Por ocasião do trigésimo aniversário da existência do MERCOSUL, mais de 27 anos após a assinatura do Acordo de Recife que deu início à implementação das Áreas Integradas de Controle no bloco, o workshop de três dias teve início virtualmente (17 de novembro a 19) em “Gestão Coordenada de Fronteiras”. A iniciativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Receita Federal) tem como objetivo facilitar o diálogo entre administrações aduaneiras, agências reguladoras de fronteiras, organismos internacionais e empresas com vistas a avaliar os avanços alcançados com a utilização desse mecanismo de controle integrado. nos Estados Partes para melhorar a facilitação do comércio internacional legítimo.
Fausto Vieira Coutinho, Subsecretário de Administração Aduaneira da Receita Federal do Brasil, Ele destacou na abertura que “O MERCOSUL continua sendo um instrumento fundamental para a cooperação e a promoção do desenvolvimento econômico e social na América do Sul.”. Nesse sentido, ele enfatizou a importância de aprimorar a integração e a colaboração entre as agências de fronteira sob o Acordo de Facilitação do Comércio da OMC e o Modelo de Gestão Coordenada de Fronteiras da OMA.
Como aspecto fundamental, o Embaixador Michel Arslanian Neto, Diretor do Departamento do Mercosul e Integração Regional do Ministério das Relações Exteriores, destacou que durante a pandemia da Covid-19 houve maior abertura por parte das autoridades para acordar soluções para os problemas que enfrentam nas fronteiras. “Este é um exemplo da nossa integração", disse; encorajado “manter essa energia e esse pragmatismo vivos.”
Depois Silvia Traverso, chefe da Alfândega argentina, seu homólogo do Uruguai, Javier Borgiani, e o representante do Paraguai, Roberto Quiñonez, falaram de seus países e expressaram seu comprometimento com as melhores práticas internacionais.
Após a intervenção, o Secretário-Geral Adjunto da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), Ricardo Treviño, Explicou o conceito de gestão coordenada de fronteiras da OMA, salientando que É uma das prioridades da alfândega que traz benefícios ao governo, agências e operadores econômicos. Ele também destacou as vantagens da implementação juntamente com as melhores práticas internacionais. Ele também forneceu ao público uma visão geral clara do papel e dos esforços da OMA nesta iniciativa, que visa aprimorar a implementação de estratégias de cooperação conjunta pelos Membros da Organização para otimizar o controle e a facilitação das fronteiras.
O Secretário-Geral Adjunto afirmou, a este respeito, que na pandemia da Covid-19, uma gestão coordenada e adequada das fronteiras ajudou a garantir a circulação harmoniosa de bens essenciais, como material médico, alimentos e vacinas, ao mesmo tempo que atenuou o impacto negativo causado na sociedade e a economia global. Ele também se referiu aos instrumentos e ferramentas da OMA que são relevantes para dar maior suporte à implementação eficaz e eficiente da gestão coordenada de fronteiras. Isso inclui a Convenção de Kyoto Revisada, a Gestão de Riscos, a Janela Única, o Modelo de Dados da OMA e o Marco Regulatório SAFE.
"De acordo com o primeiro estudo de prazos de desembaraço para importações do Brasil, o tempo médio para autorização de carga na Uruguaiana é de 2 a 3 dias, sendo 20 horas gastas em processos e autorizações.", detalhou Ernani Checcucci, especialista do Banco Mundial. "Isso está longe da realidade dos países mais avançados.”, ele disse. Ele também incentivou os países do MERCOSUL a desenvolverem processos colaborativos entre os diversos agentes envolvidos, tanto do setor público quanto do privado, para reduzir o tempo de travessia das fronteiras.
Para tanto, foram apresentadas as “Perspectivas Globais sobre Gestão Coordenada de Fronteiras” e “A Experiência Honduras-Guatemala em Gestão Coordenada de Fronteiras”. A respeito disso, Ex-Secretário Geral de Integração Econômica Centro-Americana (SIECA), Melvin Redondo, explicou que o conceito de gestão coordenada de fronteiras foi desenvolvido por meio da Estratégia de Facilitação do Comércio da América Central, que se baseia no conceito desenvolvido pela Organização Mundial das Alfândegas. Ele também destacou que esse marco legal estabeleceu um modelo funcional que inclui eixos transversais como a Plataforma de Comércio Digital Centro-Americana para fins de integração de informações e processos de alfândega, imigração e gestão de janela única.
Particularmente Melvin Redondo destacou a gestão coordenada das fronteiras binacionais entre Honduras e Guatemala que se baseia no processo de Integração Profunda (em vigor desde 2017) para estabelecer uma União Aduaneira. Para colocar em funcionamento este território aduaneiro único, destacou a instalação de Postos Fronteiriços Integrados e de Postos Aduaneiros Periféricos, onde as autoridades dos dois países realizam uma gestão coordenada das fronteiras. Além desse trabalho conjunto, ele mencionou a novidade da construção de módulos habitacionais fronteiriços para facilitar a presença de funcionários que intervêm na travessia entre os países de forma permanente, alcançando resultados importantes no processo de integração. Em seguida, marcou outro avanço entre Honduras e Guatemala: a implementação da transmissão eletrônica da Declaração Antecipada de Mercadorias, medida que é realizada previamente à chegada dos meios terrestres de transporte de cargas aos postos fronteiriços integrados, permitindo a redução de vezes na passagem das mercadorias.
Por fim, sublinhou que a gestão coordenada das fronteiras “Requer amplo apoio político, um arcabouço legal claro para padronizar os processos e alta coordenação entre as autoridades na operação, além de um importante componente tecnológico para melhorar a gestão de riscos.".
No quadro de segundo dia No workshop foram apresentadas diferentes experiências de gestão coordenada de fronteiras, entre elas: “Gestão coordenada de fronteiras: perspectivas da agência quarentenária”, “Controle migratório no MERCOSUL”, “Gestão coordenada de fronteiras terrestres no MERCOSUL: conformação da realidade Argentina-Brasil”. considerando o Pilar I do Framework of Standards for Securing and Facilitating Trade (SAFE) e as diretrizes correlatas da Organização Mundial das Alfândegas (OMA)”, “Gestão de Riscos de Não Residentes e Facilitação do Comércio” e «A atuação da Anvisa nos postos de fronteira: um estudo à luz das especificidades regionais e das Relações Internacionais».
Este workshop, que terminará na sexta-feira, 19 de novembro, conta com o apoio institucional do Banco Mundial para gerar um melhor ambiente para comerciantes e viajantes dentro do MERCOSUL.
Para visualizar as sessões você pode acessar a Receita Federal do Brasil (Youtube)
O Aduana News é o primeiro jornal aduaneiro argentino a lançar sua versão digital. Com 20 anos de experiência, suas publicações e iniciativas visam facilitar o conhecimento mais relevante sobre questões aduaneiras, a fim de contribuir para o comércio seguro na região.








