A disputa que eclodiu entre Brasil e Uruguai sobre exportações de laticínios ainda não teve um final feliz, apesar da boa disposição que o presidente brasileiro Michel Temer manifestou ao seu homólogo Tabaré Vázquez em conversa telefônica mantida na última sexta-feira (13.10,2017). A missão brasileira que deveria chegar ao Uruguai na segunda-feira para resolver o conflito nunca se concretizou.
"Não heinbo sem contato oficial"e é difícil imaginar a possibilidade dessa missão acontecer nas próximas 48 horas", disseram fontes ao El Observador.
O que houve na terça-feira foi uma videoconferência de meia hora entre o subsecretário de Pecuária do Uruguai, Enzo Benech, com o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Abastecimento do Brasil, Luis Rangel, para buscar uma solução para o conflito, como foi o compromisso que Temer assumiu com Vázquez. "Quem tem que fazer o movimento é o Brasil. Estamos esperando um gesto deles", disseram fontes familiarizadas com as negociações ao El Observador.
Enquanto isso, o comércio de laticínios entre os dois países aguarda uma solução para normalizá-lo. "Os licenças concedidos até 12 de outubro foram permitidos. Os embarques estão autorizados para essa data, mas nenhum novo negócio foi possível. "Os próprios importadores brasileiros estão com dificuldades para fazer negócios", admitiu o presidente do Instituto Nacional do Leite (Inale), Ricardo de Izaguirre, à rádio Carve nesta terça-feira (18.10.2017).
A decisão de suspender a licençaA indústria leiteira uruguaia foi resolvida unilateralmente pelo Ministro da Agricultura do Brasil sob o argumento de que o Uruguai "triangula" na venda de laticínios para o Brasil. Segundo De Izaguirre, Inale compilou um relatório contendo dados que comprovam que todo o leite exportado do Uruguai, na verdade, pertence a produtores do país. O documento foi enviado ao Itamaraty e ao Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP) na última sexta-feira.
O ministro Maggi disse à imprensa brasileira na segunda-feira que a suspensão das importações de leite é "provisória e viável". Ele disse ainda que se o Uruguai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), terá o direito de exportar para o Brasil.
No entanto, Maggi manteve sua posição de que o mercado de leite precisa ser regulado por meio da adoção de uma cota de exportação para o Uruguai, semelhante às 5.000 toneladas mensais adotadas no comércio do produto entre Brasil e Argentina.
A posição do governo é que não há negociação possível porque a questão da triangulação não está em questão. O Uruguai também não está disposto a permitir qualquer tentativa de estabelecer cotas no mercado de laticínios, como é o caso entre Brasil e Argentina.
Fonte: The Observer
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