenação estável, com grupos de trabalho temáticos e um Fórum de Estados Subnacionais que integre capacidades locais e nacionais”. Ele observou o progresso na infraestrutura rodoviária, onde o tráfego de mercadorias ainda passa por áreas precárias, e afirmou que os investimentos permitirão “um salto qualitativo” na logística regional.
Villarba também destacou o potencial turístico da rota, que ligará o Deserto do Atacama, o Pantanal e várias regiões argentinas, e explicou que o projeto inclui a simplificação dos procedimentos de fronteira em passos estratégicos como Jama (Argentina–Chile), SICO (Argentina-Chile), La Paz–Pozo Hondo (Argentina–Paraguai) e o futura ponte bioceânicaUm projeto específico está em construção no rio Paraguai e irá conectar Carmelo Peralta (Paraguai) e Puerto Murtinho (Brasil)Todos os elementos-chave para o comércio entre o Atlântico e o Pacífico.
Nesse sentido, o ministro destacou o avanços da SINTIA, o sistema eletrônico que agiliza os procedimentos aduaneiros e fortalece a cooperação interalfandegária, e concluiu que O CBC é um projeto integrado que responde a uma demanda crescente, especialmente no Sudeste Asiático, mas também na costa oeste dos Estados Unidos.E essa coordenação com governos subnacionais, o BID e equipes técnicas nacionais demonstra que alcançar objetivos concretos é possível quando a integração física e digital avançam juntas.
Por sua parte, o João Carlos Parkinson de Castro, diplomata de carreira do Itamaraty, Ele concluiu suas observações destacando que o Corredor Bioceânico não apenas busca melhorar a competitividade regional, mas também constitui “uma resposta aos desafios da atual conjuntura global”, oferecendo “maior segurança geopolítica para nossos operadores comerciais.”Ele enfatizou que, uma vez inaugurado em 2025, o corredor permitirá que Paraguai, Brasil, Argentina e Chile sejam “menos dependentes do Canal do Panamá e de outras rotas internacionais”, reduzindo as vulnerabilidades logísticas. Essa maior autonomia, acrescentou, exige “uma nova perspectiva sobre as situações de fronteira”, proporcionando-lhes maior segurança jurídica, estabilidade geopolítica e melhores condições de vida para as comunidades locais.
Além disso, Parkinson destacou os atuais desafios de transporte no Brasil, com altos custos, especialmente na região sul, o que limita o fornecimento de produtos sul-americanos para a Ásia. Nesse contexto, o corredor oferecerá “uma alternativa logística mais atrativa” para acessar um mercado de aproximadamente um bilhão de consumidores, com foco na China. Ele também ressaltou eo potencial para cadeias de produção associado ao projeto: Comércio por atacado e varejo, combustíveis e serviços de reparo, portos secos, logística, energia limpa, serviços alfandegários, segurança e conectividade digital. gerando novas atividades econômicas ao longo do percurso. Como exemplo de dinamismo regional, ele lembrou que somente em outubro de 2025, 11.379 empresas foram estabelecidas no Mato Grosso, das quais 8.500 correspondem ao setor de serviços.
Depois Murilo Lubambo de Melo, assessor do Ministério das Relações Exteriores do BrasilEle detalhou a dimensão regional do projeto, enfatizando que não se trata de um corredor isolado, mas sim de uma rede integrada. Rede de rotas bioceânicas que conecta toda a América do Sul., com ramificações estratégicas em direção apara a Bolívia, Peru e Uruguai, com foco especial na região oeste.Ele forneceu uma informação fundamental: o programa conta com apoio financeiro internacional de quase 10.000 bilhões de dólares, destinado a acelerar obras essenciais do sistema bio-oceânico e suas conexões complementares.
Murilo Lubambo detalhou ainda a agenda de integração digital, baseada na convergência tecnológica nas fronteiras e rodovias, na melhoria da conectividade nas passagens de fronteira, na incorporação de infraestrutura inteligente para o transporte e na interoperabilidade entre os sistemas dos países envolvidos. No que diz respeito à facilitação do comércio, ele enfatizou que A consolidação do corredor exige avanços em instrumentos como o certificado de origem digital, a assinatura digital, a promoção do comércio eletrônico e o desenvolvimento de plataformas compartilhadas entre as alfândegas, destacando-se que o estudo PROMOMEX constitui um insumo técnico fundamental para essa agenda.

