De acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial do Comércio (OMC), o volume do comércio mundial de mercadorias cresceu 5,3% em relação ao ano anterior y 3,6% em relação ao trimestre anterior no primeiro trimestre de 2025, superando em muito as projeções da agência. Esse crescimento foi impulsionado principalmente devido a um forte aumento nas importações na América do Norte, que antecipou a entrada em vigor das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos em 2 de abril.
A OMC também observa que essa recuperação superou tanto seu cenário base para 2025, que projetava um crescimento de 2,7%, quanto seu cenário ajustado, que previa uma contração de 0,2%, com base nas políticas comerciais em vigor até abril. No entanto, apesar desse início de ano positivo, Projeções atualizadas em junho indicam que o crescimento do comércio global de mercadorias permanecerá praticamente estagnado em 2025, com uma previsão de apenas +0,1% para o ano como um todo.
◾Qual foi o comportamento das regiões?
Dados desagregados por região revelam disparidades acentuadas no desempenho comercial no mesmo período.
América do Norte Liderou amplamente o crescimento das importações trimestrais, com um forte aumento de 13,4% em relação ao trimestre anterior, impulsionado por compras antecipadas diante das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Enquanto isso, América do Sul, América Central e Caribe registou um crescimento mais moderado mas sólido de 3,6%, superando outras regiões como Ásia (+ 1,1%) e Europa (+1,3%). O Comunidade de Estados Independentes (CEI) foi a única região a apresentar declínio no comércio, com uma contração de 0,5% em seu volume comercial.
Em termos de exportações, a América do Sul também apresentou bom desempenho, com um aumento trimestral de 3,2%. Entre os produtos mais notáveis estão metais preciosos, minerais, café e chá, embora tenham sido observadas quedas nas exportações de combustíveis, oleaginosas e grãos.
Em dólares, as exportações da América do Sul e Central cresceram 4% em relação ao ano anterior, enquanto as importações aumentaram 12%, refletindo a forte demanda por máquinas, produtos siderúrgicos e veículos. No entanto, assim como em outras regiões, houve queda no valor das importações de combustíveis, em linha com a queda nos preços da energia.
Esse desempenho regional faz parte de uma tendência global, onde os setores de tecnologia, produtos químicos e vestuário lideraram o crescimento do comércio em valor, com aumentos de 16%, 12% e 7%, respectivamente. Em contraste, os setores automotivo, de produtos energéticos e de metais pesados registraram quedas, com quedas de 4% para automóveis, 7% para combustíveis e 3% para ferro e aço.
◾Evolução mensal do comércio mundial de mercadorias
Além disso, a OMC observa que, após o aumento repentino do primeiro trimestre, os dados mensais até maio mostram uma desaceleração no crescimento do comércio global. A partir de abril, o ritmo começou a enfraquecer, refletindo um ajuste na demanda após as importações iniciais que algumas economias fizeram para evitar tarifas futuras.
Um exemplo é o de Estados Unidos, cujas importações cresceram 25% em relação ao ano anterior no primeiro trimestre, mas apenas 1% em abril e maio combinados. Apesar dessa desaceleração, o acumulado do ano (janeiro a maio) mostra um aumento de 15%, refletindo o efeito antecipatório das novas tarifas, explica a OMC.
No caso de Ásia, exportações de China manteve-se estável, com crescimento homólogo de 6% tanto no primeiro como no segundo trimestres. Em contrapartida, India mostrou uma recuperação mais acentuada: após uma queda de 4% no primeiro trimestre, suas exportações cresceram 9% em abril, sinalizando uma melhora em seu desempenho comercial mais recente.
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