O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) publicou estimativas dos fluxos de comércio internacional na América Latina e no Caribe para o ano de 2020 e o primeiro trimestre de 2021. A nota mostra um crescimento de 8,9% em relação ao ano anterior, após uma contração de 9,0% em 2020, o que indica uma recuperação do comércio regional apesar da pandemia da COVID-19.
No entanto, a organização financeira internacional alertou que a mudança de tendência se deve principalmente a uma aumento nos preços de exportação, enquanto os volumes continuaram a diminuir.
O relatório afirma que os preços de diversas commodities exportadas pela América Latina se aproximaram de máximas históricas nos primeiros quatro meses de 2021. Assim, o aumento ano a ano foi mais perceptível no mineral de ferro que subiu 93,6%, cobre 57,9% e o óleo 41,7%. A ascensão do soja foi de 60%, açúcar 27% e o café teve um crescimento de 11,9%.
A evolução dos preços foi influenciada pela retoma da atividade económica global (a mando de enormes pacotes de ajuda fiscal e monetária) e a enfraquecimento do dólar Americano, disse o BID.
Em termos de volumes exportadosNo primeiro trimestre de 2021, houve uma queda estimada de 2,2% em relação ao ano anterior, embora tenha havido diferenças. Segundo o relatório, “economias com exportações concentradas em minerais e combustíveis, como Chile, Colômbia, Peru e Venezuela, continuam registrando contrações nas quantidades exportadas, enquanto aquelas especializadas em produtos agrícolas, como Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, e em indústrias como El Salvador e México mostram sinais de recuperação.
O Uruguai registrou a recuperação mais forte de toda a região, com volumes de exportação aumentando 20,5% no primeiro trimestre de 2021, impulsionados por carne, madeira e trigo. Os volumes de exportação do Brasil aumentaram 2,4%, impulsionados pelos embarques de minério de ferro, açúcar e café. Exportações de Argentina cresceu 2,1% em relação ao ano anterior, devido ao aumento dos embarques de óleo de soja, farinha e pellets.

Apesar disso, o BID alerta que A América Latina não está aproveitando ao máximo o momento gerado no crescimento dos seus principais parceiros comerciais extra-regionais: Estados Unidos e China.
A China foi o principal motor da recuperação comercial na América Latina, enquanto houve um aumento menor na demanda dos Estados Unidos e da União Europeia.
As exportações para a China aumentaram 34,7% ano a ano no primeiro trimestre. As remessas para os Estados Unidos e a UE também aumentaram, mas em um ritmo mais lento, 3,9% e 4,0%, respectivamente.
O desempenho foi muito heterogêneo entre as sub-regiões. em Ámérica do Sul, beneficiando particularmente do aumento da procura chinesa, as remessas externas cresceram 14,4% ano a ano no primeiro trimestre de 2021, após uma queda de 9,5% em 2020. As exportações de Mesoamérica teve um aumento estimado de 4,0% ano a ano no primeiro trimestre de 2021. Por sua vez, as remessas de Central expandido 11,3% nesses meses, onde as exportações do Panamá se destacam. Nas duas últimas sub-regiões, a demanda dos Estados Unidos atuou como o principal impulsionador da expansão e, para os países do istmo, a própria sub-região também contribuiu para o aumento, destacou a análise.
Em suma, no início de 2021, a América Latina superou o impacto comercial recessivo da pandemia. “Manter essa tendência de crescimento será fundamental para apoiar a expansão econômica incipiente”, concluiu a nota do BID. (Estimativas dos fluxos de comércio internacional na América Latina e no Caribe, edição 2021)
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