Plano Diretor e Cooperação Regional
Após as observações sobre o Corredor Bioceânico de Capricórnio (CBC), surge uma questão: o que é necessário para avançar? A resposta centra-se num Plano Diretor Regional e no financiamento. A este respeito, [a seguinte pessoa/organização] interveio. Alejandra Radl, especialista em integração e comércio do INTAL-BIDRadl, que focou sua apresentação no Plano Diretor do Corredor Transfronteiriço (CBC), definido como “um recurso de cooperação técnica para quatro países e os oito governos subnacionais do corredor”, enfatizou que o elemento essencial não é a rota — “já amplamente conhecida” — mas sim a Elementos que tornam este projeto único:
- Configuração do atorAs declarações presidenciais de 2015 e 2017 alinharam Argentina, Brasil, Chile e Paraguai, dando origem a uma governança coordenada entre os níveis nacional e subnacional.
- Desenvolvimento sustentávelO projeto integra dimensões econômicas, sociais e ambientais, com foco em comunidades vulneráveis e na biodiversidade do corredor.
- Três dimensões do Plano Diretor: Facilitação do comércio (otimização das passagens de fronteira de acordo com a PROCOMEX), infraestrutura física e digital (lacunas críticas detectadas pela Slot Consulting) e desenvolvimento produtivo e comercial (mapeamento de cadeias estratégicas e obstáculos na certificação, inovação e financiamento).
Em relação à abordagem territorial-setorialO BID destacou a necessidade de selecionar produtos estratégicos por região para caracterizá-los e compreender suas lacunas, a fim de impulsionar seu desenvolvimento. Por exemplo, em Mato Grosso, Alto Paraguai, Boquerón e Presidente Hayes, a prioridade é dada a...carne bovina, soja, celulose e turismo; em Salta e Jujuy, leguminosas, tabaco e vegetais; em Antofagasta e Tarapacá, serviços logísticos e portuários; e no NOA-NGCH, Serviços de mineração e turismo.
O plano inclui documentação consolidada, um sistema de monitoramento do projeto e um portal web para o corredor. A governança foi formalizada no 6º Fórum de Campo Grande (fevereiro de 2025), com uma cúpula de governadores, comitê executivo, comitês temáticos e uma secretaria técnica.
Atualmente, 16 funcionários de governos subnacionais estão trabalhando em coordenação com 15 especialistas do BID. Radl concluiu reafirmando o compromisso institucional: “O BID permanece totalmente disponível para apoiar a implementação do Plano Diretor, a coordenação em vários níveis e os projetos de investimento necessários para consolidar o corredor.”".

Contudo, a implementação do componente de Facilitação do Comércio do Plano Diretor constitui um marco fundamental para a consolidação do Corredor Bioceânico de Capricórnio, onde a cooperação regional e a integração público-privada são condições essenciais. Neste contexto, [os seguintes] intervieram John Edwin Mein, Coordenador Executivo da PROCOMEXque apresentou os resultados do trabalho técnico realizado para o corredor. Este estudo é complementado pelo Relatório do Projeto de Gestão Coordenada de Fronteiras, encomendado pelo Comitê Técnico nº 2 “Assuntos Aduaneiros e Facilitação do Comércio” do MERCOSUL (CCM).
Segundo o Sr. Mein, o novo estudo foi desenvolvido em várias fases, com reuniões virtuais e presenciais, e envolveu 465 representantes do setor privado e 161 do setor público. Isso permitiu identificar ineficiências em regulamentos, procedimentos, infraestrutura e recursos humanos, e propõe medidas para evitá-las na nova infraestrutura do corredor.O relatório enfatiza que “a consolidação da Bacia de Combustíveis depende não apenas da infraestrutura física, mas também da capacidade institucional de integrar processos, harmonizar marcos regulatórios e garantir previsibilidade para os operadores”.Dentre as medidas facilitadoras, destacam-se: “a digitalização de processos, a interoperabilidade de sistemas, a troca de imagens de scanners e a gestão eletrônica de documentos aduaneiros e sanitários”, identificando gestão coordenada de fronteiras como um “fator crítico de sucesso”Mein concluiu enfatizando que “o trabalho transforma desafios em oportunidades” e constitui um “roteiro orientado para resultados, visando tornar o CBC um corredor mais eficiente, moderno e competitivo”. O estudo completo pode ser encontrado aqui: https://drive.google.com/file/d/1nb7Rig-kaG5cuslSy0crU-INEoKCEEyj/view

Dito isto, Rafael Laurentino da ALADI Ele destacou que “as descobertas da PROCOMEX coincidem com as linhas de trabalho que a organização vem promovendo”, enfatizando que “A digitalização é agora o foco central da nossa agenda.Ele destacou avanços importantes, comoo Certificado Digital de Origem, que já abrange mais de 80% do comércio preferencial no MERCOSUL e em outros países da ALADI; a assinatura digital regional, com sete países integrados; e os avanços na certificação fitossanitária eletrônica.
Além disso, ele lembrou os estudos técnicos sobre Operadores Econômicos Autorizados (OEA), os acordos regionais relacionados ao transporte e os seminários sobre interoperabilidade e gestão de riscos. Por fim, reafirmou o compromisso institucional: “O Secretariado Geral da ALADI está totalmente disponível para apoiar o Corredor Bioceânico com nossa experiência, redes e recursos.”
Um último detalhe, mas não menos importante: o cargos no setor privado foram expressas por Caio Machado, da Federação Industrial do Estado de Mato Grosso (Brasil), que descreveu os desafios e expectativas da região em relação ao desenvolvimento do Corredor Bioceânico; e por Silvia Sudol, da FADEAC (Argentina), que apresentou as principais preocupações do setor e suas propostas.
Assim, o encontro ofereceu um espaço para ouvir e articular as vozes de múltiplas partes interessadas. Por todos os motivos expostos acima, o 3º Encontro sobre Corredores Bioceânicos demonstra que, embora seja um tema técnico, merece atenção. O desafio é traduzir as informações em ações que fortaleçam a integração, melhorem a infraestrutura, facilitem o comércio e reforcem a coordenação digital e logística, para que o Corredor Bioceânico de Capricórnio se consolide como uma proposta concreta para o desenvolvimento sustentável na América Latina. O encontro completo pode ser assistido no canal do ALADI no YouTube.
Antes de concluir, permitam-nos algumas palavras finais: outros eventos relevantes e complementares, como os organizados pelo Trade Compliance Institute (TCI), em breve fomentarão sinergias para fortalecer a integração e a facilitação do comércio na região.
Cobertura fornecida pela HUMAN INTELLIGENCE, sob a direção de María Elsa Coronel. A reprodução total ou parcial requer a devida atribuição.
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